Monstro de duas cabeças
Paul Johnson algumas pessoas conhecem; intelectual conservador, crítico do politicamente correto, autor do polêmico Intelectuais em que demole a imagem "bonitinha" desta bizarra classe, exibindo-os como foram e eram: homens e mulheres movidos por interesses mesquinhos, vaidades, mau-caratismo como qualquer um de nós. Que Johnson tenha tantos inimigos, isto é natural num meio em que o pensamento contrário ao dele é praticamente a regra. Independente de suas qualidades e problemas, não se pode negar que ele é uma das vozes mais coerentes do pensamento conservador.
Frei Betto muita gente conhece; religioso que se dedica a igualmente bizarra Teologia da Libertação, parece um dinossauro ainda a acreditar no socialismo/comunismo - curiosamente, seus livros e textos concisos fazem um sucesso extraordinário.
Difícil imaginar duas figuras mais distintas, certo? Não para o editor do Livro de Ouro dos Papas, da coleção Livro de Ouro do/da... da Ediouro, uma tradução de uma obra de divulgação escrita por Paul Johnson. Não é que Betto assina o prólogo da edição nacional? Fazendo uma comparação para lá de besta, é mais ou menos como Trótski escrevendo o prefácio de A Riqueza das Nações, de Adam Smith.
A estranha combinação desanda: Betto se aproveita para puxar a brasa para a sardinha da tal Teologia da Libertação, algo que arrepiaria os cabelos do nariz de Paul Johnson.
Mancada feia da boa coleção da Ediouro.
10 de janeiro de 2004
9 de janeiro de 2004
Perguntinha besta...
Onde estava o governo desta terra quando muitos cidadãos brasileiros, sem razão alguma, foram humilhados, submetidos a um interrogatório vil, trancados numa salinha por horas e horas nos aeroportos norte-americanos? Fazia-se turismo em ditaduras do Oriente Médio quando gente de bem foi achacada e forçada a voltar na mesma hora para a sua terrinha sob pena de extradição.
Não houve uma palavra, um pio de protesto sequer.
Onde estava o governo desta terra quando muitos cidadãos brasileiros, sem razão alguma, foram humilhados, submetidos a um interrogatório vil, trancados numa salinha por horas e horas nos aeroportos norte-americanos? Fazia-se turismo em ditaduras do Oriente Médio quando gente de bem foi achacada e forçada a voltar na mesma hora para a sua terrinha sob pena de extradição.
Não houve uma palavra, um pio de protesto sequer.
O outro blog
Sim, é verdade. Registrei outro blog aqui no Blogger gringo, o Gabinete do Dr.Gori - ainda está "vazio". Para quem não sacou a bobagem do título, misturei o título do filme alemão O Gabinete do Dr. Caligari com o Dr. Gori, inimigo do infame defensor japonês da Terra que assisti mil vezes na minha infância, Spectroman.
Ainda a espera de uma boa idéia para um blog de nome tão tosco.
Sim, é verdade. Registrei outro blog aqui no Blogger gringo, o Gabinete do Dr.Gori - ainda está "vazio". Para quem não sacou a bobagem do título, misturei o título do filme alemão O Gabinete do Dr. Caligari com o Dr. Gori, inimigo do infame defensor japonês da Terra que assisti mil vezes na minha infância, Spectroman.
Ainda a espera de uma boa idéia para um blog de nome tão tosco.
8 de janeiro de 2004
E não é que ele tinha razão???
Rapaz, o Alexandre Inagaki acertou de novo! Acabei de experimentar o Sonho de Valsa de chocolate branco e tenho que admitir (sou um quase-chocólatra redimido): É muito bom! E eu estava com o pé atrás - especialmente depois de experimentar o xarope de angu queimado com acerola que é a Fanta Morango, qualquer novidade gastronômica comercial que aparecia pela minha frente caía na categoria de "bizarrice".
Mas o Sonho de Valsa, esta pequena iguaria que apenas nós, os brasileiros, conhecemos, acertou em cheio.
Rapaz, o Alexandre Inagaki acertou de novo! Acabei de experimentar o Sonho de Valsa de chocolate branco e tenho que admitir (sou um quase-chocólatra redimido): É muito bom! E eu estava com o pé atrás - especialmente depois de experimentar o xarope de angu queimado com acerola que é a Fanta Morango, qualquer novidade gastronômica comercial que aparecia pela minha frente caía na categoria de "bizarrice".
Mas o Sonho de Valsa, esta pequena iguaria que apenas nós, os brasileiros, conhecemos, acertou em cheio.
Errei feio e uma citação pertinente
Opa, errei feio quando disse que os norte-americanos não estavam lá muito preocupados com a decisão brasileira de "fichar" os cidadãos daquele país que fazem a besteira de vir aqui. Colin Powell chiou e o Celso Amorim prometeu medidas.
Li muita bobagem sobre o assunto, mas acredito que as opiniões mais interessantes vieram da revista Primeira Leitura, no artigo De novo, o marketing, de onde cito alguns trechos abaixo:
...
A decisão brasileira de fichar americanos começa a se delinear como algo mais do que um simples desgaste nas relações entre Brasil e Estados Unidos, como revelou a reação irritada do secretário de Estado dos EUA, Colin Powell. Com a entrada de Powell na polêmica, o episódio perde a impessoalidade dos embates diplomáticos — que quase nunca se exacerbam — e ganha status de desentendimento entre governos.
...
No caso, o lucro está sendo contabilizado pelo Planalto. A análise ligeira e fácil do fichamento dos americanos, segundo o princípio da reciprocidade, faz a alegria da população. Os ricos estão sendo afrontados por nativos da terra do Carnaval. As televisões não se cansam de mostrar a humilhação dos arrogantes portadores de dólares imposta pelos miseráveis do real. Que ceia farta para os que já foram os descamisados de Collor, os excluídos de FHC e que agora são os companheiros esfomeados de Lula!
...
Sim, o governo dos EUA agiu errado ao exigir a identificação de brasileiros em seus aeroportos (embora por lá o procedimento dure uns poucos instantes), enquanto preserva outras nacionalidades (cidadãos de países europeus, por exemplo) dessa discriminação. E talvez um juiz federal tenha mesmo o direito de proferir sentença exigindo o mesmo tratamento para americanos que aqui chegam. Mas o governo brasileiro tem o dever de recorrer dessa decisão se ela traz prejuízo ao país. Tanto tem que já preparou esse recurso. Por que não encaminha de uma vez? Ora, as pesquisas mostram que a retaliação aos americanos é o mais novo sucesso popular da gestão Lula.
Opa, errei feio quando disse que os norte-americanos não estavam lá muito preocupados com a decisão brasileira de "fichar" os cidadãos daquele país que fazem a besteira de vir aqui. Colin Powell chiou e o Celso Amorim prometeu medidas.
Li muita bobagem sobre o assunto, mas acredito que as opiniões mais interessantes vieram da revista Primeira Leitura, no artigo De novo, o marketing, de onde cito alguns trechos abaixo:
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A decisão brasileira de fichar americanos começa a se delinear como algo mais do que um simples desgaste nas relações entre Brasil e Estados Unidos, como revelou a reação irritada do secretário de Estado dos EUA, Colin Powell. Com a entrada de Powell na polêmica, o episódio perde a impessoalidade dos embates diplomáticos — que quase nunca se exacerbam — e ganha status de desentendimento entre governos.
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No caso, o lucro está sendo contabilizado pelo Planalto. A análise ligeira e fácil do fichamento dos americanos, segundo o princípio da reciprocidade, faz a alegria da população. Os ricos estão sendo afrontados por nativos da terra do Carnaval. As televisões não se cansam de mostrar a humilhação dos arrogantes portadores de dólares imposta pelos miseráveis do real. Que ceia farta para os que já foram os descamisados de Collor, os excluídos de FHC e que agora são os companheiros esfomeados de Lula!
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Sim, o governo dos EUA agiu errado ao exigir a identificação de brasileiros em seus aeroportos (embora por lá o procedimento dure uns poucos instantes), enquanto preserva outras nacionalidades (cidadãos de países europeus, por exemplo) dessa discriminação. E talvez um juiz federal tenha mesmo o direito de proferir sentença exigindo o mesmo tratamento para americanos que aqui chegam. Mas o governo brasileiro tem o dever de recorrer dessa decisão se ela traz prejuízo ao país. Tanto tem que já preparou esse recurso. Por que não encaminha de uma vez? Ora, as pesquisas mostram que a retaliação aos americanos é o mais novo sucesso popular da gestão Lula.
6 de janeiro de 2004
E o Brasil, hein ?! – II
Ah sim, se o Brasil está certo em “fichar” (baita termo feio!) os turistas norte-americanos? Sim, está, pelo tal princípio da reciprocidade diplomática. Só que, para variar, fez tudo errado.
Quem deveria debater, decidir e definir regras de conduta internacionais não é um juiz do Mato Grosso, mas o Itamaraty. Sem querer desmerecer nem um (o estado) nem outro (o juiz), a cada um a sua responsabilidade - demonstramos mais uma vez a nossa confusão interna ao mundo. Esta medida deveria ser derrubada por um tempo, para que o Ministérios das Relações Exteriores tomasse as rédeas da bagunça em que ela se tornou. Não por antiamericanismo, esta bobagem que muita gente (inclusive o tal juiz, que comparou as medidas tomadas pelos EUA ao nazismo) ainda exibe como sinônimo de independência e inteligência, mas porque esta é a sua função, sua área de atuação. Ora, senhores, mas não foi este mesmo governo que quase armou uma guerra (prejudicial e desnecessária, diga-se de passagem) entre os poderes? Não foi este mesmo presidente que chamou o Judiciário de “caixa preta”? Vai lá saber. Ora, bata no peito, chama a responsabilidade para si e bota ordem na bagunça, governo! É o mínimo que a gente espera.
A propósito, a importância do Brasil no mundo das relações internacionais é, definitivamente, próxima de zero. Nenhum norte-americano reclamou da medida que foi vista com naturalidade – a não ser da demora no desembarque, claro. Os anti-americanos ficaram arrasados, coitados, já que os ianques nem deram bola para a nossa fantástica atitude anti-colonialista contra seus abusos.
Mais um a propósito: os EUA nos incluíram na lista de países suspeitos porque não respondemos aos seus pedidos de investigação de supostos grupos terroristas islâmicos lá embaixo, na Tríplice Fronteira. Supostos mesmo, porque ninguém tem indício algum de ligação alguma de qualquer um lá da ponta inferior do nosso mapa com qualquer Osama Bin Laden da vida.
Ah sim, se o Brasil está certo em “fichar” (baita termo feio!) os turistas norte-americanos? Sim, está, pelo tal princípio da reciprocidade diplomática. Só que, para variar, fez tudo errado.
Quem deveria debater, decidir e definir regras de conduta internacionais não é um juiz do Mato Grosso, mas o Itamaraty. Sem querer desmerecer nem um (o estado) nem outro (o juiz), a cada um a sua responsabilidade - demonstramos mais uma vez a nossa confusão interna ao mundo. Esta medida deveria ser derrubada por um tempo, para que o Ministérios das Relações Exteriores tomasse as rédeas da bagunça em que ela se tornou. Não por antiamericanismo, esta bobagem que muita gente (inclusive o tal juiz, que comparou as medidas tomadas pelos EUA ao nazismo) ainda exibe como sinônimo de independência e inteligência, mas porque esta é a sua função, sua área de atuação. Ora, senhores, mas não foi este mesmo governo que quase armou uma guerra (prejudicial e desnecessária, diga-se de passagem) entre os poderes? Não foi este mesmo presidente que chamou o Judiciário de “caixa preta”? Vai lá saber. Ora, bata no peito, chama a responsabilidade para si e bota ordem na bagunça, governo! É o mínimo que a gente espera.
A propósito, a importância do Brasil no mundo das relações internacionais é, definitivamente, próxima de zero. Nenhum norte-americano reclamou da medida que foi vista com naturalidade – a não ser da demora no desembarque, claro. Os anti-americanos ficaram arrasados, coitados, já que os ianques nem deram bola para a nossa fantástica atitude anti-colonialista contra seus abusos.
Mais um a propósito: os EUA nos incluíram na lista de países suspeitos porque não respondemos aos seus pedidos de investigação de supostos grupos terroristas islâmicos lá embaixo, na Tríplice Fronteira. Supostos mesmo, porque ninguém tem indício algum de ligação alguma de qualquer um lá da ponta inferior do nosso mapa com qualquer Osama Bin Laden da vida.
E o Brasil, hein ?! - I
O Brasil é o país das oportunidades perdidas, ou, como diria a chata da Pollyana, latentes. Temos poucos turistas para tanto chão, gastamos fortunas com transporte rodoviário em estradas esburacadas quando deveríamos investir no ferroviário, consumimos e pescamos pouco peixe para tanto mar e tanto rio, temos pouco emprego, pouca oportunidade para tantos cérebros. 2004 definitivamente não será diferente. No que me diz respeito, nada mudará no cenário cultural/educacional desta terra, o que quer dizer que nada, efetivamente nada, vai melhorar significativamente - e sabe por quê? Porque nenhum país fica de pé por muito tempo sem uma base cultural sólida, coisa que não temos – está tudo disperso, separados por esforços heróicos aqui e ali, briguinhas ideológicas dispensáveis e intelectuais de meia-pataca a dar com o pau, como o bom e velho homem que falava javanês, de Lima Barreto.
“[...] duvido que um dia o Brasil venha a se tornar uma nação letrada. Se por acaso isso acontecer, certamente lerá os livros errados. Se calhar de ler os livros certos, só dirá bobagens sobre o que leu.”, escreveu Diogo Mainardi na crônica Ler não serve para nada, publicada na Veja de 28 de março de 2001.
Clique aqui (http://www.escritoriodolivro.org.br/leitura/mainardi.html) para ler a crônica completa.
O Brasil é o país das oportunidades perdidas, ou, como diria a chata da Pollyana, latentes. Temos poucos turistas para tanto chão, gastamos fortunas com transporte rodoviário em estradas esburacadas quando deveríamos investir no ferroviário, consumimos e pescamos pouco peixe para tanto mar e tanto rio, temos pouco emprego, pouca oportunidade para tantos cérebros. 2004 definitivamente não será diferente. No que me diz respeito, nada mudará no cenário cultural/educacional desta terra, o que quer dizer que nada, efetivamente nada, vai melhorar significativamente - e sabe por quê? Porque nenhum país fica de pé por muito tempo sem uma base cultural sólida, coisa que não temos – está tudo disperso, separados por esforços heróicos aqui e ali, briguinhas ideológicas dispensáveis e intelectuais de meia-pataca a dar com o pau, como o bom e velho homem que falava javanês, de Lima Barreto.
“[...] duvido que um dia o Brasil venha a se tornar uma nação letrada. Se por acaso isso acontecer, certamente lerá os livros errados. Se calhar de ler os livros certos, só dirá bobagens sobre o que leu.”, escreveu Diogo Mainardi na crônica Ler não serve para nada, publicada na Veja de 28 de março de 2001.
Clique aqui (http://www.escritoriodolivro.org.br/leitura/mainardi.html) para ler a crônica completa.
De volta, de novo!
Certo, o bendito 2003 já é uma lembrança. A passagem do ano foi aquele festival de sempre. Ao contrário do Carnaval, que se contenta em ser uma repetição um tanto chata dos mesmos sambas, músicas e passos do anterior, a passagem de ano está irreversivelmente ligado a noção do novo. Esperto, o Ano Novo consegue a proeza de não ser chato. Embora eu não considere o Natal chato, apesar de ele também não superar a senaação de déja vu. Ok, eu confesso: meu problema é mesmo com o Carnval. Mas isto é assunto para outros carnavais - desculpe, eu não resisti ao trocadilho.
O fato é que o desejo de se fazer algo novo logo no início do ano tem que ser aproveitado. Aquelas promessas pessoais/estéticas/saudáveis de sempre dão o tom: parar de fumar, parar de beber, parar de olhar pelo decote da secretária do chefe antes que ele perceba e te defenestre para o olho da rua. Bom, eu pretendo coisas diferentes- algumas guardo para mim, afinal não escrevo blog para ficar contando detalhes íntimos. Fiquemos com o público, afinal: O Anacrônicas.com tem grandes ambições. Tudo vai depender dos primeiros seis meses deste ano. Detalhes em breve.
Ah, e que 2003 vá para os quintos dos infernos.
Certo, o bendito 2003 já é uma lembrança. A passagem do ano foi aquele festival de sempre. Ao contrário do Carnaval, que se contenta em ser uma repetição um tanto chata dos mesmos sambas, músicas e passos do anterior, a passagem de ano está irreversivelmente ligado a noção do novo. Esperto, o Ano Novo consegue a proeza de não ser chato. Embora eu não considere o Natal chato, apesar de ele também não superar a senaação de déja vu. Ok, eu confesso: meu problema é mesmo com o Carnval. Mas isto é assunto para outros carnavais - desculpe, eu não resisti ao trocadilho.
O fato é que o desejo de se fazer algo novo logo no início do ano tem que ser aproveitado. Aquelas promessas pessoais/estéticas/saudáveis de sempre dão o tom: parar de fumar, parar de beber, parar de olhar pelo decote da secretária do chefe antes que ele perceba e te defenestre para o olho da rua. Bom, eu pretendo coisas diferentes- algumas guardo para mim, afinal não escrevo blog para ficar contando detalhes íntimos. Fiquemos com o público, afinal: O Anacrônicas.com tem grandes ambições. Tudo vai depender dos primeiros seis meses deste ano. Detalhes em breve.
Ah, e que 2003 vá para os quintos dos infernos.
30 de dezembro de 2003
Ano Novo
A todos que me acompanharam neste penoso 2003, Boas Festas e o meu agradecimento sincero.
Finalmente, para encerrar o ano, atualizações no meu site, o Anacrônicas.com: Duas crônicas e duas resenhas de cinema - claro, O Retorno do Rei é uma delas.
E que venha 2004!
A todos que me acompanharam neste penoso 2003, Boas Festas e o meu agradecimento sincero.
Finalmente, para encerrar o ano, atualizações no meu site, o Anacrônicas.com: Duas crônicas e duas resenhas de cinema - claro, O Retorno do Rei é uma delas.
E que venha 2004!
27 de dezembro de 2003
Ainda o Natal II : Todos nós
Grande reportagem publicada no jornal Estado de Minas de 25 de dezembro de 2003!
Um repórter fantasiou-se de Papai Noel e andou pelo Parque Municipal, ouvindo as pessoas. Surpreendentemente, colheu depoimentos de tristeza, desespero e também esperança. Uma jovem de 23 anos, que perdera o namorado num acidente de carro, arrumou a barba falsa do repórter e afirmou: “Estou falando com o Papai Noel; não me importa quem esteja por detrás da barba”. Uma mãe desiludida com a violência e seus filhos mais velhos disse o mesmo, chora e abraça a ilusão do bom velhinho. Um menino pede um skate. Uma menina de oito anos pergunta o que ele faz ali. Um homem, idoso, faz um balanço de sua vida solitária. Uma profissional liberal bem-sucedida diz ajudar a quem precisa sempre que pode. Outra relembra de seus natais de infância e uma ainda fala da boneca falsa criada pela mãe em substituição ao pedido que o raro dinheiro da família jamais poderia atender.
Clichê, melodrama, alguns diriam. Nada disso; vida mesmo, altos e baixos, horrores e glórias, tristezas, derrotas, sonhos e a força inabalável dos mitos, mesmo este moderninho, invenção da Coca-Cola. Sorte a destas pessoas, que ainda conversam com seus mitos.
Sorte a nossa também.
Grande reportagem publicada no jornal Estado de Minas de 25 de dezembro de 2003!
Um repórter fantasiou-se de Papai Noel e andou pelo Parque Municipal, ouvindo as pessoas. Surpreendentemente, colheu depoimentos de tristeza, desespero e também esperança. Uma jovem de 23 anos, que perdera o namorado num acidente de carro, arrumou a barba falsa do repórter e afirmou: “Estou falando com o Papai Noel; não me importa quem esteja por detrás da barba”. Uma mãe desiludida com a violência e seus filhos mais velhos disse o mesmo, chora e abraça a ilusão do bom velhinho. Um menino pede um skate. Uma menina de oito anos pergunta o que ele faz ali. Um homem, idoso, faz um balanço de sua vida solitária. Uma profissional liberal bem-sucedida diz ajudar a quem precisa sempre que pode. Outra relembra de seus natais de infância e uma ainda fala da boneca falsa criada pela mãe em substituição ao pedido que o raro dinheiro da família jamais poderia atender.
Clichê, melodrama, alguns diriam. Nada disso; vida mesmo, altos e baixos, horrores e glórias, tristezas, derrotas, sonhos e a força inabalável dos mitos, mesmo este moderninho, invenção da Coca-Cola. Sorte a destas pessoas, que ainda conversam com seus mitos.
Sorte a nossa também.
Ainda o Natal I : Bobagens sérias
“Os melhores votos de um feriado do solstício de inverno ambientalmente consciente, de baixo estresse, sexualmente neutro e comemorado nas melhores tradições da religião de sua escolha, mas sem pressupor que você tenha uma opção religiosa e ao mesmo tempo respeitando a opção religiosa dos outros ou a opção deles de não participar de absolutamente nenhuma religião.”
Isto que você leu é uma mensagem de Natal escrita por um professor da Universidade Washington, em Saint Louis, EUA. Sim, eu sei que não parece, mas é. Atualmente, os norte-americanos evitam dizer Merry Christmas para não ofender pessoas de outras religiões e/ou sem opção religiosa. É o inferno politicamente correto.
A idéia que os paranóicos intelectuais do norte têm de tolerância religiosa é uma maquiagem lingüística simplória. Não passa de um conjunto de regras dizendo o quê dizer, como agir, com o intuito de evitar ao máximo ofender ao próximo, a suas crenças, suas opções. Que termos naturalmente pejorativos como niger (não há como traduzir; algo como “criolo”) sejam evitados, certo, não reclamo disto. Daí a instituir uma ditadura de costumes, uma sociedade em que todos vigiam a todos e cobram uns dos outros atitudes ensaiadas, decoradas, pateticamente falsas, a isto dou o nome de “auto-engano coletivo”. O caso do Natal é emblemático. Esta reportagem da BBC Brasil é que chamou a minha atenção para o problema.
Afirmo novamente: Não é a recusa de conviver com as particularidades de cada religião que tornará este mundinho complicado mais aceitável, mas exatamente o reconhecimento destas diferenças e seu espaço de expressão, que pode muito bem ser o mundo todo. Quando alguém de outra religião deseja a mim algo relacionado a suas crenças mais íntimas, ele não me ofende (mesmo que eu não concorde com um pingo do que ele acredita), na verdade ele está me chamando de irmão. Ele quer que sua fé seja grande o suficiente não para si, mas para o mundo. É um ato de generosidade, não de imposição ou ofensa. E já ouvi coisas que considerei estranhas, bizarras mesmo, mas ouví-las com sinceridade vindo de quem realmente acredita nelas me fez acreditar mais no homem.
O politicamente correto quer substituir a espontaneidade da vida, seus conflitos, glórias e clichês numa ditadura de intelectuais e pseudo-intelectuais, numa cápsula em que compiladores de termos “adequados” reeducam a socidade à sua (pobre) imagem e semelhança. Pergunto-me se o politicamente correto não é uma força ainda mais perversa do que a “globalização” na universalização dos costumes, na transformação da diversidade humana numa pasta insossa facilmente reconhecível por qualquer habitante de qualquer muquifo do planeta.
Por isso, digo aos norte-americanos: MERRY CHRISTIMAS, com toda a carga religiosa que este cumprimento possa ter. E desejo sinceramente que em 2004 eles sejam menos chatos e francamente menos frescos. E, por favor, dêem um jeito no politicamente correto antes que este negócio se transforme numa ditadura.
Amém.
“Os melhores votos de um feriado do solstício de inverno ambientalmente consciente, de baixo estresse, sexualmente neutro e comemorado nas melhores tradições da religião de sua escolha, mas sem pressupor que você tenha uma opção religiosa e ao mesmo tempo respeitando a opção religiosa dos outros ou a opção deles de não participar de absolutamente nenhuma religião.”
Isto que você leu é uma mensagem de Natal escrita por um professor da Universidade Washington, em Saint Louis, EUA. Sim, eu sei que não parece, mas é. Atualmente, os norte-americanos evitam dizer Merry Christmas para não ofender pessoas de outras religiões e/ou sem opção religiosa. É o inferno politicamente correto.
A idéia que os paranóicos intelectuais do norte têm de tolerância religiosa é uma maquiagem lingüística simplória. Não passa de um conjunto de regras dizendo o quê dizer, como agir, com o intuito de evitar ao máximo ofender ao próximo, a suas crenças, suas opções. Que termos naturalmente pejorativos como niger (não há como traduzir; algo como “criolo”) sejam evitados, certo, não reclamo disto. Daí a instituir uma ditadura de costumes, uma sociedade em que todos vigiam a todos e cobram uns dos outros atitudes ensaiadas, decoradas, pateticamente falsas, a isto dou o nome de “auto-engano coletivo”. O caso do Natal é emblemático. Esta reportagem da BBC Brasil é que chamou a minha atenção para o problema.
Afirmo novamente: Não é a recusa de conviver com as particularidades de cada religião que tornará este mundinho complicado mais aceitável, mas exatamente o reconhecimento destas diferenças e seu espaço de expressão, que pode muito bem ser o mundo todo. Quando alguém de outra religião deseja a mim algo relacionado a suas crenças mais íntimas, ele não me ofende (mesmo que eu não concorde com um pingo do que ele acredita), na verdade ele está me chamando de irmão. Ele quer que sua fé seja grande o suficiente não para si, mas para o mundo. É um ato de generosidade, não de imposição ou ofensa. E já ouvi coisas que considerei estranhas, bizarras mesmo, mas ouví-las com sinceridade vindo de quem realmente acredita nelas me fez acreditar mais no homem.
O politicamente correto quer substituir a espontaneidade da vida, seus conflitos, glórias e clichês numa ditadura de intelectuais e pseudo-intelectuais, numa cápsula em que compiladores de termos “adequados” reeducam a socidade à sua (pobre) imagem e semelhança. Pergunto-me se o politicamente correto não é uma força ainda mais perversa do que a “globalização” na universalização dos costumes, na transformação da diversidade humana numa pasta insossa facilmente reconhecível por qualquer habitante de qualquer muquifo do planeta.
Por isso, digo aos norte-americanos: MERRY CHRISTIMAS, com toda a carga religiosa que este cumprimento possa ter. E desejo sinceramente que em 2004 eles sejam menos chatos e francamente menos frescos. E, por favor, dêem um jeito no politicamente correto antes que este negócio se transforme numa ditadura.
Amém.
23 de dezembro de 2003
Spam Zine, nas palavras do próprio...Spam Zine é um fanzine literário enviado por e-mail (quase) todos os domingos. Cada edição contém generosas doses de literatura falsária, jornalismo de mentirinha, justaposições inesperadas e papos nonsense ao redor de uma mesa de bar virtual.
Spam Zine é o recheio dominando o pastel, o beijo dos antípodas com tudo o que há no meio, amor livre e gostosinho para todos.
Mexe este mouse, rapaz, vai lá e assina, que vale a pena!
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Luto
Morreu, neste domingo, o artista de quadrinhos Hermes Tadeu. Colorista auto-didata e talentoso, foi abordado por um assaltante de turistas de 18 anos na praia, em Santos. Ao reagir e recusar-se a entregar a câmera de vídeo que carregava, foi alvejado no peito e não resistiu ao ferimento, falecendo ao chegar ao hospital.
Pêsames a sua família, parentes e amigos.
Morreu, neste domingo, o artista de quadrinhos Hermes Tadeu. Colorista auto-didata e talentoso, foi abordado por um assaltante de turistas de 18 anos na praia, em Santos. Ao reagir e recusar-se a entregar a câmera de vídeo que carregava, foi alvejado no peito e não resistiu ao ferimento, falecendo ao chegar ao hospital.
Pêsames a sua família, parentes e amigos.
E a Liberdade, onde é que fica?
Pois é, andei mesmo desaparecido... E volto, na véspera da véspera de Natal só para comentar uma notícia absurda e deixar minha opinião - como se eu fizesse algo além disso.
Na França, para reforçar a separação entre a Igreja e o Estado, uma medida absurda foi acatada como grande avanço. De agora em diante, ficam proibidas manifestações religiosas "exageradas"; isto inclui as vestes tradicionais da mulheres islâmicas e até o kipá judaico (o "chapeuzinho"...). As perguntas óbvias já surgiram. Quem vai definir o que é uma manifestação religiosa "exagerada"? O Estado, claro. Mas não era este mesmo Estado que deveria defender a liberdade religiosa dos seus cidadãos? Ele fará isto impedindo-os de exercê-la? Sim, é o que está acontecendo.
Ao invés de zelar pela manutenção de um espaço livre para a expressão (e conflitos também , por que não?) dos indivíduos, agora temos governos que se dizem no direito de nos impedir de exercer nossas crenças para o "bem comum". Se isto não é um passo para uma espécie de ditadura, então não sei o que é. Verdade que a França nunca se deu muito bem com a tal democracia, que de resto, vai mal em quase todo lugar onde alguns (ói eu aqui!) acreditam nela, mas esta é outra história.
Parece-me apenas mais uma medida de um tempo refratário às religiões. Como não se consegue entendê-las, melhor trancafiá-las num seguro e confortável baú, e que sejam vistas como uma extravagância de gente tola e inculta, uma espécie de aberração sociológica. A estupidez desta medida é uma pá de cal em qualquer tentativa de tolerância entre os homens, ao contrário do que imaginam seus defensores. Não será ocultando nossas diferenças debaixo do pano protetor do Estado que as resolveremos - se é que diferenças existem para ser resolvidas, ou apenas compreendidas.
A propósito, a Alemanha segue o exemplo da França e já proibiu vestes "ostensivamente religiosas" no serviço público. O que farão as professoras islâmicas (sim, elas existem e não são poucas) senão buscar emprego na iniciativa privada?
Sem querer parecer religioso demais (claro), melhor fazer a apropriada citação cristã em tempos de Natal, "perdoai-vos, pois não sabem o que fazem..."
Pois é, andei mesmo desaparecido... E volto, na véspera da véspera de Natal só para comentar uma notícia absurda e deixar minha opinião - como se eu fizesse algo além disso.
Na França, para reforçar a separação entre a Igreja e o Estado, uma medida absurda foi acatada como grande avanço. De agora em diante, ficam proibidas manifestações religiosas "exageradas"; isto inclui as vestes tradicionais da mulheres islâmicas e até o kipá judaico (o "chapeuzinho"...). As perguntas óbvias já surgiram. Quem vai definir o que é uma manifestação religiosa "exagerada"? O Estado, claro. Mas não era este mesmo Estado que deveria defender a liberdade religiosa dos seus cidadãos? Ele fará isto impedindo-os de exercê-la? Sim, é o que está acontecendo.
Ao invés de zelar pela manutenção de um espaço livre para a expressão (e conflitos também , por que não?) dos indivíduos, agora temos governos que se dizem no direito de nos impedir de exercer nossas crenças para o "bem comum". Se isto não é um passo para uma espécie de ditadura, então não sei o que é. Verdade que a França nunca se deu muito bem com a tal democracia, que de resto, vai mal em quase todo lugar onde alguns (ói eu aqui!) acreditam nela, mas esta é outra história.
Parece-me apenas mais uma medida de um tempo refratário às religiões. Como não se consegue entendê-las, melhor trancafiá-las num seguro e confortável baú, e que sejam vistas como uma extravagância de gente tola e inculta, uma espécie de aberração sociológica. A estupidez desta medida é uma pá de cal em qualquer tentativa de tolerância entre os homens, ao contrário do que imaginam seus defensores. Não será ocultando nossas diferenças debaixo do pano protetor do Estado que as resolveremos - se é que diferenças existem para ser resolvidas, ou apenas compreendidas.
A propósito, a Alemanha segue o exemplo da França e já proibiu vestes "ostensivamente religiosas" no serviço público. O que farão as professoras islâmicas (sim, elas existem e não são poucas) senão buscar emprego na iniciativa privada?
Sem querer parecer religioso demais (claro), melhor fazer a apropriada citação cristã em tempos de Natal, "perdoai-vos, pois não sabem o que fazem..."
10 de dezembro de 2003
As frases mais irritantes de todos os tempos
Existe um conjunto de frases (clichês) ditas de vez em quando por algumas pessoas que são o cúmulo da chatice e do mau-gosto. Eu tenho duas, que são as minhas preferidas. Se uma mulher me diz um beijo no coração para você, já provocou minha úlcera latente. Que coisa baranga, minha amiga! E coração é lá lugar que se beije, que negócio nojento e sangrento! Melhor gastar seus preciosos ósculos com partes visíveis do corpo.
Dentre as duas, a pior é a que ouvi, pela primeira vez, nascida dos poderosos neurônios da Maria Meneghel, vulgo Xuxa: Se você realmente deseja algo, todo o universo conspira a seu favor. Não me pergunte onde eu vi a dona Maria aí falando tal aberração - se bem que posso estar enganado e ter visto uma entrevista com Paulo Coelho, outro que tem o péssimo hábito de ficar citando estas coisas.
De qualquer forma, sou obrigado aqui a reproduzir a maldição proferida por Alexandre Inagaki, do Pensar Enlouquece, contra todos aqueles que copiam esta pérola para arquivos PowerPoint e nos enviam por e-mail: "que Deus me perdoe, mas desejo que as pulgas de mil macacos infestem as axilas daqueles que repassam esse tipo de attachment".
Eu desejo as pulgas de dois mil macacos.
E que Deus tenha piedade de mim. E deles.
Existe um conjunto de frases (clichês) ditas de vez em quando por algumas pessoas que são o cúmulo da chatice e do mau-gosto. Eu tenho duas, que são as minhas preferidas. Se uma mulher me diz um beijo no coração para você, já provocou minha úlcera latente. Que coisa baranga, minha amiga! E coração é lá lugar que se beije, que negócio nojento e sangrento! Melhor gastar seus preciosos ósculos com partes visíveis do corpo.
Dentre as duas, a pior é a que ouvi, pela primeira vez, nascida dos poderosos neurônios da Maria Meneghel, vulgo Xuxa: Se você realmente deseja algo, todo o universo conspira a seu favor. Não me pergunte onde eu vi a dona Maria aí falando tal aberração - se bem que posso estar enganado e ter visto uma entrevista com Paulo Coelho, outro que tem o péssimo hábito de ficar citando estas coisas.
De qualquer forma, sou obrigado aqui a reproduzir a maldição proferida por Alexandre Inagaki, do Pensar Enlouquece, contra todos aqueles que copiam esta pérola para arquivos PowerPoint e nos enviam por e-mail: "que Deus me perdoe, mas desejo que as pulgas de mil macacos infestem as axilas daqueles que repassam esse tipo de attachment".
Eu desejo as pulgas de dois mil macacos.
E que Deus tenha piedade de mim. E deles.
2 de dezembro de 2003
24 de novembro de 2003
Opa, mais quadrinhos...
... agora do site do artista Tatsuya Ishida. Ele tem certa preferência por "brincar" com os símbolos cristãos, nada que chegue aos pés do Deus do brasileiro Laerte, mas é muito, muito bom.
... agora do site do artista Tatsuya Ishida. Ele tem certa preferência por "brincar" com os símbolos cristãos, nada que chegue aos pés do Deus do brasileiro Laerte, mas é muito, muito bom.
Crônica nova e obrigatória (para mim)
Crônica nova no Anacrônicas.com: Quero a Minha Pesquisa! A idéia, agora, é finalmente publicar uma crônica por semana, e não quando a inspiração mandar - que frescura, hein?!
Eu deveria ter postado um conto publicado num site (Xi...) de Ficção Científica (Xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!...) em 1997 (cáspita!), que já saiu do ar, mas este fica para amanhã ou depois. Ah, e não deu tempo de postar a abobrinha da semana também.
Crônica nova no Anacrônicas.com: Quero a Minha Pesquisa! A idéia, agora, é finalmente publicar uma crônica por semana, e não quando a inspiração mandar - que frescura, hein?!
Eu deveria ter postado um conto publicado num site (Xi...) de Ficção Científica (Xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!...) em 1997 (cáspita!), que já saiu do ar, mas este fica para amanhã ou depois. Ah, e não deu tempo de postar a abobrinha da semana também.
22 de novembro de 2003
Solução genial
Depois da palhaçada armada contra os idosos, deram a eles a possibilidade de entrar na justiça para pedir a revisão de suas aposentadorias. Prova de que o Estado se importa com os seus velhinhos, deram-lhes longos cinco anos para que entrem com o pedido. Conhecendo o passo aceleradíssimo da nossa Justiça, estimo que a maioria absoluta dos idosos terá falecido quando receber a resposta. Se é esta a intenção, estamos diantes de uma maquinação sórdida como poucas vezes o Estado brasileiro foi capaz de realizar.
Dica de última hora: Vivemos sob o Estado de Direito, o que significa que o Estado está submetido a regras acima dele, que dizem que sua função é servir a sociedade e não o contrário. Se foi este governo que exibiu a aprovação do Estatudo do Idoso, então supomos que o próprio está submetido a suas regras. Façamos valê-lo; demitam-se todos os burocratas envolvidos na criação destas políticas insanas, desastradas e desumanas. É o mínimo que merecem - tanto os homens dos gabinetes quanto os nossos idosos.
Depois da palhaçada armada contra os idosos, deram a eles a possibilidade de entrar na justiça para pedir a revisão de suas aposentadorias. Prova de que o Estado se importa com os seus velhinhos, deram-lhes longos cinco anos para que entrem com o pedido. Conhecendo o passo aceleradíssimo da nossa Justiça, estimo que a maioria absoluta dos idosos terá falecido quando receber a resposta. Se é esta a intenção, estamos diantes de uma maquinação sórdida como poucas vezes o Estado brasileiro foi capaz de realizar.
Dica de última hora: Vivemos sob o Estado de Direito, o que significa que o Estado está submetido a regras acima dele, que dizem que sua função é servir a sociedade e não o contrário. Se foi este governo que exibiu a aprovação do Estatudo do Idoso, então supomos que o próprio está submetido a suas regras. Façamos valê-lo; demitam-se todos os burocratas envolvidos na criação destas políticas insanas, desastradas e desumanas. É o mínimo que merecem - tanto os homens dos gabinetes quanto os nossos idosos.
Poucas coisas na vida acertei...
... mas, aparentemente, duas foram bem na mosca.
Eu era (e sou) um moleque que gosta(va) de ler, escrever, desenhar e assistir a mil filmes; por isto achava que seria uma boa idéia cursar Publicidade & Propaganda. Por sorte, conheci o mercadão da área e pulei fora antes que fosse tarde. Acabei trabalhando como desenvolvedor de software, como dizem os norte-americanos. Se algum dia vier a trabalhar com a área de criação novamente (fiz umas tentativas toscas e adolescentes), será como frila - o jeitão brasileiro de dizer free lancer.
A segunda foi que andei pensando seriamente em trocar este blog de casa e ir aportar lá no nosso equivalente nacional - bateu uma onda besta e caipira de nacionalismo, o último refúgio dos canalhas, como se sabe - mas, assim como na publicidade, logo esqueci o assunto assim que li as constantes reclamações de outros blogueiros sobre a (baixa) atual qualidade do serviço...
Não custa nada o Blogger brazuca fazer o mesmo que o HPG - cobrar dos novos usuários e estabelecer políticas draconianas para os usuários atuais. Para quem não sabe, meu site, o Anacrônicas.com, que tem um público pequeno, porém fiel, está hospedado lá. Agora tenho meros 10Mbytes de espaço para brincar, não posso fazer FTP pelo site se não estiver conectado como um usuário do IG - enfim, um porre.
O chato desta história é que há dezenas ou até centenas de blogs interessantes, úteis, engraçados, imperdíveis, que acreditaram no Blogger do Brasil. Estão todos lá, acreditando que o serviço possa corresponder à qualidade da comunidade blogueira. Até agora, tem falhado.
Enfim, vou ficar aqui mesmo na web internacional.
... mas, aparentemente, duas foram bem na mosca.
Eu era (e sou) um moleque que gosta(va) de ler, escrever, desenhar e assistir a mil filmes; por isto achava que seria uma boa idéia cursar Publicidade & Propaganda. Por sorte, conheci o mercadão da área e pulei fora antes que fosse tarde. Acabei trabalhando como desenvolvedor de software, como dizem os norte-americanos. Se algum dia vier a trabalhar com a área de criação novamente (fiz umas tentativas toscas e adolescentes), será como frila - o jeitão brasileiro de dizer free lancer.
A segunda foi que andei pensando seriamente em trocar este blog de casa e ir aportar lá no nosso equivalente nacional - bateu uma onda besta e caipira de nacionalismo, o último refúgio dos canalhas, como se sabe - mas, assim como na publicidade, logo esqueci o assunto assim que li as constantes reclamações de outros blogueiros sobre a (baixa) atual qualidade do serviço...
Não custa nada o Blogger brazuca fazer o mesmo que o HPG - cobrar dos novos usuários e estabelecer políticas draconianas para os usuários atuais. Para quem não sabe, meu site, o Anacrônicas.com, que tem um público pequeno, porém fiel, está hospedado lá. Agora tenho meros 10Mbytes de espaço para brincar, não posso fazer FTP pelo site se não estiver conectado como um usuário do IG - enfim, um porre.
O chato desta história é que há dezenas ou até centenas de blogs interessantes, úteis, engraçados, imperdíveis, que acreditaram no Blogger do Brasil. Estão todos lá, acreditando que o serviço possa corresponder à qualidade da comunidade blogueira. Até agora, tem falhado.
Enfim, vou ficar aqui mesmo na web internacional.
Avacalhando com estilo...
Arte do grande Frank Cho, brincando com alguns super-heróis clássicos. Quem gosta de quadrinhos tem que visitar o site dele, Liberty Meadows, onde são publicadas seus desenhos que seriam censurados pelas editoras...
Sim, eu leio quadrinhos!
Arte do grande Frank Cho, brincando com alguns super-heróis clássicos. Quem gosta de quadrinhos tem que visitar o site dele, Liberty Meadows, onde são publicadas seus desenhos que seriam censurados pelas editoras...
Sim, eu leio quadrinhos!
20 de novembro de 2003
Mais um blog
Pensar Enlouquece. Pense Nisto. é um dos blogs mais visitados da internet brasileira, escrito por Alexandre Inagaki. Indispensável a sua presença por aqui.
Pensar Enlouquece. Pense Nisto. é um dos blogs mais visitados da internet brasileira, escrito por Alexandre Inagaki. Indispensável a sua presença por aqui.
16 de novembro de 2003
Crônica nova e resenha de Matrix Revolutions
Finalmente, depois de dois meses, eis que surge uma nova crônica no Anacrônicas.com: Eu e o Meu Celular. Leia também a resenha de Matrix: Revolutions.
Finalmente, depois de dois meses, eis que surge uma nova crônica no Anacrônicas.com: Eu e o Meu Celular. Leia também a resenha de Matrix: Revolutions.
12 de novembro de 2003
Os blogs aí do lado...
A minha lista de blogs e sites tende a aumentar porque agora estou entrando de verdade em contato com o estranho mundo da blogosfera. Vamos aos últimos (ordem alfabética, para ninguém sair se esbofeteando pelo privilégio de estar aqui n´O Anacrônico):
O Blog Verdinho Sobre Todas as Cores - Blog da Shampoo e do Trecool, casal que se conheceu no (temporariamente extinto) fórum da AnimemotionBR. Ela é artista gráfica, ele é programador. Ah, é por culpa deles que hoje em dia ouço Ska.
O Caderno Mágico do Dennis -Dennis D. publica contos e notas em seu blog pessoal, dedicado a literatura. Publicou seu livro (em papel mesmo), O Filho do Hipnotizador e outras histórias de estranhas pessoas, e é referência da "literatura web" brasileira. Leio sempre.
Estraga Filmes - Este cara é maluco! Publica o final dos filmes antes que estreiem nas telonas e/ou telinhas. O pior é que eu acesso e leio.
One Minute Left - Mais um egresso da AnimemotionBR, Kio entende de rock e pop como poucos e publica constantemente resenhas de lançamentos que pouca gente por aqui conhece.
Por hoje é só. Mas sempre teremos mais.
A minha lista de blogs e sites tende a aumentar porque agora estou entrando de verdade em contato com o estranho mundo da blogosfera. Vamos aos últimos (ordem alfabética, para ninguém sair se esbofeteando pelo privilégio de estar aqui n´O Anacrônico):
O Blog Verdinho Sobre Todas as Cores - Blog da Shampoo e do Trecool, casal que se conheceu no (temporariamente extinto) fórum da AnimemotionBR. Ela é artista gráfica, ele é programador. Ah, é por culpa deles que hoje em dia ouço Ska.
O Caderno Mágico do Dennis -Dennis D. publica contos e notas em seu blog pessoal, dedicado a literatura. Publicou seu livro (em papel mesmo), O Filho do Hipnotizador e outras histórias de estranhas pessoas, e é referência da "literatura web" brasileira. Leio sempre.
Estraga Filmes - Este cara é maluco! Publica o final dos filmes antes que estreiem nas telonas e/ou telinhas. O pior é que eu acesso e leio.
One Minute Left - Mais um egresso da AnimemotionBR, Kio entende de rock e pop como poucos e publica constantemente resenhas de lançamentos que pouca gente por aqui conhece.
Por hoje é só. Mas sempre teremos mais.
A constatação de um equívoco
A cada António Lobo Antunes que leio (acabei O Manual dos Inquisidores), fica mais clara a limitação de José Saramago, estrela maior da literatura lusitana. Como disse o Dennis do Caderno Mágico de Dennis, Não vou afirmar que José Saramago seja mau escritor. Digo apenas que não gosto do modo como ele escreve, não gosto dos seus enredos, não gosto dos seus personagens, não gosto de suas aberturas, nem de suas conclusões.
Saramago tem um estilo bem urdido, trabalhado, capaz de se superar por vezes - Ensaio Sobre a Cegueira quase chegou lá. Mas é isto. Falta-lhe algo, talvez um carinho pela miséria do homem, que o fizesse criar personagens mais interessantes e menos submissos a algumas metáforas simplistas que saltam aos olhos. Num de seus últimos livros, cujo nome fugiu de vez da minha cabeça, há referências ao mito da caverna de Platão e ao mundinho asséptico dos shopping centers, numa "denúncia" contra a globalização. Sejamos sinceros: não é pouco? Não é algo constrangedor? Para um vencedor do Nobel, é sim.
Nem me dignifico a comentar seu gosto particular por ditaduras ou sua absoluta certeza de que é um "iluminado materialista" neste mundinho de ignorantes, porque aqui falo apenas de literatura. E a literatura de Saramago é boa, com alguns lampejos maiores. E só.
A cada António Lobo Antunes que leio (acabei O Manual dos Inquisidores), fica mais clara a limitação de José Saramago, estrela maior da literatura lusitana. Como disse o Dennis do Caderno Mágico de Dennis, Não vou afirmar que José Saramago seja mau escritor. Digo apenas que não gosto do modo como ele escreve, não gosto dos seus enredos, não gosto dos seus personagens, não gosto de suas aberturas, nem de suas conclusões.
Saramago tem um estilo bem urdido, trabalhado, capaz de se superar por vezes - Ensaio Sobre a Cegueira quase chegou lá. Mas é isto. Falta-lhe algo, talvez um carinho pela miséria do homem, que o fizesse criar personagens mais interessantes e menos submissos a algumas metáforas simplistas que saltam aos olhos. Num de seus últimos livros, cujo nome fugiu de vez da minha cabeça, há referências ao mito da caverna de Platão e ao mundinho asséptico dos shopping centers, numa "denúncia" contra a globalização. Sejamos sinceros: não é pouco? Não é algo constrangedor? Para um vencedor do Nobel, é sim.
Nem me dignifico a comentar seu gosto particular por ditaduras ou sua absoluta certeza de que é um "iluminado materialista" neste mundinho de ignorantes, porque aqui falo apenas de literatura. E a literatura de Saramago é boa, com alguns lampejos maiores. E só.
7 de novembro de 2003
Aos burrocratas, o inferno a que têm direito!
Crítica pesada e justa da revista Primeira Leitura a estupidez do governo Lula, que exigiu que os idosos de mais de 90 anos de idade se arrastem até os postos do INSS para provar que existem! Sob o pretexto de combater as fraudes, comete-se um absurdo sem precedentes.
O ministro da Previdência Social [...] deve desculpas públicas ao país pela monstruosidade determinada por sua pasta contra aposentados e pensionistas com mais de 90 anos.
Por uma canetada de um burocrata qualquer de Brasília, os benefícios dessas pessoas foram sumariamente suspensos na última segunda-feira. O governo do PT parte da premissa de que a maioria das pessoas não chega a essa idade. Estabelece, por decreto, que todos morreram, e eles que se virem para provar que estão vivos.
O que se viu em rede nacional nesta quinta-feira, pelo Jornal Nacional, foram imagens que nenhum bonito cartaz de Duda Mendonça pode reparar: pessoas idosas tendo de literalmente se arrastar, amparados por parentes, para mostrar aos burocratas do INSS que estão vivos e que precisam daqueles benefícios minguados para continuar assim – embora o desejo oculto do governo, ao que tudo indica, seja que morram logo para deixar de onerar a Previdência.
É injustificável a determinação da Previdência, e talvez por isso Berzoini, sempre verborrágico na hora de defender a reforma da Previdência, tenha se escondido para não prestar declarações. Um vexame que, se o PT fosse, de fato, um partido voltado para o social, exigiria de pronto que as cabeças dos responsáveis fossem cortadas e que o ministro levasse um chamado público do presidente.
Mas Lula não está. Está em seu périplo pela África, em que foi tratado como o “porta-voz dos pobres do mundo” e onde tem feito diariamente o discurso da reparação social. Reparação social na África, quando os aposentados do Brasil são submetidos a tamanha humilhação.
[...]O que precisa ser feito é o contrário: o INSS, esse dinossauro cuja gestão é ineficiente e marcada por fraudes, é que tem de fiscalizar eventuais irregularidades e de verificar quando os beneficiados morrem. O contrário é de uma vilania inadmissível num regime democrático e minimamente civilizado. Eis a concepção petista de reparação social.
Não me importa se é FHC, Lula, o comprade Teixeirinha da Silva ou o escambau! Quem trata os idosos com tamanha arrogância e empáfia está a desmerecer os votos que nele depositaram milhões. O pior é que este absurdo pode voltar, pois não foi definitivamente revogado.
Crítica pesada e justa da revista Primeira Leitura a estupidez do governo Lula, que exigiu que os idosos de mais de 90 anos de idade se arrastem até os postos do INSS para provar que existem! Sob o pretexto de combater as fraudes, comete-se um absurdo sem precedentes.
O ministro da Previdência Social [...] deve desculpas públicas ao país pela monstruosidade determinada por sua pasta contra aposentados e pensionistas com mais de 90 anos.
Por uma canetada de um burocrata qualquer de Brasília, os benefícios dessas pessoas foram sumariamente suspensos na última segunda-feira. O governo do PT parte da premissa de que a maioria das pessoas não chega a essa idade. Estabelece, por decreto, que todos morreram, e eles que se virem para provar que estão vivos.
O que se viu em rede nacional nesta quinta-feira, pelo Jornal Nacional, foram imagens que nenhum bonito cartaz de Duda Mendonça pode reparar: pessoas idosas tendo de literalmente se arrastar, amparados por parentes, para mostrar aos burocratas do INSS que estão vivos e que precisam daqueles benefícios minguados para continuar assim – embora o desejo oculto do governo, ao que tudo indica, seja que morram logo para deixar de onerar a Previdência.
É injustificável a determinação da Previdência, e talvez por isso Berzoini, sempre verborrágico na hora de defender a reforma da Previdência, tenha se escondido para não prestar declarações. Um vexame que, se o PT fosse, de fato, um partido voltado para o social, exigiria de pronto que as cabeças dos responsáveis fossem cortadas e que o ministro levasse um chamado público do presidente.
Mas Lula não está. Está em seu périplo pela África, em que foi tratado como o “porta-voz dos pobres do mundo” e onde tem feito diariamente o discurso da reparação social. Reparação social na África, quando os aposentados do Brasil são submetidos a tamanha humilhação.
[...]O que precisa ser feito é o contrário: o INSS, esse dinossauro cuja gestão é ineficiente e marcada por fraudes, é que tem de fiscalizar eventuais irregularidades e de verificar quando os beneficiados morrem. O contrário é de uma vilania inadmissível num regime democrático e minimamente civilizado. Eis a concepção petista de reparação social.
Não me importa se é FHC, Lula, o comprade Teixeirinha da Silva ou o escambau! Quem trata os idosos com tamanha arrogância e empáfia está a desmerecer os votos que nele depositaram milhões. O pior é que este absurdo pode voltar, pois não foi definitivamente revogado.
6 de novembro de 2003
Revolutions - Segundas impressões
Bom, quanto mais penso no Revolutions, mais ele me parece inconcluso, decepcionante, porque não consegue resolver os mistérios da trama desenvolvida nos dois primeiros filmes. Havia, sim, a necessidade de explicações melhores para várias personagens, em especial o relacionamento entre Merovigian, Seraph e Oráculo, isto sem mencionar KeyMaker , Trainman e Persephone (rapaz, como a Monica Belucci é bonita, além de outra palavra, que começa com “g”!). Desde o segundo filme, parece-nos que Merovigian teria sido um “Neo” (como insinua sua esposa Persephone) e seu ódio por Óraculo pode ter origem na mesma revelação que o Arquiteto fez a Neo. E, afinal, onde foram parar as tais revelações do Arquiteto, surgidas daquele diálogo truncado no final de Reloaded?
Sim, faltou “profundidade” a Revolutions e Reloaded. Espera-se que um filme de ficção científica equilibre o deslumbramento estético típico do gênero a uma boa dose de neurônios. Não vou mentir dizendo que apenas o primeiro filme da trilogia conseguiu este equilíbrio; o segundo se concentrou em cenas de ação e em colocar mais dúvida e caraminhola na cabecinha já fervilhante dos fãs; no terceiro, a conclusão da história toma todos os minutos da exibição, sem tempo para maiores e melhores explicações. Quando eu disse que era satisfatório, me enganei um pouco: há pontas soltas demais na história, mais do que as necessárias. Por este lado, Revolutions decepciona. Como duas horas de diversão, é de uma competência rara no cinemão americano atual. Há quem diga que os irmãos Wachowski vão esclarecer tais pontas em outras mídias, mas por favor: Matrix é cinema, e é ali, no escurinho da sala que os mistérios têm de ser resolvidos!
Bom, eis minhas segundas impressões, mais acuradas e distantes do furor pós-estréia. Notas para uma crítica maior, a ser publicada no Anacrônicas.com.
Bom, quanto mais penso no Revolutions, mais ele me parece inconcluso, decepcionante, porque não consegue resolver os mistérios da trama desenvolvida nos dois primeiros filmes. Havia, sim, a necessidade de explicações melhores para várias personagens, em especial o relacionamento entre Merovigian, Seraph e Oráculo, isto sem mencionar KeyMaker , Trainman e Persephone (rapaz, como a Monica Belucci é bonita, além de outra palavra, que começa com “g”!). Desde o segundo filme, parece-nos que Merovigian teria sido um “Neo” (como insinua sua esposa Persephone) e seu ódio por Óraculo pode ter origem na mesma revelação que o Arquiteto fez a Neo. E, afinal, onde foram parar as tais revelações do Arquiteto, surgidas daquele diálogo truncado no final de Reloaded?
Sim, faltou “profundidade” a Revolutions e Reloaded. Espera-se que um filme de ficção científica equilibre o deslumbramento estético típico do gênero a uma boa dose de neurônios. Não vou mentir dizendo que apenas o primeiro filme da trilogia conseguiu este equilíbrio; o segundo se concentrou em cenas de ação e em colocar mais dúvida e caraminhola na cabecinha já fervilhante dos fãs; no terceiro, a conclusão da história toma todos os minutos da exibição, sem tempo para maiores e melhores explicações. Quando eu disse que era satisfatório, me enganei um pouco: há pontas soltas demais na história, mais do que as necessárias. Por este lado, Revolutions decepciona. Como duas horas de diversão, é de uma competência rara no cinemão americano atual. Há quem diga que os irmãos Wachowski vão esclarecer tais pontas em outras mídias, mas por favor: Matrix é cinema, e é ali, no escurinho da sala que os mistérios têm de ser resolvidos!
Bom, eis minhas segundas impressões, mais acuradas e distantes do furor pós-estréia. Notas para uma crítica maior, a ser publicada no Anacrônicas.com.
5 de novembro de 2003
Matrix Revolutions - Primeiras impressões
Acabo de vir do cinema. Estréia é aquela deliciosa bagunça, e no caso de Matrix, uma mistura de tribos difícil de se ver em outros filmes. Havia engravatados, mauricinhos, punks, nerds e um monte de outras definições que parecem ter vindo do diário de um adolescente.
Enfim, Revolutions. É bem superior ao Reloaded, mas obviamente inferior ao primeiro. Não é preciso ser gênio para saber que o "ineditismo" da primeira produção da trilogia garante seu charme, e que os dois outros capítulos se contentam em "fechar", "amarrar" a história. Não há surpresas em Revolutions, o que significa um final digno, honesto, sem decepções e sem reviravoltas. Poderia ser diferente? Talvez. Mas, com tantos boatos e opções pipocando entre os fãs (incluindo a mais famosa, de que tudo o que vimos poderia ser outra simulação da Matrix), simplesmente encerrar a história de forma satisfatória é mais do que a maioria do público pediu.
Sim, dei-me por satisfeito, embora tenha ficado um gostinho de "quero mais". As cenas de ação continuam impactantes e os diretores se esforçam em criar seqüências que lembram o primeiro filme - o duelo entre os guardiães das armas e Neo, Trinity e Seraph é nitidamente uma auto-citação a antológica cena da invasão do prédio, por exemplo - o que acaba agradando a fãs. Preciso mesmo dizer que Hugo Weaving está excelente (que novidade...) como Smith? A batalha no mundo real é dramática e parece incrivelmente real, se me perdoam o trocadinho besta - além de extremamente bem-sucedida, se considerarmos a possibilidade que havia nela de ser uma exibição tola de excelência técnica.
Algo contra? Os diálogos desajeitados entre os casais apaixonados não combinam com a ação, e alguns clichês de filmes de guerra um tanto irritantes.
Sim, foram duas horas divertidas, tensas e bem gastas. Um final digno. Ainda bem!
No final da semana, artigo no Anacrônicas.com sobre toda a trilogia.
Acabo de vir do cinema. Estréia é aquela deliciosa bagunça, e no caso de Matrix, uma mistura de tribos difícil de se ver em outros filmes. Havia engravatados, mauricinhos, punks, nerds e um monte de outras definições que parecem ter vindo do diário de um adolescente.
Enfim, Revolutions. É bem superior ao Reloaded, mas obviamente inferior ao primeiro. Não é preciso ser gênio para saber que o "ineditismo" da primeira produção da trilogia garante seu charme, e que os dois outros capítulos se contentam em "fechar", "amarrar" a história. Não há surpresas em Revolutions, o que significa um final digno, honesto, sem decepções e sem reviravoltas. Poderia ser diferente? Talvez. Mas, com tantos boatos e opções pipocando entre os fãs (incluindo a mais famosa, de que tudo o que vimos poderia ser outra simulação da Matrix), simplesmente encerrar a história de forma satisfatória é mais do que a maioria do público pediu.
Sim, dei-me por satisfeito, embora tenha ficado um gostinho de "quero mais". As cenas de ação continuam impactantes e os diretores se esforçam em criar seqüências que lembram o primeiro filme - o duelo entre os guardiães das armas e Neo, Trinity e Seraph é nitidamente uma auto-citação a antológica cena da invasão do prédio, por exemplo - o que acaba agradando a fãs. Preciso mesmo dizer que Hugo Weaving está excelente (que novidade...) como Smith? A batalha no mundo real é dramática e parece incrivelmente real, se me perdoam o trocadinho besta - além de extremamente bem-sucedida, se considerarmos a possibilidade que havia nela de ser uma exibição tola de excelência técnica.
Algo contra? Os diálogos desajeitados entre os casais apaixonados não combinam com a ação, e alguns clichês de filmes de guerra um tanto irritantes.
Sim, foram duas horas divertidas, tensas e bem gastas. Um final digno. Ainda bem!
No final da semana, artigo no Anacrônicas.com sobre toda a trilogia.
4 de novembro de 2003
3 de novembro de 2003
Assino embaixo
No review da revista em quadrinhos Os Invisíveis, Rodrigo Emanoel Fernandes escreve o que transcrevo abaixo, diretamente do site UniversoHQ:
Cada vez mais, a mídia e a cultura de consumo parecem tentar criar um senso comum, no qual a leitura e o conhecimento são vistos abertamente como maçantes ou "coisa de elite".
Espantosamente, a cada dia sobe o número de pessoas, nas mais variadas posições, que se orgulham em dizer que não têm tempo para leitura, que estufam o peito para ridicularizar livros, filmes, peças e HQs que estão além de seu nível de conhecimento.
Ao depararem-se com um trabalho artístico que exige reflexão ou um mínimo de conhecimento histórico e/ou cultural, em vez de tentarem descobrir mais sobre a obra, o artista, seus temas e idéias, preferem simplesmente liquidá-los com um "Ah! Não entendi nada, esse cara tá viajando!", e lá vão de volta para suas telenovelas e afazeres "importantes".
Aos artistas são pedidos/exigidos trabalhos mais "simples", "didáticos", auto-explicativos; coisas que o público médio não tenha dificuldade alguma pra entender (consumir).
Os próprios programas de incentivo à arte e a cultura exigem esse nivelamento por baixo para a obtenção de um público mais amplo. Numa lógica torta, no lugar de investir em educação e elevar o grau de cultura da população, para que todos possam compreender uma obra de arte complexa, preferem pedir ao artista que baixe o nível de seu trabalho para ser mais palatável, mais consumível.
No review da revista em quadrinhos Os Invisíveis, Rodrigo Emanoel Fernandes escreve o que transcrevo abaixo, diretamente do site UniversoHQ:
Cada vez mais, a mídia e a cultura de consumo parecem tentar criar um senso comum, no qual a leitura e o conhecimento são vistos abertamente como maçantes ou "coisa de elite".
Espantosamente, a cada dia sobe o número de pessoas, nas mais variadas posições, que se orgulham em dizer que não têm tempo para leitura, que estufam o peito para ridicularizar livros, filmes, peças e HQs que estão além de seu nível de conhecimento.
Ao depararem-se com um trabalho artístico que exige reflexão ou um mínimo de conhecimento histórico e/ou cultural, em vez de tentarem descobrir mais sobre a obra, o artista, seus temas e idéias, preferem simplesmente liquidá-los com um "Ah! Não entendi nada, esse cara tá viajando!", e lá vão de volta para suas telenovelas e afazeres "importantes".
Aos artistas são pedidos/exigidos trabalhos mais "simples", "didáticos", auto-explicativos; coisas que o público médio não tenha dificuldade alguma pra entender (consumir).
Os próprios programas de incentivo à arte e a cultura exigem esse nivelamento por baixo para a obtenção de um público mais amplo. Numa lógica torta, no lugar de investir em educação e elevar o grau de cultura da população, para que todos possam compreender uma obra de arte complexa, preferem pedir ao artista que baixe o nível de seu trabalho para ser mais palatável, mais consumível.
1 de novembro de 2003
Big Brother
Já começou a seleção dos idio... opa, candidatos que se sujeitarão ao próximo Big Brother Brasil. Escrevo isto para lembrar aos meus leitores a sabedoria do apresentador da incrível atração televisiva: "Ou vence o babaca ou vence a vadia."
Se você não se enquadra nem em um tipo ou no outro, então é melhor tentar coisa mais lucrativa, como escrever um blog na internet.
Já começou a seleção dos idio... opa, candidatos que se sujeitarão ao próximo Big Brother Brasil. Escrevo isto para lembrar aos meus leitores a sabedoria do apresentador da incrível atração televisiva: "Ou vence o babaca ou vence a vadia."
Se você não se enquadra nem em um tipo ou no outro, então é melhor tentar coisa mais lucrativa, como escrever um blog na internet.
Reflexões, explosões e (muito!) sangue
Dificilmente eu sairia de casa para assistir a um filme como Freddy x Jason. Também o Exterminador do Futuro 3 não me despertou interesse suficiente para encarar uma sala de cinema. O curioso é que acabo de ler interpretações, no mínimo, generosas, em dois jornais – O Estado de Minas e o caderno Mais! da Folha de São Paulo – sobre ambos.
No Mais!, Jorge Coli, historiador de arte, escreve sobre o Exterminador 3: “O tema clássico do humanismo ameçado pelas máquinas toma nova espessura, muito complexa, instaurada pelo dever e pela culpa, pela escolha, pela contradição.”. E eu, pobre mortal, achava que a franquia Exterminador era apenas um caça-níqueis (dos bons, reconheço) do cinemão americano. Coli merece crédito por sua visão do cinema de espetáculo sem os típicos preconceitos intelectualóides a que estamos acostumados a ler. Não faz muito tempo, ele elogiou um anime (para quem não sabe, é o nome que se dá aos desenhos animados japoneses), Vampire Princess Myiu. Não deve ser muito bem visto no meio dos pedantes ou ninguém leva muito a sério o que ele escreve. Sua capacidade de enxergar inteligência e reflexos das inquietações humanas até no mais desavergonhadamente comercial filme norte-americano encontra eco nos artigos de Marcelo Castilho Alencar, que escreve regularmente para o jornal Estado de Minas. Talvez ele tenha exagerado ao meter Nietzsche no meio de Freddy x Jason, comparando os dois psicopatas mais famosos do universo paralelo que são os filmes para adolescentes do cinema lá de cima, aos conceitos de Dionísio e Apolo, centrais na obra do alucinado de Turim. Na verdade, já deu nos neurônios esta devoção dos intelectuais daqui ao bigodudo, em especial esta mania de querer classificar todo e qualquer fenômeno como apolíneo ou dionisíaco. Neste caso, Jason seria Dionísio, irracional, impelido pelos instintos; Fred seria Apolo, racional, manipulador. No meio dos dois, um bando de jovens morrendo sempre que fazem sexo ou tomam drogas – ei, esta é a regra número dois do cinema de terror impúbere, segundo seu mestre, Wes Craven.
Cinemão pensante? Ué, por que não? É muito provável que nenhum dos roteiristas tenha pensado nestas questões ao montar suas tramas, mas a existência destas tensões nos filmes só mostra que certas questões universais pipocam onde menos se espera. Não se pode negá-las aplicando rótulos fáceis e intelectualmente atraentes na cultura pop ou reduzindo-a a uma análise sociólogica de marxismo rasteiro – que é o que mais se faz por aqui.
Coli encerra seu artigo pisando no acelerador, exagerando um pouquinho, mas, apesar disto, acertando ao afirmar: “Basta afastar preconceitos ou hábitos mentais para perceber a inteligência reflexiva presente no cinema de ação americano. Essa força não depende de intenções expressas. Brota no contar de uma história, no fazer-se espetáculo.”
Bom, mas mesmo depois disto tudo, você gostaria de saber se eu mudei de idéia e se vou assistir a Freddy x Jason? Hã... Nãããããããããããããããããããããããããããããããããããããooo...
Dificilmente eu sairia de casa para assistir a um filme como Freddy x Jason. Também o Exterminador do Futuro 3 não me despertou interesse suficiente para encarar uma sala de cinema. O curioso é que acabo de ler interpretações, no mínimo, generosas, em dois jornais – O Estado de Minas e o caderno Mais! da Folha de São Paulo – sobre ambos.
No Mais!, Jorge Coli, historiador de arte, escreve sobre o Exterminador 3: “O tema clássico do humanismo ameçado pelas máquinas toma nova espessura, muito complexa, instaurada pelo dever e pela culpa, pela escolha, pela contradição.”. E eu, pobre mortal, achava que a franquia Exterminador era apenas um caça-níqueis (dos bons, reconheço) do cinemão americano. Coli merece crédito por sua visão do cinema de espetáculo sem os típicos preconceitos intelectualóides a que estamos acostumados a ler. Não faz muito tempo, ele elogiou um anime (para quem não sabe, é o nome que se dá aos desenhos animados japoneses), Vampire Princess Myiu. Não deve ser muito bem visto no meio dos pedantes ou ninguém leva muito a sério o que ele escreve. Sua capacidade de enxergar inteligência e reflexos das inquietações humanas até no mais desavergonhadamente comercial filme norte-americano encontra eco nos artigos de Marcelo Castilho Alencar, que escreve regularmente para o jornal Estado de Minas. Talvez ele tenha exagerado ao meter Nietzsche no meio de Freddy x Jason, comparando os dois psicopatas mais famosos do universo paralelo que são os filmes para adolescentes do cinema lá de cima, aos conceitos de Dionísio e Apolo, centrais na obra do alucinado de Turim. Na verdade, já deu nos neurônios esta devoção dos intelectuais daqui ao bigodudo, em especial esta mania de querer classificar todo e qualquer fenômeno como apolíneo ou dionisíaco. Neste caso, Jason seria Dionísio, irracional, impelido pelos instintos; Fred seria Apolo, racional, manipulador. No meio dos dois, um bando de jovens morrendo sempre que fazem sexo ou tomam drogas – ei, esta é a regra número dois do cinema de terror impúbere, segundo seu mestre, Wes Craven.
Cinemão pensante? Ué, por que não? É muito provável que nenhum dos roteiristas tenha pensado nestas questões ao montar suas tramas, mas a existência destas tensões nos filmes só mostra que certas questões universais pipocam onde menos se espera. Não se pode negá-las aplicando rótulos fáceis e intelectualmente atraentes na cultura pop ou reduzindo-a a uma análise sociólogica de marxismo rasteiro – que é o que mais se faz por aqui.
Coli encerra seu artigo pisando no acelerador, exagerando um pouquinho, mas, apesar disto, acertando ao afirmar: “Basta afastar preconceitos ou hábitos mentais para perceber a inteligência reflexiva presente no cinema de ação americano. Essa força não depende de intenções expressas. Brota no contar de uma história, no fazer-se espetáculo.”
Bom, mas mesmo depois disto tudo, você gostaria de saber se eu mudei de idéia e se vou assistir a Freddy x Jason? Hã... Nãããããããããããããããããããããããããããããããããããããooo...
29 de outubro de 2003
26 de outubro de 2003
Pudores estéticos
Ainda me deve uma explicação uma colega minha que reclamou da feiúra de Elvis Costello. Hã? Calma, explico: ela gostou da versão deliciosamente brega e solene (como muitas vezes o solene se aproxima do mau gosto...) da música She que faz parte do filme Um Lugar Chamando Notting Hill, mas achou que o sujeito era feio demais para participar daquela trilha sonora. Fantástico – agora medem a qualidade pela aparência do cantor.
Não que a aparência dos seres masculinos de fato me interesse; a exceção da minha aparência, claro, quero mais é que os outros se explodam. De fato, Costello pode ser vesgo, ter uma corcunda que muda de lado a cada minuto (como o impagável Martin Feldman em O Jovem Frankenstein, de Mel Brooks) ou ser o mané que todas as mulheres desejam, o que desejo que ele faça o cara faz, e muito bem: canta como poucos. E estamos conversados. Quem aí fica medindo belezas nas poses e não nas vozes, pode ficar com seus produtos, que eu me viro com meus MP3 e CDs de gente feia e taletosa. Amém.
Ei, esta historinha besta de ditadura da beleza não está indo longe demais?
Ainda me deve uma explicação uma colega minha que reclamou da feiúra de Elvis Costello. Hã? Calma, explico: ela gostou da versão deliciosamente brega e solene (como muitas vezes o solene se aproxima do mau gosto...) da música She que faz parte do filme Um Lugar Chamando Notting Hill, mas achou que o sujeito era feio demais para participar daquela trilha sonora. Fantástico – agora medem a qualidade pela aparência do cantor.
Não que a aparência dos seres masculinos de fato me interesse; a exceção da minha aparência, claro, quero mais é que os outros se explodam. De fato, Costello pode ser vesgo, ter uma corcunda que muda de lado a cada minuto (como o impagável Martin Feldman em O Jovem Frankenstein, de Mel Brooks) ou ser o mané que todas as mulheres desejam, o que desejo que ele faça o cara faz, e muito bem: canta como poucos. E estamos conversados. Quem aí fica medindo belezas nas poses e não nas vozes, pode ficar com seus produtos, que eu me viro com meus MP3 e CDs de gente feia e taletosa. Amém.
Ei, esta historinha besta de ditadura da beleza não está indo longe demais?
25 de outubro de 2003
Vai funcionar...
Estou brigando com o Enetation para implementar um sistema de comentários aqui no meu blog, mas o Blogger não quer identificar a tag que informa a ele o número que o próprio dito cujo atribui ao meu post!
Espero resolver este problema em breve...
Estou brigando com o Enetation para implementar um sistema de comentários aqui no meu blog, mas o Blogger não quer identificar a tag que informa a ele o número que o próprio dito cujo atribui ao meu post!
Espero resolver este problema em breve...
Sem graça
Sem graça
Li, faz algum tempo e em algum lugar que, obviamente não lembro mais, caso contrário já teria citado a fonte logo na abertura do parágrafo, que nada é pior para um jornalista do que conhecer um político. Sim, conhecer de conversar, trocar um ou outro piscar de olhos, guardar umas pequenas e inofensivas confidências que, longe de afetar a segurança nacional, brilham como pepitas de ouro aos olhos e neurônios desatentos do profissional de letras diárias. Daí para a admiração cega e a troca de “pequenos favores” vai um pulo, um passo. O mesmo posso dizer para os humoristas.
Já que a fauna política sempre foi inspiração para alguns dos melhores e mais inteligentes gozadores da miséria alheia, esperava-se que os humoristas não perdessem a velha verve, por assim dizer, em tempos de governo novo. O problema é que quase todos sempre estiveram ao lado (de preferência, a esquerda) dos novos donos do poder e agora mordem-se de vergonha de dirigir uma criticazinha sequer a seus aliados. Ora, senhores, abaixo o cabotismo, vamos em frente que humor é e sempre será subversão, e se não o for, não tem grande valor. O negócio é mostrar que o rei está nu e todos (repito:todos) os que se arriscam a ficar debaixo da espada que está pendurada em cima do trono, acabam por abdicar de suas vestimentas. E sempre precisaremos do menininho chato, aquele que grita no meio da multidão: “O rei está peladão!”.
Com algumas poucas exceções, cito o site Charges.com e o Casseta & Planeta, que promete satirizar tudo e todos no seu primeiro longa para o cinema. É aguardar para ver.
Li, faz algum tempo e em algum lugar que, obviamente não lembro mais, caso contrário já teria citado a fonte logo na abertura do parágrafo, que nada é pior para um jornalista do que conhecer um político. Sim, conhecer de conversar, trocar um ou outro piscar de olhos, guardar umas pequenas e inofensivas confidências que, longe de afetar a segurança nacional, brilham como pepitas de ouro aos olhos e neurônios desatentos do profissional de letras diárias. Daí para a admiração cega e a troca de “pequenos favores” vai um pulo, um passo. O mesmo posso dizer para os humoristas.
Já que a fauna política sempre foi inspiração para alguns dos melhores e mais inteligentes gozadores da miséria alheia, esperava-se que os humoristas não perdessem a velha verve, por assim dizer, em tempos de governo novo. O problema é que quase todos sempre estiveram ao lado (de preferência, a esquerda) dos novos donos do poder e agora mordem-se de vergonha de dirigir uma criticazinha sequer a seus aliados. Ora, senhores, abaixo o cabotismo, vamos em frente que humor é e sempre será subversão, e se não o for, não tem grande valor. O negócio é mostrar que o rei está nu e todos (repito:todos) os que se arriscam a ficar debaixo da espada que está pendurada em cima do trono, acabam por abdicar de suas vestimentas. E sempre precisaremos do menininho chato, aquele que grita no meio da multidão: “O rei está peladão!”.
Com algumas poucas exceções, cito o site Charges.com e o Casseta & Planeta, que promete satirizar tudo e todos no seu primeiro longa para o cinema. É aguardar para ver.
22 de outubro de 2003
20 de outubro de 2003
Ventura
Eu acreditava que a música breganeja, aquela empulhação mela-cueca cantada com voz de bode no cio fosse naufragar no final do governo do alagoano narigudo. Sério - pensei que o fim daquele equívoco político levaria o mau-gosto do presidente junto com ele. Diria Robin, o garoto problema: "Santa ingenuidade!". A música breganeja virou commodity!
Este negócio está por todo lado; o que os pagodeiros mauricinhos cantam é breganelo; o que o KLB ("Kilo de Lingüiça Branca", segundo o meu irmão) canta é breganejo, ; aquela música da extinta Extreme, More Than Words também é! Estamos cercados por todos os lados.
Há salvação, meus irmãos? Há. Desligue a TV aberta e toque o CD Ventura dos Los Hermanos. Sim, isso mesmo: os caras que tocavam aquela breganeja em forma pop, Ana Júlia, fizeram um álbum irretocável, fantástico. O clip de Cara Estranho está por aí, na MTV. Ouça, falo sério.
Eu acreditava que a música breganeja, aquela empulhação mela-cueca cantada com voz de bode no cio fosse naufragar no final do governo do alagoano narigudo. Sério - pensei que o fim daquele equívoco político levaria o mau-gosto do presidente junto com ele. Diria Robin, o garoto problema: "Santa ingenuidade!". A música breganeja virou commodity!
Este negócio está por todo lado; o que os pagodeiros mauricinhos cantam é breganelo; o que o KLB ("Kilo de Lingüiça Branca", segundo o meu irmão) canta é breganejo, ; aquela música da extinta Extreme, More Than Words também é! Estamos cercados por todos os lados.
Há salvação, meus irmãos? Há. Desligue a TV aberta e toque o CD Ventura dos Los Hermanos. Sim, isso mesmo: os caras que tocavam aquela breganeja em forma pop, Ana Júlia, fizeram um álbum irretocável, fantástico. O clip de Cara Estranho está por aí, na MTV. Ouça, falo sério.
15 de outubro de 2003
O Sumo Pontifice
Faz pouco tempo descobri que a palavra pontífice vem do latim pontifex (e é claro que eu, que entendo tanto de latim quanto de exobiologia estelar, posso estar redondamente enganado!), que significa "construtor de pontes". O lento ocaso do Papa João Paulo II esconde que ele e esta palavrinha têm mais em comum do que a cadeira que ele ocupa no Vaticano.
A Igreja talvez seja a mais odiada das instituições humanas, talvez ainda mais do que a própria família. Em contrapartida, é bem provável que jamais na História uma organização embuída da mais alta das missões sofreu Quedas tão vertiginosas. O papado foi um antro de todos os tipos humanos possíveis, de facínoras a santos. Esta fenomenal tensão entre a corrompida natureza do homem e a elevada missão que a Igreja tenta honrar é um dos maiores e mais fascinantes fatos do nosso mundo - condição que ela compartilha com todas as grandes religiões. E este papa que aí está, forte apesar da degeneração física visível, é provavelmente o maior responsável pela vitalidade de uma instituição que muitos deram como extinta neste século XXI. Não sei o que você pensa do Cristianismo ou da Igreja Católica, mas eis fatos que não podem ser negados.
João Paulo deu pernas e asas metálicas a missão de levar o Evangelho a todos (preciso dizer que a revolução do Cristianismo está no conceito de "amor universal"?), foi rígido, foi duro e incrivelmente suave, sentou-se ao lado de líderes de outras religiões e mesmo assim não se desviou da doutrina católico-cristã. Esta é a sua herança, por mais horrível que possa parecer a todos os contrariados. Sua vitória é a da idéia da religião e de seus representantes humanos como pontes entre este mundo e outro, de elevada estatura espiritual. Disse mais ou menos assim o mitólogo Joseph Campbell no seu Isto és Tu: Sempre que o sacerdote deixa de traduzir as metáforas de sua religião para seus fiéis, se atendo apenas a realidade social e política, os está traindo. Foi esta dimensão religiosa que João Paulo II tentou devolver a sua Igreja – e isto não é pouco. Não é por menos que combateu a esquisitice da Teologia da Libertação, tão famosa aqui no canto de baixo do mundo.
As mãos de muitos dos homens da Igreja esteve, está e estará invariavelmente suja, quem negará isto? João Paulo nos mostra novamente a tensão entre o homem desta terra e seu destino além deste mundo ao não esconder sua lenta e dolorosa degeneração. Paradoxalmente, acena com seu último ato, sua última mensagem de despreendimento físico e humildade diante do próprio Destino e sua missão.
Goste-se dele ou não, o homem é notável.
Faz pouco tempo descobri que a palavra pontífice vem do latim pontifex (e é claro que eu, que entendo tanto de latim quanto de exobiologia estelar, posso estar redondamente enganado!), que significa "construtor de pontes". O lento ocaso do Papa João Paulo II esconde que ele e esta palavrinha têm mais em comum do que a cadeira que ele ocupa no Vaticano.
A Igreja talvez seja a mais odiada das instituições humanas, talvez ainda mais do que a própria família. Em contrapartida, é bem provável que jamais na História uma organização embuída da mais alta das missões sofreu Quedas tão vertiginosas. O papado foi um antro de todos os tipos humanos possíveis, de facínoras a santos. Esta fenomenal tensão entre a corrompida natureza do homem e a elevada missão que a Igreja tenta honrar é um dos maiores e mais fascinantes fatos do nosso mundo - condição que ela compartilha com todas as grandes religiões. E este papa que aí está, forte apesar da degeneração física visível, é provavelmente o maior responsável pela vitalidade de uma instituição que muitos deram como extinta neste século XXI. Não sei o que você pensa do Cristianismo ou da Igreja Católica, mas eis fatos que não podem ser negados.
João Paulo deu pernas e asas metálicas a missão de levar o Evangelho a todos (preciso dizer que a revolução do Cristianismo está no conceito de "amor universal"?), foi rígido, foi duro e incrivelmente suave, sentou-se ao lado de líderes de outras religiões e mesmo assim não se desviou da doutrina católico-cristã. Esta é a sua herança, por mais horrível que possa parecer a todos os contrariados. Sua vitória é a da idéia da religião e de seus representantes humanos como pontes entre este mundo e outro, de elevada estatura espiritual. Disse mais ou menos assim o mitólogo Joseph Campbell no seu Isto és Tu: Sempre que o sacerdote deixa de traduzir as metáforas de sua religião para seus fiéis, se atendo apenas a realidade social e política, os está traindo. Foi esta dimensão religiosa que João Paulo II tentou devolver a sua Igreja – e isto não é pouco. Não é por menos que combateu a esquisitice da Teologia da Libertação, tão famosa aqui no canto de baixo do mundo.
As mãos de muitos dos homens da Igreja esteve, está e estará invariavelmente suja, quem negará isto? João Paulo nos mostra novamente a tensão entre o homem desta terra e seu destino além deste mundo ao não esconder sua lenta e dolorosa degeneração. Paradoxalmente, acena com seu último ato, sua última mensagem de despreendimento físico e humildade diante do próprio Destino e sua missão.
Goste-se dele ou não, o homem é notável.
8 de outubro de 2003
4 de outubro de 2003
Retificação II
Lembra-se da mensagem sobre o site do CAPES? Pois é, fui alertado de que o conteúdo do mesmo não é disponibilizado gratuitamente, mas que ele funciona como um portal centralizador de publicações científicas de inúmeras áreas de saber.
Ah bom... Quem mandou não conferir a notícia, coisa básica de qualquer jornalistinha de jornal de bairro. Não é a toa que desisti de tentar ser jornalista.
Lembra-se da mensagem sobre o site do CAPES? Pois é, fui alertado de que o conteúdo do mesmo não é disponibilizado gratuitamente, mas que ele funciona como um portal centralizador de publicações científicas de inúmeras áreas de saber.
Ah bom... Quem mandou não conferir a notícia, coisa básica de qualquer jornalistinha de jornal de bairro. Não é a toa que desisti de tentar ser jornalista.
Retificação
Quando falei do Estatuto do Desarmamento,não disse que era contra ele - é bem possível que ele consiga tirar um bom número de armas de circulação sim. O que eu quis dizer é que o tal estatuto é apenas um passo e não pode, como está acontecendo, ser vendido como a redenção para o problema da segurança no país.
Espero que tenha sido claro agora.
Quando falei do Estatuto do Desarmamento,não disse que era contra ele - é bem possível que ele consiga tirar um bom número de armas de circulação sim. O que eu quis dizer é que o tal estatuto é apenas um passo e não pode, como está acontecendo, ser vendido como a redenção para o problema da segurança no país.
Espero que tenha sido claro agora.
3 de outubro de 2003
2 de outubro de 2003
Porrada no Sr. Marcelo Lopes!
Uia! Tomei uma lenhada lá no Anacrônicas.com. Riei, do Rio de janeiro, postou a seguinte mensagem: "Escute aqui senhor MARCELO LOPES, o filme Dinotopia é muito bom sim SENHOR e ao colocar aquele tua crítica ridícula referente ao filme vc simplesmente expos a sua mera opinião...."
Pombas, mesmo sabendo que o "senhor" foi ali usado com ironia, aviso logo que sou moleque demais para merecer tal honraria. Isto posto, vamos aos fatos.
Desde quando crítica deixou de ser opinião? A triste verdade é esta. Quando alguém critica alguma obra, na verdade expressa sempre sua opinião sobre ela. O nó da questão é em quê se baseia a tal opinião. Espera-se que um crítico use a sua bagagem cultural como alimento para tecer suas considerações e que o faça com maior consideração do que nós, pobres mortais, quando jogamos conversa fora com nossos amigos na mesa de um bar. Eis a única diferença entre uma opinião e uma crítica. A crítica deveria se basear no conhecimento, no domínio de determinado assunto e eu acredito que posso criar textos razoáveis a respeito de filmes porque já li e assisti um número igualmente razoável de livros e filmes. Por Deus, não me comparo a uma Pauline Kael nem em trinta anos, sequer esta é a minha intenção. E veja bem que há filmes que nem tento escrever a respeito, porque me falta bagagem, não tenho pudor algum de dizer isto.
Por outro lado, não devemos mesmo esperar que um crítico supere sempre seus preconceitos (pré + conceitos, lembre-se!) na hora de botar os dedos no teclado. Não faz muito tempo, muitos críticos avaliavam filmes de acordo com sua "temática social" - qualquer outra coisa era motivo de desprezo, em especial se o produto em questão era "comercial".
Sinto muito, mas o politicamente correto do tal Dinotopia me incomodou a ponto de estragar o filme, na minha opinião, ou como diz o dialeto internetês/inglês, IMHO. Será que daqui para frente terei que colocar na minha opinião, toda vez que for escrever alguma coisa? Ora, se não escrevo ficção, mas impressões pessoais sobre determinadas obras e acontecimentos, é claro que isto é uma opinião. E não há nada de errado nisso.
Se o leitor não concordou com o que eu acho, paciência. A partir do momento em que expus minhas linhas e nome na internet, estou dando mesmo a cara a tapa.
Ja ia me esquecendo... Dinotopia é chatinho sim. :-)
Uia! Tomei uma lenhada lá no Anacrônicas.com. Riei, do Rio de janeiro, postou a seguinte mensagem: "Escute aqui senhor MARCELO LOPES, o filme Dinotopia é muito bom sim SENHOR e ao colocar aquele tua crítica ridícula referente ao filme vc simplesmente expos a sua mera opinião...."
Pombas, mesmo sabendo que o "senhor" foi ali usado com ironia, aviso logo que sou moleque demais para merecer tal honraria. Isto posto, vamos aos fatos.
Desde quando crítica deixou de ser opinião? A triste verdade é esta. Quando alguém critica alguma obra, na verdade expressa sempre sua opinião sobre ela. O nó da questão é em quê se baseia a tal opinião. Espera-se que um crítico use a sua bagagem cultural como alimento para tecer suas considerações e que o faça com maior consideração do que nós, pobres mortais, quando jogamos conversa fora com nossos amigos na mesa de um bar. Eis a única diferença entre uma opinião e uma crítica. A crítica deveria se basear no conhecimento, no domínio de determinado assunto e eu acredito que posso criar textos razoáveis a respeito de filmes porque já li e assisti um número igualmente razoável de livros e filmes. Por Deus, não me comparo a uma Pauline Kael nem em trinta anos, sequer esta é a minha intenção. E veja bem que há filmes que nem tento escrever a respeito, porque me falta bagagem, não tenho pudor algum de dizer isto.
Por outro lado, não devemos mesmo esperar que um crítico supere sempre seus preconceitos (pré + conceitos, lembre-se!) na hora de botar os dedos no teclado. Não faz muito tempo, muitos críticos avaliavam filmes de acordo com sua "temática social" - qualquer outra coisa era motivo de desprezo, em especial se o produto em questão era "comercial".
Sinto muito, mas o politicamente correto do tal Dinotopia me incomodou a ponto de estragar o filme, na minha opinião, ou como diz o dialeto internetês/inglês, IMHO. Será que daqui para frente terei que colocar na minha opinião, toda vez que for escrever alguma coisa? Ora, se não escrevo ficção, mas impressões pessoais sobre determinadas obras e acontecimentos, é claro que isto é uma opinião. E não há nada de errado nisso.
Se o leitor não concordou com o que eu acho, paciência. A partir do momento em que expus minhas linhas e nome na internet, estou dando mesmo a cara a tapa.
Ja ia me esquecendo... Dinotopia é chatinho sim. :-)
26 de setembro de 2003
Triste realidade...
Recebi esta aqui por e-mail:
Um sujeito vai visitar um amigo deputado e aproveita para lhe pedir um emprego para o filho que tinha acabado de completar o supletivo do primeiro grau.
- Eu tenho uma vaga de assessor, só que o salário não é muito
bom...
- Quanto é doutor?
- Pouco mais de dez mil reais!
- Dez mil? Mas é muito dinheiro para o garoto! Ele não vai saber o
que fazer com tudo isso não doutor! Não tem uma vaguinha mais modesta?
- Só se for para trabalhar na Assembléia. Meio período. E eles
estão pagando cinco mil!
- Ainda é muito, doutor! Isso vai acabar estragando o menino! O Senhor
não tem um emprego que pagasse uns mil ou até mil e duzentos reais?
- Ter eu até tenho. Mas aí e só por concurso e é para quem tem
curso superior em Engenharia, Administração, Medicina, Economia, Direito ou Contabilidade, etc. E ainda tem que ter bons conhecimentos em informática além de Inglês, Francês
e Espanhol fluentes...
Recebi esta aqui por e-mail:
Um sujeito vai visitar um amigo deputado e aproveita para lhe pedir um emprego para o filho que tinha acabado de completar o supletivo do primeiro grau.
- Eu tenho uma vaga de assessor, só que o salário não é muito
bom...
- Quanto é doutor?
- Pouco mais de dez mil reais!
- Dez mil? Mas é muito dinheiro para o garoto! Ele não vai saber o
que fazer com tudo isso não doutor! Não tem uma vaguinha mais modesta?
- Só se for para trabalhar na Assembléia. Meio período. E eles
estão pagando cinco mil!
- Ainda é muito, doutor! Isso vai acabar estragando o menino! O Senhor
não tem um emprego que pagasse uns mil ou até mil e duzentos reais?
- Ter eu até tenho. Mas aí e só por concurso e é para quem tem
curso superior em Engenharia, Administração, Medicina, Economia, Direito ou Contabilidade, etc. E ainda tem que ter bons conhecimentos em informática além de Inglês, Francês
e Espanhol fluentes...
25 de setembro de 2003
Cronistas Reunidos
Foi ontem a festa de comemoração dos dois anos do grupo Cronistas Reunidos. Recebi o convite pelo e-mail porque, como eles mesmo afirmaram, em algum momento do qual nem eu nem eles se lembram mais, eu me cadastrei na lista deles. Enfim, o site deles é ótimo. Vale a visita constante.
Foi ontem a festa de comemoração dos dois anos do grupo Cronistas Reunidos. Recebi o convite pelo e-mail porque, como eles mesmo afirmaram, em algum momento do qual nem eu nem eles se lembram mais, eu me cadastrei na lista deles. Enfim, o site deles é ótimo. Vale a visita constante.
23 de setembro de 2003
CAPES e o Anacrônico
Recebi a seguinte mensagem e julguei por bem divulgá-la no meu blog e site. Qualquer iniciativa para manter a pesquisa em alta no Brasil e para nos tirar da lama na qual nos metemos terá sempre o meu apoio.
"Leiam e divulguem, é interessante e muito útil para professores, pesquisadores e alunos de pós-graduação no Brasil.
A CAPES tem artigos de praticamente todas as áreas de estudo publicados em um site com acesso GRATUITO que pode ser desativado por falta de acesso, pois o MEC está pensando em fechar o portal de periódicos da CAPES.
De fato, o que eles dizem é que o custo é alto e pouca gente usa. Particularmente, acredito que seja pouco usado porque é pouco divulgado. Para os muitos que não conhecem, o portal, fornece acesso a milhares de periódicos científicos de praticamente todas as áreas de estudo ( vários nacionais e internacionais de ciências humanas, ciências sociais aplicadas,etc). Para se ter uma idéia, sem o portal você teria que pagar algo como uns 20 dólares POR ARTIGO.
É importante que divulguemos mais o portal, que é uma fonte riquíssima de conhecimento científico e que faria muita falta. Temos sim que defender a manutenção do mesmo, mas paralelamente divulgar, de forma a garantir melhor retorno a este investimento público em pesquisa. O endereço do portal é http://periodicos.capes.gov.br/ ".
E tenho dito. Visitem e apoiem - faz bem para todos.
Recebi a seguinte mensagem e julguei por bem divulgá-la no meu blog e site. Qualquer iniciativa para manter a pesquisa em alta no Brasil e para nos tirar da lama na qual nos metemos terá sempre o meu apoio.
"Leiam e divulguem, é interessante e muito útil para professores, pesquisadores e alunos de pós-graduação no Brasil.
A CAPES tem artigos de praticamente todas as áreas de estudo publicados em um site com acesso GRATUITO que pode ser desativado por falta de acesso, pois o MEC está pensando em fechar o portal de periódicos da CAPES.
De fato, o que eles dizem é que o custo é alto e pouca gente usa. Particularmente, acredito que seja pouco usado porque é pouco divulgado. Para os muitos que não conhecem, o portal, fornece acesso a milhares de periódicos científicos de praticamente todas as áreas de estudo ( vários nacionais e internacionais de ciências humanas, ciências sociais aplicadas,etc). Para se ter uma idéia, sem o portal você teria que pagar algo como uns 20 dólares POR ARTIGO.
É importante que divulguemos mais o portal, que é uma fonte riquíssima de conhecimento científico e que faria muita falta. Temos sim que defender a manutenção do mesmo, mas paralelamente divulgar, de forma a garantir melhor retorno a este investimento público em pesquisa. O endereço do portal é http://periodicos.capes.gov.br/ ".
E tenho dito. Visitem e apoiem - faz bem para todos.
21 de setembro de 2003
Experiência
Sempre haverá quem tente um novo Senhor das Moscas, naquela velha tentativa de entender a condição humana, ou o que há do mal dentro dela. Por mim, prefiro afirmar que a amoralidade é o estado primordial dos homens, não exatamente o "mal", e é muito fácil confundí-los. Que isto não sirva de desculpa para os mais estúpidos disparates intelectuais que o reducionismo moral de nosso tempo elegeu como modelo de comportamento, jamais afirmaria tal coisa.
Este é o tema de um filme alemão, protagonizado pelo mesmo Moritz Bleibtreu de Corra, Lola, Corra - Experiência. Dê uma olhada aqui na resenha do Omelete; parece tão promissor quanto perigoso.
Sempre haverá quem tente um novo Senhor das Moscas, naquela velha tentativa de entender a condição humana, ou o que há do mal dentro dela. Por mim, prefiro afirmar que a amoralidade é o estado primordial dos homens, não exatamente o "mal", e é muito fácil confundí-los. Que isto não sirva de desculpa para os mais estúpidos disparates intelectuais que o reducionismo moral de nosso tempo elegeu como modelo de comportamento, jamais afirmaria tal coisa.
Este é o tema de um filme alemão, protagonizado pelo mesmo Moritz Bleibtreu de Corra, Lola, Corra - Experiência. Dê uma olhada aqui na resenha do Omelete; parece tão promissor quanto perigoso.
20 de setembro de 2003
Armas e abobrinhas
Se você me perguntar se eu gostaria de ter uma arma em casa, eu responderei que não. Não me interessa nem um pouco possuir um artefato que sei muito bem que me ajudará pouco se eu precisar dele para me defender, porque certamente passarei anos e anos sem dar um tirinho sequer depois de treinado.
Não faço coro com os pacifistas radicais simplesmente porque o mundo é mais complexo do que uma passeata de milhares de pessoas vestidas de branco sugere. Há, infelizmente, momentos para força, e não é injusto usá-la para se defender de uma ameaça - isto vale tanto para países quanto para pessoas. Por outro lado, até mesmo por um princípio de ordem institucional, o monopólio do uso da força e da coerção pertence ao Estado, que a exerce por meio do poder de polícia e de julgamento. Por outro lado, juridicamente, admite-se que o cidadão faça uso da força para se defender, de forma legítima. Nada de errado nem uma proposição nem na outra.
O problema é que o Brasil não possui uma cultura de armas e violência como os EUA e a maioria dos assassinatos daqui não irrompe das casas, mas do crime organizado e desorganizado, se me perdoam o trocadilho. Daí que o tal Estatuto do Desarmamento pode ser muito bonito, matéria de telenovelas globais e o escambau, mas não vai dar em nada. Bandido que é bom mesmo não depende de cidadão honesto para prosperar (exceto na hora do roubo, claro), vai conseguir sua arma de alguma forma, no mercado paralelo. Vender o Estatuto do Desarmamento como uma conquista da sociedade num momento em que o próprio Estado cochila na hora de reprimir a criminalidade não é apenas uma abobrinha; é um atentado a minha e a sua inteligência.
Não estou aqui discutindo o conteúdo do tal Estatuto; estou apenas afirmando que ele está sendo oferecido ao país como uma panacéia. A criminalidade não vai diminuir depois de sua aprovação e as armas continuarão a ser vendidas e usadas pelos criminosos; nada, absolutamente nada terá mudado.
Mas um belo trabalho de marketing terá sido feito. E estaremos todos felizes.
Se você me perguntar se eu gostaria de ter uma arma em casa, eu responderei que não. Não me interessa nem um pouco possuir um artefato que sei muito bem que me ajudará pouco se eu precisar dele para me defender, porque certamente passarei anos e anos sem dar um tirinho sequer depois de treinado.
Não faço coro com os pacifistas radicais simplesmente porque o mundo é mais complexo do que uma passeata de milhares de pessoas vestidas de branco sugere. Há, infelizmente, momentos para força, e não é injusto usá-la para se defender de uma ameaça - isto vale tanto para países quanto para pessoas. Por outro lado, até mesmo por um princípio de ordem institucional, o monopólio do uso da força e da coerção pertence ao Estado, que a exerce por meio do poder de polícia e de julgamento. Por outro lado, juridicamente, admite-se que o cidadão faça uso da força para se defender, de forma legítima. Nada de errado nem uma proposição nem na outra.
O problema é que o Brasil não possui uma cultura de armas e violência como os EUA e a maioria dos assassinatos daqui não irrompe das casas, mas do crime organizado e desorganizado, se me perdoam o trocadilho. Daí que o tal Estatuto do Desarmamento pode ser muito bonito, matéria de telenovelas globais e o escambau, mas não vai dar em nada. Bandido que é bom mesmo não depende de cidadão honesto para prosperar (exceto na hora do roubo, claro), vai conseguir sua arma de alguma forma, no mercado paralelo. Vender o Estatuto do Desarmamento como uma conquista da sociedade num momento em que o próprio Estado cochila na hora de reprimir a criminalidade não é apenas uma abobrinha; é um atentado a minha e a sua inteligência.
Não estou aqui discutindo o conteúdo do tal Estatuto; estou apenas afirmando que ele está sendo oferecido ao país como uma panacéia. A criminalidade não vai diminuir depois de sua aprovação e as armas continuarão a ser vendidas e usadas pelos criminosos; nada, absolutamente nada terá mudado.
Mas um belo trabalho de marketing terá sido feito. E estaremos todos felizes.
19 de setembro de 2003
Ainda estou para entender...
...esta invencionice do governo federal de desconto em folha dos empréstimos feitos em bancos pelos trabalhadores. Tivéssemos no Brasil organizações dos direitos civis (ou temos?) atuantes, uma asneira destas não passaria de uma viagem na maionese do líder da maior central sindical do país, pai da idéia.
Primeiro, porque assim estamos anulando o direito do indivíduo de gerenciar como bem entender o seu relacionamento com o banco. Ora, quem decide quais contas pagar sou eu, não o meu patrão, muito menos o banco onde está o meu mirrado salário. Se eu decido comprar pão, leite, uma tampinha premiada de Coca-Cola de 1953, cachaça ou pagar o emprétismo sou eu! Sinto muito lhes informar, mas esta é uma intromissão estatal e, digamos, banqueira, na minha vida.
Segundo, porque o trabalhador passa a empenhar o seu salário como garantia de empréstimo. Ora, senhores, se como já disseram FHC e Lula, quem corre para pagar conta em dia é o pobre, por que então a desconfiança na sua capaciddae de honrar seus compromissos? Por que então não se defende o desconto dos empréstimos corporativos nas receitas declaradas das empresas também?
O presidente já disse que o salário é o que há de mais sagrado para um trabalhador. Pode ser, desde que ele tenha a garantia da liberdade de usar o seu dinheiro para o que bem entender, afinal, ele já paga quase cinco meses de impostos ao Estado brasileiro...
Bola fora.
...esta invencionice do governo federal de desconto em folha dos empréstimos feitos em bancos pelos trabalhadores. Tivéssemos no Brasil organizações dos direitos civis (ou temos?) atuantes, uma asneira destas não passaria de uma viagem na maionese do líder da maior central sindical do país, pai da idéia.
Primeiro, porque assim estamos anulando o direito do indivíduo de gerenciar como bem entender o seu relacionamento com o banco. Ora, quem decide quais contas pagar sou eu, não o meu patrão, muito menos o banco onde está o meu mirrado salário. Se eu decido comprar pão, leite, uma tampinha premiada de Coca-Cola de 1953, cachaça ou pagar o emprétismo sou eu! Sinto muito lhes informar, mas esta é uma intromissão estatal e, digamos, banqueira, na minha vida.
Segundo, porque o trabalhador passa a empenhar o seu salário como garantia de empréstimo. Ora, senhores, se como já disseram FHC e Lula, quem corre para pagar conta em dia é o pobre, por que então a desconfiança na sua capaciddae de honrar seus compromissos? Por que então não se defende o desconto dos empréstimos corporativos nas receitas declaradas das empresas também?
O presidente já disse que o salário é o que há de mais sagrado para um trabalhador. Pode ser, desde que ele tenha a garantia da liberdade de usar o seu dinheiro para o que bem entender, afinal, ele já paga quase cinco meses de impostos ao Estado brasileiro...
Bola fora.
11 de setembro de 2003
Sobre o dia de hoje
Um ano atrás, coloquei um especial 11/9 no meu site pessoal. Republiquei hoje o texto que escrevi então, intitulado Depois do Fim, cuja redação hoje não me agrada muito, embora isto não mude de forma significativa as suas tristes e nefastas conclusões.
Um ano atrás, coloquei um especial 11/9 no meu site pessoal. Republiquei hoje o texto que escrevi então, intitulado Depois do Fim, cuja redação hoje não me agrada muito, embora isto não mude de forma significativa as suas tristes e nefastas conclusões.
10 de setembro de 2003
Eles de novo!
Sim, os Confeiteiros sem Fronteiras atacaram novamente, e desta vez contra o representante norte-americano nas negociações brasileiras sobre a ALCA. A coisa toda é tão patética que não deve render sequer um incidentizinho diplomático. Mas eu já escrevei sobre eles, quando emplastaram o rosto do senador e presidente do PT, José Genoíno, em janeiro deste ano. Leia a minha crônica, Vai um Confeito Aí?, publicada na época.
Sim, os Confeiteiros sem Fronteiras atacaram novamente, e desta vez contra o representante norte-americano nas negociações brasileiras sobre a ALCA. A coisa toda é tão patética que não deve render sequer um incidentizinho diplomático. Mas eu já escrevei sobre eles, quando emplastaram o rosto do senador e presidente do PT, José Genoíno, em janeiro deste ano. Leia a minha crônica, Vai um Confeito Aí?, publicada na época.
Comendo mosca
Eu sou mesmo lerdo. Na semana passada, estive tão "entretido" com o trabalho que nem prestei atenção às declarações do Ministro da Educação, Cristovam Buarque, sobre o Provão e a proposta (tosca) de avaliação que ele defende, a "Paidéia". Mais tarde volto ao assunto, que merece um ou outro comentário.
Eu sou mesmo lerdo. Na semana passada, estive tão "entretido" com o trabalho que nem prestei atenção às declarações do Ministro da Educação, Cristovam Buarque, sobre o Provão e a proposta (tosca) de avaliação que ele defende, a "Paidéia". Mais tarde volto ao assunto, que merece um ou outro comentário.
9 de setembro de 2003
Nomes aos bois
Uma das maiores asneiras já inventadas são os rótulos. Se por um lado, eles são inevitáveis, embora incrivelmente simplistas, são também um clichê que pregam em alguém ou alguma coisa e que acaba muito, muito mesmo, difícil de se arrancar de lá.
No nosso país, em que a identidade política de qualquer um é resumida em "esquerda" e "direita", a coisa é ainda mais complicada, pois não há meio-tons, apenas o "bem" e o "mal" - nem preciso dizer como raciocinamos errado, preciso? Não me causa surpresa alguma quando alguém me pergunta coisas do gênero, afinal, nesta terra, sua "postura política" perante o mundo é mais importante do que sua individualidade. No Brasil não há espaço para quem deseja se livrar da atmosfera sufocante do pensamento político e politicamente correto e se guiar pelas suas descobertas, pelos seus tropeços, em busca da sua visão de mundo, única e honesta. Por isso, não respondo a esta questão, que para alguns parece tão simples, com uma palavra. É preciso um pouco de história, algum pensamento.
Um amigo uma vez me chamou de "humanista espiritualista" e outra vez de "liberal progressista". Bom, agradeço a gentileza, pois são duas "posições" dignas de se defender. Não as nego, mas lhes dou a interpretação que minha curta história permite. Por "humanista espiritualista", tomo que minha preocupação é o homem, o que é uma verdade inegável. Em seus três pilares de relacionamento com o mundo - consigo, com a sociedade e com a natureza - todo pensamento deveria se voltar para a resolução das grandes dúvidas e problemas do homem. Por "espiritualista", por favor, entendo apenas que creio na imortalidade do homem e que ele está submetido sim a uma ordem divina cuja natureza me escapa.
"Liberal progressista" é um termo vago e problemático, mas vamos a ele, porque é aqui que a suína entorta a cauda. Sou liberal, não naquele sentido clássico Adamsmithiano (um neologismo herético...), mas de uma forma que também explica o tal "progressista". Por pior que seja, a humanidade ainda não conseguiu encontrar uma fórmula de sociedade melhor do a "democracia liberal" - isso mesmo, capitalista. Sei, sei, não nego uma certa simpatia pelo anarquismo, mas é uma utopia, o "lugar algum" a que só chegaremos com sangue e perdas irreparáveis, uma idealização sem pés na realidade.
Por outro lado, a democracia é muito complicada e por vezes é tão difícil defendê-la que o único argumento válido é de que é preferível a pior democracia a melhor ditadura.
Se querem um ponto de apoio, eis o meu "marco regulatório": rejeição absoluta e irrestrita de qualquer supressão dos direitos do individuo, seja para que objetivos forem. Não adianta vir me dizer que será pelo "bem da humanidade", para "construir um mundo melhor" ou escambau; podou o indivíduo, cortou fora o homem. Sem indivíduos livres, fica o Estado sem moral, que acaba prescindindo dos homens que deveria proteger - não é a toa que todo autoritarismo descamba, mais cedo ou mais tarde, para o assassinato estatal em massa. Então, Estado de Direito neles, Estado limitado em sua atuação, definida em regras claras e conhecidas pela sociedade. Agora, até onde o Estado deve agir já é outro assunto, mas resumo em termos bem gerais: Acredito mesmo que ele deve ter momentos de maior e menor ação, de expansão estratégica dos seus tentáculos, os mesmos que, em condições normais de temperatura e pressão, mais mal causam do que bem - aí está a carga tributária brasileira que não me deixa mentir. Papéis do Estado e seus limites de atuação é um campo no qual mal engatinho, nem vou comentar muito agora.
Enfim, esquerda ou direita, em seus conceitos puros, francamente, não me interessam. Rejeito os radicalismos de ambas as facções - são equívocos que nos impedem de enxergar o mundo em sua complexidade.
Enfim, democarata, liberal, progressista, humanista e espiritualista? Está de bom tamanho, até que eu mude de idéia.
O que pode acontecer a qualquer tempo, afinal, penso por conta própria.
Uma das maiores asneiras já inventadas são os rótulos. Se por um lado, eles são inevitáveis, embora incrivelmente simplistas, são também um clichê que pregam em alguém ou alguma coisa e que acaba muito, muito mesmo, difícil de se arrancar de lá.
No nosso país, em que a identidade política de qualquer um é resumida em "esquerda" e "direita", a coisa é ainda mais complicada, pois não há meio-tons, apenas o "bem" e o "mal" - nem preciso dizer como raciocinamos errado, preciso? Não me causa surpresa alguma quando alguém me pergunta coisas do gênero, afinal, nesta terra, sua "postura política" perante o mundo é mais importante do que sua individualidade. No Brasil não há espaço para quem deseja se livrar da atmosfera sufocante do pensamento político e politicamente correto e se guiar pelas suas descobertas, pelos seus tropeços, em busca da sua visão de mundo, única e honesta. Por isso, não respondo a esta questão, que para alguns parece tão simples, com uma palavra. É preciso um pouco de história, algum pensamento.
Um amigo uma vez me chamou de "humanista espiritualista" e outra vez de "liberal progressista". Bom, agradeço a gentileza, pois são duas "posições" dignas de se defender. Não as nego, mas lhes dou a interpretação que minha curta história permite. Por "humanista espiritualista", tomo que minha preocupação é o homem, o que é uma verdade inegável. Em seus três pilares de relacionamento com o mundo - consigo, com a sociedade e com a natureza - todo pensamento deveria se voltar para a resolução das grandes dúvidas e problemas do homem. Por "espiritualista", por favor, entendo apenas que creio na imortalidade do homem e que ele está submetido sim a uma ordem divina cuja natureza me escapa.
"Liberal progressista" é um termo vago e problemático, mas vamos a ele, porque é aqui que a suína entorta a cauda. Sou liberal, não naquele sentido clássico Adamsmithiano (um neologismo herético...), mas de uma forma que também explica o tal "progressista". Por pior que seja, a humanidade ainda não conseguiu encontrar uma fórmula de sociedade melhor do a "democracia liberal" - isso mesmo, capitalista. Sei, sei, não nego uma certa simpatia pelo anarquismo, mas é uma utopia, o "lugar algum" a que só chegaremos com sangue e perdas irreparáveis, uma idealização sem pés na realidade.
Por outro lado, a democracia é muito complicada e por vezes é tão difícil defendê-la que o único argumento válido é de que é preferível a pior democracia a melhor ditadura.
Se querem um ponto de apoio, eis o meu "marco regulatório": rejeição absoluta e irrestrita de qualquer supressão dos direitos do individuo, seja para que objetivos forem. Não adianta vir me dizer que será pelo "bem da humanidade", para "construir um mundo melhor" ou escambau; podou o indivíduo, cortou fora o homem. Sem indivíduos livres, fica o Estado sem moral, que acaba prescindindo dos homens que deveria proteger - não é a toa que todo autoritarismo descamba, mais cedo ou mais tarde, para o assassinato estatal em massa. Então, Estado de Direito neles, Estado limitado em sua atuação, definida em regras claras e conhecidas pela sociedade. Agora, até onde o Estado deve agir já é outro assunto, mas resumo em termos bem gerais: Acredito mesmo que ele deve ter momentos de maior e menor ação, de expansão estratégica dos seus tentáculos, os mesmos que, em condições normais de temperatura e pressão, mais mal causam do que bem - aí está a carga tributária brasileira que não me deixa mentir. Papéis do Estado e seus limites de atuação é um campo no qual mal engatinho, nem vou comentar muito agora.
Enfim, esquerda ou direita, em seus conceitos puros, francamente, não me interessam. Rejeito os radicalismos de ambas as facções - são equívocos que nos impedem de enxergar o mundo em sua complexidade.
Enfim, democarata, liberal, progressista, humanista e espiritualista? Está de bom tamanho, até que eu mude de idéia.
O que pode acontecer a qualquer tempo, afinal, penso por conta própria.
Crônica nova!
Com um atraso causado pelo meu computador, está no ar a crônica Conspiradores do Mundo, Uni-Vos!. Sim, o título é uma referência àquele "apelo" famoso. Mas não se engane: se é uma crônica minha, é óbvio que não se deve levar a sério...
Com um atraso causado pelo meu computador, está no ar a crônica Conspiradores do Mundo, Uni-Vos!. Sim, o título é uma referência àquele "apelo" famoso. Mas não se engane: se é uma crônica minha, é óbvio que não se deve levar a sério...
7 de setembro de 2003
5 de setembro de 2003
Novidades
Sim, finalmente o site Anacrônicas será atualizado neste final de semana. Eu não conseguia escrever uma crônica que prestasse até esta semana. Para sorte dos meus (poucos) leitores, as que escrevi e não passaram pelo meu rigoroso teste de qualidade jamais irão a público.
Pois é, eu sou mesmo um sujeito bacana.
Sim, finalmente o site Anacrônicas será atualizado neste final de semana. Eu não conseguia escrever uma crônica que prestasse até esta semana. Para sorte dos meus (poucos) leitores, as que escrevi e não passaram pelo meu rigoroso teste de qualidade jamais irão a público.
Pois é, eu sou mesmo um sujeito bacana.
31 de agosto de 2003
Não vale a pena
A Biblioteca Pública de Belo Horizonte está jogadas as traças (sem trocadilhos), e não é da atual administração municipal ou estadual - um livro novo não é adquirido há mais de dez anos. Agora, com os cortes nas verbas da Secretaria de Cultura, funcionários são demitidos, o acesso gratuito a internet limitado, o horário de funcionamento se reduz e as sucursais, em bairros pobres, obrigadas a fechar definitivamente as portas. Fechar bibliotecas é coisa de país doente, maluco, alucinado. País que fecha suas bibliotecas não presta, esta terra de botocudos terá o destino que merece e que faz jus há pelo menos quinhentos anos: a miséria, material, intelectual e espiritual.
A Biblioteca Pública de Belo Horizonte está jogadas as traças (sem trocadilhos), e não é da atual administração municipal ou estadual - um livro novo não é adquirido há mais de dez anos. Agora, com os cortes nas verbas da Secretaria de Cultura, funcionários são demitidos, o acesso gratuito a internet limitado, o horário de funcionamento se reduz e as sucursais, em bairros pobres, obrigadas a fechar definitivamente as portas. Fechar bibliotecas é coisa de país doente, maluco, alucinado. País que fecha suas bibliotecas não presta, esta terra de botocudos terá o destino que merece e que faz jus há pelo menos quinhentos anos: a miséria, material, intelectual e espiritual.
Ao léu
Ouvi dizer, não confirmei, que indagado sobre sua conduta no palco, o sr. Gerald Thomas teria me saído com esta, mais velha do que piada do Juquinha: Que os artistas não devem ser julgados. Se ele disse isto mesmo, falou besteira.
Artistas têm liberdade para fazer o que lhes der na telha, como qualquer um de nós, mas, como qualquer um de nós, deve responder por seus atos. Pode-se julgar a reação a suas atitudes correta, idiota, exagerada ou tímida; o certo é que nada é de graça.
Nem a arte.
Ouvi dizer, não confirmei, que indagado sobre sua conduta no palco, o sr. Gerald Thomas teria me saído com esta, mais velha do que piada do Juquinha: Que os artistas não devem ser julgados. Se ele disse isto mesmo, falou besteira.
Artistas têm liberdade para fazer o que lhes der na telha, como qualquer um de nós, mas, como qualquer um de nós, deve responder por seus atos. Pode-se julgar a reação a suas atitudes correta, idiota, exagerada ou tímida; o certo é que nada é de graça.
Nem a arte.
Vai com Deus!
Sobre o moleque de 14 anos que acabou encontrado pela Polícia Federal ainda no Amazonas, de onde pretendia atravessar a fronteira com a Colômbia e se unir às Farc (Forças Revolucionárias Colombianas) para, nas suas palavras, "lutar contra o capitalismo", só tenho uma coisa a dizer: Vai com Deus!
Se o seu objetivo é ajudar uma guerrilha a fundar mais uma ditadura, que o faça longe do Brasil, vai pela sombra, e, por favor, não volte a nos encher a paciência e dar trabalho a Polícia Federal, porque ela tem coisa mais importante a fazer.
Sobre o moleque de 14 anos que acabou encontrado pela Polícia Federal ainda no Amazonas, de onde pretendia atravessar a fronteira com a Colômbia e se unir às Farc (Forças Revolucionárias Colombianas) para, nas suas palavras, "lutar contra o capitalismo", só tenho uma coisa a dizer: Vai com Deus!
Se o seu objetivo é ajudar uma guerrilha a fundar mais uma ditadura, que o faça longe do Brasil, vai pela sombra, e, por favor, não volte a nos encher a paciência e dar trabalho a Polícia Federal, porque ela tem coisa mais importante a fazer.
29 de agosto de 2003
De novo, o Terror
Terrorismo é palavra que descende do Terror pós-revolução francesa, se eu não estiver falando uma imensa besteira. É, antes de mais nada, uma política de manutenção do medo, de desestabilização do inimigo. Seus meios variam, mas em geral associamos a palavra aos atos violentos cometidos em nome da política, religião, ideologia, o escambau. Todo ato terrorista tem uma mensagem implícita e, não importa sua validade (da mensagem), todo ato terrorista é um crime contra o homem. Ponto final.
Entretanto, o terrorismo jamais será vencido. Porque mesmo que sejam punidos os terroristas (eles merecem punição, sim) e atendidas as reinvidicações justas, sempre haverá aquele que acreditará que a aceitação dos atos "benevolentes" do inimigo uma traição, uma indignidade. Este fundará outro grupo e continuará seu trabalho. Mixando auto-mitificação com auto-engano, seu discurso sempre arrebanhará seguidores, quase sempre ainda mais "engajados" do que a geração anterior de acólitos.
Uma vez implantado o medo, ele não sai tão facilmente. Quantas gerações de nova-iorquinos temerão por suas vidas, que podem ser abreviadas num momento de algum dia qualquer? - nem precisa ser 11. Israelenses, palestinos, indonésios, hindus, todos subjugados pelo medo. O objetivo do terrorismo não é matar - esta é uma das formas de ação. Com a tragédia, ele impõe sua ordem e se torna mais forte do que o Estado, atônito, incapaz de proteger os cidadãos de uma ameaça que anda ao lado deles.
É por isto que o terrorismo acaba vitorioso, mesmo depois de derrotado.
Terrorismo é palavra que descende do Terror pós-revolução francesa, se eu não estiver falando uma imensa besteira. É, antes de mais nada, uma política de manutenção do medo, de desestabilização do inimigo. Seus meios variam, mas em geral associamos a palavra aos atos violentos cometidos em nome da política, religião, ideologia, o escambau. Todo ato terrorista tem uma mensagem implícita e, não importa sua validade (da mensagem), todo ato terrorista é um crime contra o homem. Ponto final.
Entretanto, o terrorismo jamais será vencido. Porque mesmo que sejam punidos os terroristas (eles merecem punição, sim) e atendidas as reinvidicações justas, sempre haverá aquele que acreditará que a aceitação dos atos "benevolentes" do inimigo uma traição, uma indignidade. Este fundará outro grupo e continuará seu trabalho. Mixando auto-mitificação com auto-engano, seu discurso sempre arrebanhará seguidores, quase sempre ainda mais "engajados" do que a geração anterior de acólitos.
Uma vez implantado o medo, ele não sai tão facilmente. Quantas gerações de nova-iorquinos temerão por suas vidas, que podem ser abreviadas num momento de algum dia qualquer? - nem precisa ser 11. Israelenses, palestinos, indonésios, hindus, todos subjugados pelo medo. O objetivo do terrorismo não é matar - esta é uma das formas de ação. Com a tragédia, ele impõe sua ordem e se torna mais forte do que o Estado, atônito, incapaz de proteger os cidadãos de uma ameaça que anda ao lado deles.
É por isto que o terrorismo acaba vitorioso, mesmo depois de derrotado.
O exemplo vem de cima
No relatório dos auditores responsáveis pela investigação independente das causas do acidente trágico com a espaçonave Columbia, estava a "falta de verbas" como um dos fatores que levaram a deterioração do programa. Não interessa o que qualquer membro do governo brasileiro diga agora, a nossa tragédia espacial em Alcântara também tem muito disto.
Que um país subdesenvolvido (ou em desenvolvimento, que seja) resolva conduzir um plano espacial, nada de tão absurdo. A indústria dos satélites é cara e complexa e o domínio desta tecnologia pode ser muito interessante para um país - especialmente um situado bem na linha do Equador, cuja proximidade facilita o lançamento de foguetes.
Mas, uma vez que o país tenha se decidido por este caminho, que o faça da forma correta! Nosso programa estava errado, e seus equívocos já vêm de longa data. Corrida espacial é coisa de fôlego, de verbas, de homens altamente capacitados e dispostos - e só tínhamos o último item da lista. É questão de prioridades, que devem ser bem-definidas, levadas a sério, senão acabam na bobagem da compra dos caças pela FAB. Uma briga de foice e interesses, precocemente sepultada por uma resolução demagógica do atual governo, alegando que usaria melhor o dinheiro dos caças nos seus "programas sociais". Sim, os mesmos que jamais saem do papel e cujo Orçamento foi devidamente mutilado para o ano que vem. Alguém entende um troço destes?
Muito barulho se fez diante da possibilidade de os EUA utilizarem a base de Alcântara sem transferência de tecnologia. No auge da bestialidade do debate ideológico, houve quem mencionasse que os norte-americanos estavam arrendando uma parte do território nacional para si. Que acordo sem transferência tecnológica é uma baita burrada, nem preciso ser um gorila vesgo para saber; daí a ideologizar o debate vai um abismo, bem fundo, cheio de armadilhas. Pois bem, eis uma delas: Ninguém briga agora, quando o Brasil se prepara para assinar um acordo com a Ucrânia para que esta ex-colônia russa possa usar Alcânatara de forma bem parecida com o proposto pelos EUA. Continuamos no caminho errado.
Perdemos grandes homens naquela explosão. Oremos por eles.
No relatório dos auditores responsáveis pela investigação independente das causas do acidente trágico com a espaçonave Columbia, estava a "falta de verbas" como um dos fatores que levaram a deterioração do programa. Não interessa o que qualquer membro do governo brasileiro diga agora, a nossa tragédia espacial em Alcântara também tem muito disto.
Que um país subdesenvolvido (ou em desenvolvimento, que seja) resolva conduzir um plano espacial, nada de tão absurdo. A indústria dos satélites é cara e complexa e o domínio desta tecnologia pode ser muito interessante para um país - especialmente um situado bem na linha do Equador, cuja proximidade facilita o lançamento de foguetes.
Mas, uma vez que o país tenha se decidido por este caminho, que o faça da forma correta! Nosso programa estava errado, e seus equívocos já vêm de longa data. Corrida espacial é coisa de fôlego, de verbas, de homens altamente capacitados e dispostos - e só tínhamos o último item da lista. É questão de prioridades, que devem ser bem-definidas, levadas a sério, senão acabam na bobagem da compra dos caças pela FAB. Uma briga de foice e interesses, precocemente sepultada por uma resolução demagógica do atual governo, alegando que usaria melhor o dinheiro dos caças nos seus "programas sociais". Sim, os mesmos que jamais saem do papel e cujo Orçamento foi devidamente mutilado para o ano que vem. Alguém entende um troço destes?
Muito barulho se fez diante da possibilidade de os EUA utilizarem a base de Alcântara sem transferência de tecnologia. No auge da bestialidade do debate ideológico, houve quem mencionasse que os norte-americanos estavam arrendando uma parte do território nacional para si. Que acordo sem transferência tecnológica é uma baita burrada, nem preciso ser um gorila vesgo para saber; daí a ideologizar o debate vai um abismo, bem fundo, cheio de armadilhas. Pois bem, eis uma delas: Ninguém briga agora, quando o Brasil se prepara para assinar um acordo com a Ucrânia para que esta ex-colônia russa possa usar Alcânatara de forma bem parecida com o proposto pelos EUA. Continuamos no caminho errado.
Perdemos grandes homens naquela explosão. Oremos por eles.
28 de agosto de 2003
21 de agosto de 2003
De novo, a estupidez
A manhã de quarta trazia a notícia da morte de Viera de Mello, vítima de atentado de grandes proporções ao prédio da ONU, em Bagdá. Enfim, o que pensar deste acontecimento?
Condenar o terrorismo é fácil e moralmente correto. Seria absurdo justificar o que aconteceu acusando a ocupação norte-americana do Iraque. O fato é que são eventos obviamente coligados e o alvo da fúria rebelde (o prédio da ONU) nos fala mais do que aparenta.
A Guerra do Iraque não é uma repetição da Guerra do Golfo; se na primeira, havia a desculpa (ou justificativa) para uma aliança de países contra o regime de Saddam liderada por Bush-pai, esta última é um conflito norte-americano, de mais ninguém. A galera de Donald Rumsfeld suou a gravata tentando convencer outros países a enviarem tropas - sem hesitar, apenas, se eu não estiver enganado, Inglaterra, Espanha e Austrália atenderam ao "chamado". A impressão que fica é que, mesmo sabendo das atrocidades cometidas pelo regime de Hussein, ninguém seria capaz de prová-las; a novela das tais armas de destruição em massa (que certamente o Iraque possui) servia para dar ares de "missão humanitária" a uma guerra como qualquer outra. Agora, o tal discurso se esvaziou diantes dos horrores de uma ocupação e das trapalhadas inglesas do pós-guerra.
A ocupação é uma época de tensões; não há ocupação pacífica. É como se o tempo da guerra estivesse se alongando por culpa exclusiva dos vencedores. Mas a questão no Oriente é outra - a guerra não terminou; e aparentemente os conservadores da Casa Branca querem nos convencer de que isto não é verdade. Muita gente avisou que o desfecho deste conflito não seria diferente, e que a ONU perderia seu papel. Aí está. O alvo do terrorismo não foi a embaixada dos EUA, mas o prédio da ONU. Tivessem os EUA saído de cena e deixado a gerência do caos iraquiano a cargo da ONU talvez (e bota talvez nisso), as coisas teriam sido um pouco distintas - ou não, diria Caetano Veloso. Não se está aqui, a afirmar que a ONU encarna o bem e os EUA o mal; se eu dissesse ou pensasse uma coisa destas, mereceria um chapéu daqueles bem pontudos enfiado no cocoruto onde se lê o nome do animal em geral associado a baixa capacidade intelectual. O que se deseja é que cada um cumpra o seu papel e saiba sair de cena na sua deixa; afinal, a esta altura do campeonato, a lambança já havia sido feita mesmo. Por outro lado, por que a ONU assumiria a responsabilidade de gerir o Iraque uma vez que o problema todo fora criado pelos EUA? Talvez porque seja esta a missão que lhe cabe, uma vez que a ocupação norte-americana não tem (nem terá) competência para a pacificação, ao contrário das ambições dos conservadores. Como se diz por aqui: sobrou para ela.
E o que trouxe esta guerra para o iraquiano comum, que temia o seu ditador local, mas que também não queria tanques estrangeiros vigiando suas ruas? Liberdade é o que não foi (ainda). O pobre coitado saiu de um inferno sufocado e passou para um possível ciclo de violências não mais tuteladas pelo Estado, mas executadas por outros sujeitos como ele. A guerra trouxe aquilo que todas trazem em seu rastro: destruição, fome, miséria e aumento do poder do Estado (no caso, do Estado norte-americano). Algumas vezes, vista de longe, a História mostra que, com o tempo, a balança que equilibra os ganhos e as perdas vai pendendo para o lado da primeira. O exemplo clássico da Segunda Guerra é óbvio demais para não ser citado - ruim com Hitler, mil vezes melhor sem ele. Isto acontecerá com esta guerra do Iraque? Ninguém sabe responder isto, a não ser o patético otimismo de gente como Donald Rumsfeld. Será possível que eles realmente acreditam que conseguirão transformar o Iraque num porto seguro para sua política, como no passado, foi feito na Coréia do Sul, por exemplo? (*) Provavelmente, acreditam.
Quebrarão a cara. O Oriente Médio é mais complicado do que julgam estes senhores do rolo compressor bélico. Veja a questão de Israel que não me deixa mentir. O futuro do Iraque pode estar ali. Vale a pena olhar a questão dos palestinos e judeus em Israel para ficar aterrorizado com o tipo de país que surgirá do Iraque atual, que não pertence a ninguém.
Se estou feliz com a deposição de um porco como Saddam Hussein? Sem dúvida. Mas não posso deixar de me preocupar com o que será feito com sua vaga e com o pouco que sobra do Iraque.
A guerra ainda está em curso.
(*) Antes que alguém venha me xingar, saiba que você está certo. O exemplo da Coréia do Sul serve apenas para citar um país que acabou "americanizado" após o fim de um conflito envolvendo os EUA e, naquele tempo, URSS e China. É óbvio que a Coréia do Sul é hoje um país de fato, ao contrário de sua irmã do norte, um reduto de atraso, fome, miséria e arrogência insolúveis a não ser com o fim do regime atual - e, espera-se, que não sejam os EUA a tentar isto. Por outro lado, os sul-coreanos e japoneses não estão errados quando se perguntam se a presença norte-americana ainda se justifica nestes dois países.
A manhã de quarta trazia a notícia da morte de Viera de Mello, vítima de atentado de grandes proporções ao prédio da ONU, em Bagdá. Enfim, o que pensar deste acontecimento?
Condenar o terrorismo é fácil e moralmente correto. Seria absurdo justificar o que aconteceu acusando a ocupação norte-americana do Iraque. O fato é que são eventos obviamente coligados e o alvo da fúria rebelde (o prédio da ONU) nos fala mais do que aparenta.
A Guerra do Iraque não é uma repetição da Guerra do Golfo; se na primeira, havia a desculpa (ou justificativa) para uma aliança de países contra o regime de Saddam liderada por Bush-pai, esta última é um conflito norte-americano, de mais ninguém. A galera de Donald Rumsfeld suou a gravata tentando convencer outros países a enviarem tropas - sem hesitar, apenas, se eu não estiver enganado, Inglaterra, Espanha e Austrália atenderam ao "chamado". A impressão que fica é que, mesmo sabendo das atrocidades cometidas pelo regime de Hussein, ninguém seria capaz de prová-las; a novela das tais armas de destruição em massa (que certamente o Iraque possui) servia para dar ares de "missão humanitária" a uma guerra como qualquer outra. Agora, o tal discurso se esvaziou diantes dos horrores de uma ocupação e das trapalhadas inglesas do pós-guerra.
A ocupação é uma época de tensões; não há ocupação pacífica. É como se o tempo da guerra estivesse se alongando por culpa exclusiva dos vencedores. Mas a questão no Oriente é outra - a guerra não terminou; e aparentemente os conservadores da Casa Branca querem nos convencer de que isto não é verdade. Muita gente avisou que o desfecho deste conflito não seria diferente, e que a ONU perderia seu papel. Aí está. O alvo do terrorismo não foi a embaixada dos EUA, mas o prédio da ONU. Tivessem os EUA saído de cena e deixado a gerência do caos iraquiano a cargo da ONU talvez (e bota talvez nisso), as coisas teriam sido um pouco distintas - ou não, diria Caetano Veloso. Não se está aqui, a afirmar que a ONU encarna o bem e os EUA o mal; se eu dissesse ou pensasse uma coisa destas, mereceria um chapéu daqueles bem pontudos enfiado no cocoruto onde se lê o nome do animal em geral associado a baixa capacidade intelectual. O que se deseja é que cada um cumpra o seu papel e saiba sair de cena na sua deixa; afinal, a esta altura do campeonato, a lambança já havia sido feita mesmo. Por outro lado, por que a ONU assumiria a responsabilidade de gerir o Iraque uma vez que o problema todo fora criado pelos EUA? Talvez porque seja esta a missão que lhe cabe, uma vez que a ocupação norte-americana não tem (nem terá) competência para a pacificação, ao contrário das ambições dos conservadores. Como se diz por aqui: sobrou para ela.
E o que trouxe esta guerra para o iraquiano comum, que temia o seu ditador local, mas que também não queria tanques estrangeiros vigiando suas ruas? Liberdade é o que não foi (ainda). O pobre coitado saiu de um inferno sufocado e passou para um possível ciclo de violências não mais tuteladas pelo Estado, mas executadas por outros sujeitos como ele. A guerra trouxe aquilo que todas trazem em seu rastro: destruição, fome, miséria e aumento do poder do Estado (no caso, do Estado norte-americano). Algumas vezes, vista de longe, a História mostra que, com o tempo, a balança que equilibra os ganhos e as perdas vai pendendo para o lado da primeira. O exemplo clássico da Segunda Guerra é óbvio demais para não ser citado - ruim com Hitler, mil vezes melhor sem ele. Isto acontecerá com esta guerra do Iraque? Ninguém sabe responder isto, a não ser o patético otimismo de gente como Donald Rumsfeld. Será possível que eles realmente acreditam que conseguirão transformar o Iraque num porto seguro para sua política, como no passado, foi feito na Coréia do Sul, por exemplo? (*) Provavelmente, acreditam.
Quebrarão a cara. O Oriente Médio é mais complicado do que julgam estes senhores do rolo compressor bélico. Veja a questão de Israel que não me deixa mentir. O futuro do Iraque pode estar ali. Vale a pena olhar a questão dos palestinos e judeus em Israel para ficar aterrorizado com o tipo de país que surgirá do Iraque atual, que não pertence a ninguém.
Se estou feliz com a deposição de um porco como Saddam Hussein? Sem dúvida. Mas não posso deixar de me preocupar com o que será feito com sua vaga e com o pouco que sobra do Iraque.
A guerra ainda está em curso.
(*) Antes que alguém venha me xingar, saiba que você está certo. O exemplo da Coréia do Sul serve apenas para citar um país que acabou "americanizado" após o fim de um conflito envolvendo os EUA e, naquele tempo, URSS e China. É óbvio que a Coréia do Sul é hoje um país de fato, ao contrário de sua irmã do norte, um reduto de atraso, fome, miséria e arrogência insolúveis a não ser com o fim do regime atual - e, espera-se, que não sejam os EUA a tentar isto. Por outro lado, os sul-coreanos e japoneses não estão errados quando se perguntam se a presença norte-americana ainda se justifica nestes dois países.
19 de agosto de 2003
Banho de sangue
Capa do jornal Hoje em Dia, daqui de Belo Horizonte: Matança em BH sobe 37%. Sim, é esta mesma a palavra: Matança. Não se trata mais de alguns assassinatos, mas de uma forma de carnificina que toma conta das grandes cidades. Enquanto o poder público cochila, finge que não é com ele, vão prosperando os negócios do submundo, com o tráfico e o assassinato pago a frente. E os cidadãos, aprendendo a conviver com novas palavras.
Post besta, nada de novo no front.
Capa do jornal Hoje em Dia, daqui de Belo Horizonte: Matança em BH sobe 37%. Sim, é esta mesma a palavra: Matança. Não se trata mais de alguns assassinatos, mas de uma forma de carnificina que toma conta das grandes cidades. Enquanto o poder público cochila, finge que não é com ele, vão prosperando os negócios do submundo, com o tráfico e o assassinato pago a frente. E os cidadãos, aprendendo a conviver com novas palavras.
Post besta, nada de novo no front.
Alguém me explica?
Se estamos todos (especialmente nós, os brasileiros) tão preocupados com nossa forma física, por que o mundo está a cada dia mais obeso?
Se as crianças e adolescentes de hoje são tidos como mais "adultos" do que antes, por que acreditamos que eles são tão influenciados por tudo a que assistem na TV?
Se o Socialismo já se transformou em vinagre no mundo todo, por que a Heloísa Helena ainda tem fãs que acreditam nas suas idéias "revolucionárias"?
As respostas são óbvias, mas parece que nos contentamos com esta ambigüidade, como se fosse possível responder positivamente a cada um destes opostos. Somos esquizofrênicos e não sabíamos.
Se estamos todos (especialmente nós, os brasileiros) tão preocupados com nossa forma física, por que o mundo está a cada dia mais obeso?
Se as crianças e adolescentes de hoje são tidos como mais "adultos" do que antes, por que acreditamos que eles são tão influenciados por tudo a que assistem na TV?
Se o Socialismo já se transformou em vinagre no mundo todo, por que a Heloísa Helena ainda tem fãs que acreditam nas suas idéias "revolucionárias"?
As respostas são óbvias, mas parece que nos contentamos com esta ambigüidade, como se fosse possível responder positivamente a cada um destes opostos. Somos esquizofrênicos e não sabíamos.
Ainda sobre o apagão do andar de cima
Não é nada, não é nada, mas se o lucro sobre a quantidade de coisas que ainda se escreverá sobre o blecaute da costa norte-americana e canadense na semana passada fosse revertido para a cidade de Nova York, com certeza cobriria o prejuízo - segundo consta, da ordem de 1 bilhão de doletas.
Já dou como certa mais uma obra de Paul Auster (Leviatã,A Invenção da Solidão, Cidade de Vidro), em que um monte de personagens, movidos pelo acaso, se encontram no dia do blecaute e, juntos, pintam um painel dos EUA contemporâneo. Ou seria Don de Lillo a fazer isto? Sei lá, mas um deles fará, pode ter certeza. Aliás, Martin Scorcese já deve estar maluco para abordar o acontecimento em seu novo filme. Ou talvez (o que é mais provável) eu esteja superestimando o evento. O mais certo é que ele dê origem a alguns filmes B nas tevês a cabo norte-americanas e canadenses e que a Danielle Steel (não sei se é assim que se escreve; e nem vou procurar saber) escreva mais um de seus best-sellers - talvez o fortuito encontro entre uma jovem estudante de jornalismo idealista e o dono da maior cadeia de emissoras de TV, numa trama rocambolesca de amor, sexo, cobiça e ambição.
Blargh! Eu nem acredito que escrevi este lixo; graças a Deus a ironia foi proposital.
Não é nada, não é nada, mas se o lucro sobre a quantidade de coisas que ainda se escreverá sobre o blecaute da costa norte-americana e canadense na semana passada fosse revertido para a cidade de Nova York, com certeza cobriria o prejuízo - segundo consta, da ordem de 1 bilhão de doletas.
Já dou como certa mais uma obra de Paul Auster (Leviatã,A Invenção da Solidão, Cidade de Vidro), em que um monte de personagens, movidos pelo acaso, se encontram no dia do blecaute e, juntos, pintam um painel dos EUA contemporâneo. Ou seria Don de Lillo a fazer isto? Sei lá, mas um deles fará, pode ter certeza. Aliás, Martin Scorcese já deve estar maluco para abordar o acontecimento em seu novo filme. Ou talvez (o que é mais provável) eu esteja superestimando o evento. O mais certo é que ele dê origem a alguns filmes B nas tevês a cabo norte-americanas e canadenses e que a Danielle Steel (não sei se é assim que se escreve; e nem vou procurar saber) escreva mais um de seus best-sellers - talvez o fortuito encontro entre uma jovem estudante de jornalismo idealista e o dono da maior cadeia de emissoras de TV, numa trama rocambolesca de amor, sexo, cobiça e ambição.
Blargh! Eu nem acredito que escrevi este lixo; graças a Deus a ironia foi proposital.
18 de agosto de 2003
16 de agosto de 2003
As massas dos EUA e a energia
Enquanto alguns ficam felizes porque a "grande nação do Norte" sofre com uma rede elétrica de Quinto Mundo que teria causado o aterrador blecaute da semana passada, este texto da revista Primeira Leitura resume, de forma admirável, a dimensão da tragédia. Ela não é técnica, ela é a derrocada do indivíduo diante de um mundo e um Estado incompreensíveis.
Falências
Triste e difícil para o homem comum, aquele de vida banal, os Bills, Ellens, Jacks, Annes, viver num mundo que não compreendem
Num mundo sem Osama Bin Laden e George W. Bush, uma ocorrência como a desta quinta-feira entupiria o noticiário destinado aos “causos” do cotidiano. Afinal, Nova York, a metrópole do mundo ocidental, parada por um apagão, os congestionamentos, milhares de pessoas em busca de transporte. Poderia mesmo ser motivo de um daqueles filmes B da vastíssima produção de filmes bês do cinema americano: tudo parado, eis uma chance para que Bill repense seu relacionamento com Mary Ellen, sua desatenção às crianças... Seria a chance perfeita para Anne ligar para Jack e encostá-lo contra a parede: já não suporta mais ser sua amante, a outra. Apostou tudo naquela relação: carreira, futuro, emoções. Um apagão desses seria, assim, um evento fora da curva a disparar uma seqüência de emoções banais reprimidas. A banalidade e o inútil da vida de cada um.
Mas não! Em vez disso, a ocorrência foi parar no noticiário de política. As agências do mundo deslocaram seus repórteres; TVs mundo afora ficaram em transmissão contínua. A suspeita, obviamente, era a de mais um atentado terrorista. Triste e difícil para o homem comum, aquele de vida banal, os Bills, Ellens, Jacks, Annes, viver num mundo que não compreendem, que parece mesmo muito acima de sua inteligência, mas que os colhe. Em vez de o apagão remeter àquela idiota psicologização da vida — mas que era ainda retrato de mundo seguro —, remete, em verdade, para o pânico, para a iminência da tragédia. As tais ocorrências fortuitas de antes pareciam ter o condão de levar cada homem para dentro de si mesmo; os de hoje, expropriam os cidadãos de sua alma e os fazem apenas peças de um coletivo insosso, desesperado, tentando traduzir a intraduzível lógica da política.
É a tradução, pelos fatos, da suspeita, quase teológica, de que o terrorismo havia ganhado a batalha pela alma dos americanos. Estão condenados a nunca mais ser banais, estão condenados a nunca mais ser indivíduos (isso na terra de Marlboro); estão condenados a nunca mais ser introspectivos. São massa mesmo. Massa de manobra do terror e da política de Estado.
Fonte: Falências, texto da Primeira Leitura.
Enquanto alguns ficam felizes porque a "grande nação do Norte" sofre com uma rede elétrica de Quinto Mundo que teria causado o aterrador blecaute da semana passada, este texto da revista Primeira Leitura resume, de forma admirável, a dimensão da tragédia. Ela não é técnica, ela é a derrocada do indivíduo diante de um mundo e um Estado incompreensíveis.
Falências
Triste e difícil para o homem comum, aquele de vida banal, os Bills, Ellens, Jacks, Annes, viver num mundo que não compreendem
Num mundo sem Osama Bin Laden e George W. Bush, uma ocorrência como a desta quinta-feira entupiria o noticiário destinado aos “causos” do cotidiano. Afinal, Nova York, a metrópole do mundo ocidental, parada por um apagão, os congestionamentos, milhares de pessoas em busca de transporte. Poderia mesmo ser motivo de um daqueles filmes B da vastíssima produção de filmes bês do cinema americano: tudo parado, eis uma chance para que Bill repense seu relacionamento com Mary Ellen, sua desatenção às crianças... Seria a chance perfeita para Anne ligar para Jack e encostá-lo contra a parede: já não suporta mais ser sua amante, a outra. Apostou tudo naquela relação: carreira, futuro, emoções. Um apagão desses seria, assim, um evento fora da curva a disparar uma seqüência de emoções banais reprimidas. A banalidade e o inútil da vida de cada um.
Mas não! Em vez disso, a ocorrência foi parar no noticiário de política. As agências do mundo deslocaram seus repórteres; TVs mundo afora ficaram em transmissão contínua. A suspeita, obviamente, era a de mais um atentado terrorista. Triste e difícil para o homem comum, aquele de vida banal, os Bills, Ellens, Jacks, Annes, viver num mundo que não compreendem, que parece mesmo muito acima de sua inteligência, mas que os colhe. Em vez de o apagão remeter àquela idiota psicologização da vida — mas que era ainda retrato de mundo seguro —, remete, em verdade, para o pânico, para a iminência da tragédia. As tais ocorrências fortuitas de antes pareciam ter o condão de levar cada homem para dentro de si mesmo; os de hoje, expropriam os cidadãos de sua alma e os fazem apenas peças de um coletivo insosso, desesperado, tentando traduzir a intraduzível lógica da política.
É a tradução, pelos fatos, da suspeita, quase teológica, de que o terrorismo havia ganhado a batalha pela alma dos americanos. Estão condenados a nunca mais ser banais, estão condenados a nunca mais ser indivíduos (isso na terra de Marlboro); estão condenados a nunca mais ser introspectivos. São massa mesmo. Massa de manobra do terror e da política de Estado.
Fonte: Falências, texto da Primeira Leitura.
14 de agosto de 2003
12 de agosto de 2003
Oportunidade perdida
Sabe um daqueles momentos da vida em que tudo o que você deseja é ter ficado de boca calada? Pois bem, o nosso ministro da Justiça acaba de protagonizar um destes infelizes acontecimentos da existência.
Reagindo a estapafúrdia manifestação de um aluno contra a dona Marta Suplicy, afirmou que "jogar uma galinha numa mulher equivale a jogar um veado num homem". Parabéns, senhor ministro! Quem ainda não havia atinado para o mau gosto da metáfora do jovem que tascou a penosa no rosto da prefeita, agora não tem mais dúvidas! Mas não foi só ele; a prefeita agredida pelo pássaro e pelo adolescente ainda colocou a culpa no partido da "oposição". Hã? Um imbecil, tão tosco quanto os que enlamearam a cara do presidente do PT com uma torta, seria, na verdade, um enviado, um agente especial a serviço das forças ocultas da nação, que atendem pela sigla do partido perdedor das eleições presidenciais? Ora, dona Marta! Tenha dó! Ora, seu Ministro! Desde quando um ministro da Justiça desce ao ridículo de se expor a um protesto de moleques?
E este projeto dos "escolões" (sim, é coisa de paulista) lembra muito outros dois, de autoria de um gaúcho que ainda toca a Internacional Socialista (para quem não sabe, isto é uma música, que já deveria estar mofando no fundo do baú) no seu programa político na TV e de um mauricinho que chegou a comandar o país com tiros certeiros e golpes de judô, e acabou escorraçado do poder. Cumpre dizer que ambos os projetos não deram em nada.
Sabe um daqueles momentos da vida em que tudo o que você deseja é ter ficado de boca calada? Pois bem, o nosso ministro da Justiça acaba de protagonizar um destes infelizes acontecimentos da existência.
Reagindo a estapafúrdia manifestação de um aluno contra a dona Marta Suplicy, afirmou que "jogar uma galinha numa mulher equivale a jogar um veado num homem". Parabéns, senhor ministro! Quem ainda não havia atinado para o mau gosto da metáfora do jovem que tascou a penosa no rosto da prefeita, agora não tem mais dúvidas! Mas não foi só ele; a prefeita agredida pelo pássaro e pelo adolescente ainda colocou a culpa no partido da "oposição". Hã? Um imbecil, tão tosco quanto os que enlamearam a cara do presidente do PT com uma torta, seria, na verdade, um enviado, um agente especial a serviço das forças ocultas da nação, que atendem pela sigla do partido perdedor das eleições presidenciais? Ora, dona Marta! Tenha dó! Ora, seu Ministro! Desde quando um ministro da Justiça desce ao ridículo de se expor a um protesto de moleques?
E este projeto dos "escolões" (sim, é coisa de paulista) lembra muito outros dois, de autoria de um gaúcho que ainda toca a Internacional Socialista (para quem não sabe, isto é uma música, que já deveria estar mofando no fundo do baú) no seu programa político na TV e de um mauricinho que chegou a comandar o país com tiros certeiros e golpes de judô, e acabou escorraçado do poder. Cumpre dizer que ambos os projetos não deram em nada.
11 de agosto de 2003
Rótulos
Quanto a dizer que estudo Filosofia, o máximo que posso afirmar sobre mim mesmo é que não passo de um leigo esforçado - e o digo sem grande orgulho. Filosofia não é uma brincadeira que se aprende num livro que conta a história das idéias mais "populares" no meio intelectual; é uma forma sim, de ver, pensar e "sentir" a existência. O que sei, o pouco que faço, é saber de uns tantos pensadores por livros de divulgação mais ou menos comuns. Não passo de um filosofante besta, tentando sair do lamaçal da mera opinião, procurando montar um "sistema" de entendimento do "mundo", um conjunto de princípios. Lembro-me sempre do que li em O Duelo: Churchill versus Hitler, de John Luckács, de que os princípios são valores mais elevados do que leis - claro que o autor, fascinado pela figura de Churchill, não deixa de afirmar que ele era movido por princípios. Nada disso, simplesmente me debato diante de conceitos e fatos cuja interpretação pessoal ainda fica na área tosca do "opinismo" - o famoso "eu acho que...". Filosofia? Nem em sonhos!
Ainda assim, com tão poucas idéias, já fui chamado, com muita propriedade e sinceridade por quem entende disto muito mais do que eu, de "liberal progressista" (o que pode significar um bocado de coisas, mas prefiro interpretar como "liberal democrático") e "humanista espiritualista" (entenda "espiritualista" como aquele que acredita na existência do espírito, não como um seguidor das crenças de mesmo nome). Não posso negar a perspicácia deste batismo e, mesmo rejeitando o uso de rótulos, confesso que gostei da classificação. Até onde sei, fico com ela.
Em tempo: o melhor livro sobre história da Filosofia que já li é História da Filosofia(criativo o título, não?), do espanhol Juan Marías, que encontrei num sebo numa edição portuguesa sem data. Conciso, direto ao ponto, apaixonado. Uma das melhores leituras que já tive o prazer de desbravar.
Quanto a dizer que estudo Filosofia, o máximo que posso afirmar sobre mim mesmo é que não passo de um leigo esforçado - e o digo sem grande orgulho. Filosofia não é uma brincadeira que se aprende num livro que conta a história das idéias mais "populares" no meio intelectual; é uma forma sim, de ver, pensar e "sentir" a existência. O que sei, o pouco que faço, é saber de uns tantos pensadores por livros de divulgação mais ou menos comuns. Não passo de um filosofante besta, tentando sair do lamaçal da mera opinião, procurando montar um "sistema" de entendimento do "mundo", um conjunto de princípios. Lembro-me sempre do que li em O Duelo: Churchill versus Hitler, de John Luckács, de que os princípios são valores mais elevados do que leis - claro que o autor, fascinado pela figura de Churchill, não deixa de afirmar que ele era movido por princípios. Nada disso, simplesmente me debato diante de conceitos e fatos cuja interpretação pessoal ainda fica na área tosca do "opinismo" - o famoso "eu acho que...". Filosofia? Nem em sonhos!
Ainda assim, com tão poucas idéias, já fui chamado, com muita propriedade e sinceridade por quem entende disto muito mais do que eu, de "liberal progressista" (o que pode significar um bocado de coisas, mas prefiro interpretar como "liberal democrático") e "humanista espiritualista" (entenda "espiritualista" como aquele que acredita na existência do espírito, não como um seguidor das crenças de mesmo nome). Não posso negar a perspicácia deste batismo e, mesmo rejeitando o uso de rótulos, confesso que gostei da classificação. Até onde sei, fico com ela.
Em tempo: o melhor livro sobre história da Filosofia que já li é História da Filosofia(criativo o título, não?), do espanhol Juan Marías, que encontrei num sebo numa edição portuguesa sem data. Conciso, direto ao ponto, apaixonado. Uma das melhores leituras que já tive o prazer de desbravar.
Concurso: A quem interessar possa
A revista Bravo! está promovendo um concurso cultural que premiará com caixas de CDs de gravações raras de Elvis Presley aqueles que participarem e responderem a pergunta Por que Elvis Presley revolucionou a música pop?. Maiores informações no site da revista.
A revista Bravo! está promovendo um concurso cultural que premiará com caixas de CDs de gravações raras de Elvis Presley aqueles que participarem e responderem a pergunta Por que Elvis Presley revolucionou a música pop?. Maiores informações no site da revista.
10 de agosto de 2003
8 de agosto de 2003
O que foi que eu disse?
Não bastava apenas a bandeira deformada; a República Dominicana tinha que avacalhar o hino brasileiro também - e justo quando a seleção de basquete recebia sua medalha de ouro. A propósito; simbólica, porque a verdadeira mesmo eles só devem receber daqui a alguns dias - como aconteceu com outros atletas.
Não dá, eu já avisei: competições deste porte não são para países como o nosso.
Não bastava apenas a bandeira deformada; a República Dominicana tinha que avacalhar o hino brasileiro também - e justo quando a seleção de basquete recebia sua medalha de ouro. A propósito; simbólica, porque a verdadeira mesmo eles só devem receber daqui a alguns dias - como aconteceu com outros atletas.
Não dá, eu já avisei: competições deste porte não são para países como o nosso.
6 de agosto de 2003
Perda de Hilst
Perderemos Hilda Hilst a qualquer momento. Ela irá sem (como Mário Quintana e, de certa, forma, ao contrário dele) jamais ter chegado à Academia Brasileira de Letras. Felizmente. O que faria esta senhora louca, desvairada, culta, inteligente, no meio dos imortais com seus chás e discussões sobre a ortografia oficial do português brasileiro? Melhor assim, concluo. Mas que não lamentemos sua ida, quando ela surgir.
Façamos um favor a ela, a nós e a este país grande e bobo, como diz um cronista daqui de Minas: Vamos ler Hilda Hilst.
Perderemos Hilda Hilst a qualquer momento. Ela irá sem (como Mário Quintana e, de certa, forma, ao contrário dele) jamais ter chegado à Academia Brasileira de Letras. Felizmente. O que faria esta senhora louca, desvairada, culta, inteligente, no meio dos imortais com seus chás e discussões sobre a ortografia oficial do português brasileiro? Melhor assim, concluo. Mas que não lamentemos sua ida, quando ela surgir.
Façamos um favor a ela, a nós e a este país grande e bobo, como diz um cronista daqui de Minas: Vamos ler Hilda Hilst.
Bandidos
Na Info deste mês, Dagomir Marquezi se pergunta: Por que os brasileiros gostam tanto dos bandidos? Verdade. O último herói policial que tivemos na cultura pop desta terra foi o longínquo Vigilante Rodoviário, numa época em que eu não era sequer projeto de embrião. Bandido, aqui, é tudo gente boa - a exceção dos de colarinho branco, claro. Traficante, justiceiro, assassino de aluguel, jagunço, é tudo sangue bom, ou com dizem os cariocas, CB.
Alguns são mais espertos e sabem se aproveitar da estupidez (ingênua, de alguns; de outros, conveniente, além dos sinceramente equivocados) reinante, se maquiam como se fossem "guerreiros populares" e ganham as graças da mídia e dos intelectuais. Foi o caso do Marcinho VP, que teve até mesada paga por cineasta depois da fuga - devidamente processado por isto.
Agora entra em cartaz O Homem do Ano, baseado no livro Matador, de Patrícia Melo. Não li nem assisti um ou outro. Da Patrícia Melo, li apenas o Acqua Toffana, que gostei muito; já Inferno eu larguei no meio do caminho. Dizem que Matador é o seu melhor livro. Enfim, não posso dizer se é a imagem do cinema (vampira por natureza) que acaba por glamourizar o que, no livro, era mostrado de forma crua. O fato é que o filme glamouriza sim. Algumas produções recentes (desta safra dita "engajada"), como Cidade de Deus, conseguem escapar do esquema reinante de elogio ao crime como "forma de protesto social", enquanto Carandiru, por exemplo, se perde nele.
Outros, entretanto, mantém a lucidez: Leia-se a crítica de Pablo Vilaça, do Cinema em Cena, que termina com a seguinte constatação sobre o personagem principal de O Homem do Ano: "Mas que fique claro: Máiquel é um canalha.".
Na Info deste mês, Dagomir Marquezi se pergunta: Por que os brasileiros gostam tanto dos bandidos? Verdade. O último herói policial que tivemos na cultura pop desta terra foi o longínquo Vigilante Rodoviário, numa época em que eu não era sequer projeto de embrião. Bandido, aqui, é tudo gente boa - a exceção dos de colarinho branco, claro. Traficante, justiceiro, assassino de aluguel, jagunço, é tudo sangue bom, ou com dizem os cariocas, CB.
Alguns são mais espertos e sabem se aproveitar da estupidez (ingênua, de alguns; de outros, conveniente, além dos sinceramente equivocados) reinante, se maquiam como se fossem "guerreiros populares" e ganham as graças da mídia e dos intelectuais. Foi o caso do Marcinho VP, que teve até mesada paga por cineasta depois da fuga - devidamente processado por isto.
Agora entra em cartaz O Homem do Ano, baseado no livro Matador, de Patrícia Melo. Não li nem assisti um ou outro. Da Patrícia Melo, li apenas o Acqua Toffana, que gostei muito; já Inferno eu larguei no meio do caminho. Dizem que Matador é o seu melhor livro. Enfim, não posso dizer se é a imagem do cinema (vampira por natureza) que acaba por glamourizar o que, no livro, era mostrado de forma crua. O fato é que o filme glamouriza sim. Algumas produções recentes (desta safra dita "engajada"), como Cidade de Deus, conseguem escapar do esquema reinante de elogio ao crime como "forma de protesto social", enquanto Carandiru, por exemplo, se perde nele.
Outros, entretanto, mantém a lucidez: Leia-se a crítica de Pablo Vilaça, do Cinema em Cena, que termina com a seguinte constatação sobre o personagem principal de O Homem do Ano: "Mas que fique claro: Máiquel é um canalha.".
3 de agosto de 2003
Coliformes fecais
Caramba! Mal acabo de escrever o post Barbárie e leio, na web, uma notícia que apenas confirma o que escrevi! Resumo: Um artista criou uma máquina digestiva, que produz excrementos depois de alimentada. O sujeito ainda diz que sua invenção é (mais) um protesto contra o capitalismo. Tenha paciência!
Leia a matéria completa aqui. E, com licença, que estou com uma leve indigestão. Aliás, isto merece uma crônica no site. Trabalharei nisto.
Caramba! Mal acabo de escrever o post Barbárie e leio, na web, uma notícia que apenas confirma o que escrevi! Resumo: Um artista criou uma máquina digestiva, que produz excrementos depois de alimentada. O sujeito ainda diz que sua invenção é (mais) um protesto contra o capitalismo. Tenha paciência!
Leia a matéria completa aqui. E, com licença, que estou com uma leve indigestão. Aliás, isto merece uma crônica no site. Trabalharei nisto.
Barbárie
Os irmãos Chapman, parte da chamada nova geração de artistas britânicos - aqueles da exposição "Sensations" - ,resolveram pintar rostos de macacos e palhaços sobre ilustrações originais de Goya. Não, você não leu errado; eles pintaram por cima da série "Desastres de Guerra", de Goya, que está, agora, permanentemente arruinada. Ao redor deste ato de estupidez "artística", voam os críticos idiotas que abaixam as suas cabeças para qualquer artistazinho "novo" que resolve "chocar o mercado", os empresários da área, ansiosos por patrocinarem nomes "quentes" e os que fingem entender alguma coisa, entupindo as galerias com seus comentários vazios. Toda esta gente pode gostar de se enganar. Eu não.
Artistas e empresários do meio se esquivam da questão, evocando a discussão sobre a propriedade das obras de arte (sim, os Chapman são os donos da série "Desastres de Guerra"), que não me interessa aqui. O que é realmente importante, ninguém tem coragem de admitir: a obra destes dois irmãos é pobre, ruim, burra. Ponto final.
Quase quatro anos atrás, escrevi uma carta-artigo que mandei a alguns amigos. Reproduzo trechos dela abaixo, e não mudo uma vírgula sequer:
Elogio da Banalidade
Ouvi, tempos atrás, o álbum Outsider, de David Bowie. Uma espécie de ópera ciberpunk de estranha sonoridade, o disco era acompanhado pelo diário de um certo Nathan Astler, detetive particular do século XXI. Especialista em casos escabrosos - rapto e assassinato de pessoas visando ao tráfico de seus órgãos para artistas plásticos. Ora, o que isso tem a ver com o artigo do caderno Pensar do Estado de Minas de um sábado modorrento, 24 de julho de 1999, intitulado Tempo de Ser Banal, de autoria do arquiteto e designer Paulo Laender?
O artigo trata do estado atual da arte, ou de sua ausência. Para tanto, outros três artigos são citados: Escândalos Artísticos, de Vargas Llosa, Chute Logo um Artista, de Diogo Mainardi e Fome de Bienal, dos articulistas do caderno. Vejamos as citações de citações. O que viu Llosa? "Chris Offil, de 29 anos, aluno do Royal College of Art, mostra suas obras sobre uma base de excremento de elefante solidificado... Outro escultor atulhou suas urnas de cristal com ossos humanos e até resíduos de um feto... Outra, intitulada 'Aceleração Zigótica', apresenta um leque de meninos andróginos cujos rostos são, na verdade, pênis eretos..." Diogo Mainardi:"Depois de visitar as obras dos 102 artistas de 59 países você sai com a certeza de que aquilo é puro charlatanismo(...) A americana Ann Hamilton resolveu apresentar um pozinho vermelho que cai das paredes. E daí? O francês Jean Pierre Bertrand enfileira cedros numa prateleira. E daí? A sensação predominante é de que os artistas gastam dez minutos para pensar suas obras e seis meses na tentativa de justificá-las, em vez de fazer o contrário..."
Eu continuo... Basta uma patética e falsa postura, gestos afetados, uma ou outra frase, mais ou menos elaborada, e nosso candidato torna-se um artista na mãos de marchands ávidos por divulgação e aparição. Arte? Ah, isso... faça uma instalação. Misture materiais rústicos com atuais, chame a tal intervenção do público. Não gostou? Justifique a incompletude como metáfora da existência humana, é simples, todos gostam da frase, até alguns críticos. Soa bem. Quer chocar? Decepe, decapite, exiba órgãos putrefatos, fetos em decomposição, cavalos empalhados, close-ups de genitálias. Simples. Arte, não?
Não. Esses sujeitos, com algumas exceções, ou são pobres coitados que se iludem com o que fazem ou estão muito conscientes do papel ridículo a que prestam. Mas quem vai lhes cobrar? Que público? Este que vai a Bienal como se fosse a exposição de fotos do casamento de alguma celebridade? Duvido. Assim vamos. Antes a arte era inacessível a população por ser considerada complexa – mentira. Agora, acessível, está diluída. A arte está falindo, perdeu seu significado - e não há nada de grave nisso, desde que alguém se proponha a enfrentá-la, novamente. Não é a toa que os poucos que estão conscientes disso colocaram chimpanzés para pintar.
Nesse mundinho de bárbarie de final de milênio, diríamos que a matéria-prima é a violência. Se tais artistas realmente se preocupassem em criar, pensar, elaborar, testar, discutir, encenar esta violência, eu até concordaria. Mas o andamento que dão é o de publicitários de si mesmos, de simples expositores do caos. Nada mais. Daí tanta escatologia que não chega a lugar algum, nada, esta tentativa de reaproximação com o sexo em imagens cruas, desprovidas até de estética, tão precárias que são suas propaladas instalações. Além do mal-estar, que passam? Nada. E até o mal-estar, caros artistas, passa, logo na esquina às vezes. Sem mal-estar, o que sobra destas obras? Nada. Nem sobrará, estejam certos. Por quê? Porque Mainardi está com a razão - porque estes artistas gastaram dez minutos para pensar e fazer sua obra e seis meses para justificar!
Então, quem diria, correto estava um roqueiro inglês de cinquenta anos, para quem a arte virou um painel vazio exibindo horrores banais.
Os irmãos Chapman, parte da chamada nova geração de artistas britânicos - aqueles da exposição "Sensations" - ,resolveram pintar rostos de macacos e palhaços sobre ilustrações originais de Goya. Não, você não leu errado; eles pintaram por cima da série "Desastres de Guerra", de Goya, que está, agora, permanentemente arruinada. Ao redor deste ato de estupidez "artística", voam os críticos idiotas que abaixam as suas cabeças para qualquer artistazinho "novo" que resolve "chocar o mercado", os empresários da área, ansiosos por patrocinarem nomes "quentes" e os que fingem entender alguma coisa, entupindo as galerias com seus comentários vazios. Toda esta gente pode gostar de se enganar. Eu não.
Artistas e empresários do meio se esquivam da questão, evocando a discussão sobre a propriedade das obras de arte (sim, os Chapman são os donos da série "Desastres de Guerra"), que não me interessa aqui. O que é realmente importante, ninguém tem coragem de admitir: a obra destes dois irmãos é pobre, ruim, burra. Ponto final.
Quase quatro anos atrás, escrevi uma carta-artigo que mandei a alguns amigos. Reproduzo trechos dela abaixo, e não mudo uma vírgula sequer:
Elogio da Banalidade
Ouvi, tempos atrás, o álbum Outsider, de David Bowie. Uma espécie de ópera ciberpunk de estranha sonoridade, o disco era acompanhado pelo diário de um certo Nathan Astler, detetive particular do século XXI. Especialista em casos escabrosos - rapto e assassinato de pessoas visando ao tráfico de seus órgãos para artistas plásticos. Ora, o que isso tem a ver com o artigo do caderno Pensar do Estado de Minas de um sábado modorrento, 24 de julho de 1999, intitulado Tempo de Ser Banal, de autoria do arquiteto e designer Paulo Laender?
O artigo trata do estado atual da arte, ou de sua ausência. Para tanto, outros três artigos são citados: Escândalos Artísticos, de Vargas Llosa, Chute Logo um Artista, de Diogo Mainardi e Fome de Bienal, dos articulistas do caderno. Vejamos as citações de citações. O que viu Llosa? "Chris Offil, de 29 anos, aluno do Royal College of Art, mostra suas obras sobre uma base de excremento de elefante solidificado... Outro escultor atulhou suas urnas de cristal com ossos humanos e até resíduos de um feto... Outra, intitulada 'Aceleração Zigótica', apresenta um leque de meninos andróginos cujos rostos são, na verdade, pênis eretos..." Diogo Mainardi:"Depois de visitar as obras dos 102 artistas de 59 países você sai com a certeza de que aquilo é puro charlatanismo(...) A americana Ann Hamilton resolveu apresentar um pozinho vermelho que cai das paredes. E daí? O francês Jean Pierre Bertrand enfileira cedros numa prateleira. E daí? A sensação predominante é de que os artistas gastam dez minutos para pensar suas obras e seis meses na tentativa de justificá-las, em vez de fazer o contrário..."
Eu continuo... Basta uma patética e falsa postura, gestos afetados, uma ou outra frase, mais ou menos elaborada, e nosso candidato torna-se um artista na mãos de marchands ávidos por divulgação e aparição. Arte? Ah, isso... faça uma instalação. Misture materiais rústicos com atuais, chame a tal intervenção do público. Não gostou? Justifique a incompletude como metáfora da existência humana, é simples, todos gostam da frase, até alguns críticos. Soa bem. Quer chocar? Decepe, decapite, exiba órgãos putrefatos, fetos em decomposição, cavalos empalhados, close-ups de genitálias. Simples. Arte, não?
Não. Esses sujeitos, com algumas exceções, ou são pobres coitados que se iludem com o que fazem ou estão muito conscientes do papel ridículo a que prestam. Mas quem vai lhes cobrar? Que público? Este que vai a Bienal como se fosse a exposição de fotos do casamento de alguma celebridade? Duvido. Assim vamos. Antes a arte era inacessível a população por ser considerada complexa – mentira. Agora, acessível, está diluída. A arte está falindo, perdeu seu significado - e não há nada de grave nisso, desde que alguém se proponha a enfrentá-la, novamente. Não é a toa que os poucos que estão conscientes disso colocaram chimpanzés para pintar.
Nesse mundinho de bárbarie de final de milênio, diríamos que a matéria-prima é a violência. Se tais artistas realmente se preocupassem em criar, pensar, elaborar, testar, discutir, encenar esta violência, eu até concordaria. Mas o andamento que dão é o de publicitários de si mesmos, de simples expositores do caos. Nada mais. Daí tanta escatologia que não chega a lugar algum, nada, esta tentativa de reaproximação com o sexo em imagens cruas, desprovidas até de estética, tão precárias que são suas propaladas instalações. Além do mal-estar, que passam? Nada. E até o mal-estar, caros artistas, passa, logo na esquina às vezes. Sem mal-estar, o que sobra destas obras? Nada. Nem sobrará, estejam certos. Por quê? Porque Mainardi está com a razão - porque estes artistas gastaram dez minutos para pensar e fazer sua obra e seis meses para justificar!
Então, quem diria, correto estava um roqueiro inglês de cinquenta anos, para quem a arte virou um painel vazio exibindo horrores banais.
2 de agosto de 2003
Deixe-me ver se entendi...
Com o fim do porte de armas de fogo, os bandidos, meliantes e salafrários que infestam nossas cidades ficarão sem ter onde comprar armamento - já que todas as lojas do gênero serão obrigadas a fechar suas portas. Como bandido, meliante e salafrário que se preza compra arma regular, faz curso registrado de tiro, avaliação psicológica e tira o porte legal, esta medida, alardeada pela mídia, será um duro golpe na indústria do crime.
A asneira é esta mesmo ou eu esqueci alguma coisa?
Com o fim do porte de armas de fogo, os bandidos, meliantes e salafrários que infestam nossas cidades ficarão sem ter onde comprar armamento - já que todas as lojas do gênero serão obrigadas a fechar suas portas. Como bandido, meliante e salafrário que se preza compra arma regular, faz curso registrado de tiro, avaliação psicológica e tira o porte legal, esta medida, alardeada pela mídia, será um duro golpe na indústria do crime.
A asneira é esta mesmo ou eu esqueci alguma coisa?
Nunca Mais!
O que se vê acima e que lembra vagamente a bandeira brasileira é, de fato, uma bandeira brasileira! Esta coisa foi criada pelos (des)organizadores dos jogos Pan-Americanos e apresentada a delegação do Brasil apenas no hora do desfile de abertura.
É nisso que dá fazer competições de grande porte em países como o próprio Brasil. Qual será a gafe que cometeremos daqui a quatro anos ? - sim, o nosso país sediará os próximos Pan-Americanos. Que Deus nos ajude.
O que se vê acima e que lembra vagamente a bandeira brasileira é, de fato, uma bandeira brasileira! Esta coisa foi criada pelos (des)organizadores dos jogos Pan-Americanos e apresentada a delegação do Brasil apenas no hora do desfile de abertura.
É nisso que dá fazer competições de grande porte em países como o próprio Brasil. Qual será a gafe que cometeremos daqui a quatro anos ? - sim, o nosso país sediará os próximos Pan-Americanos. Que Deus nos ajude.
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