Ainda o Natal II : Todos nós
Grande reportagem publicada no jornal Estado de Minas de 25 de dezembro de 2003!
Um repórter fantasiou-se de Papai Noel e andou pelo Parque Municipal, ouvindo as pessoas. Surpreendentemente, colheu depoimentos de tristeza, desespero e também esperança. Uma jovem de 23 anos, que perdera o namorado num acidente de carro, arrumou a barba falsa do repórter e afirmou: “Estou falando com o Papai Noel; não me importa quem esteja por detrás da barba”. Uma mãe desiludida com a violência e seus filhos mais velhos disse o mesmo, chora e abraça a ilusão do bom velhinho. Um menino pede um skate. Uma menina de oito anos pergunta o que ele faz ali. Um homem, idoso, faz um balanço de sua vida solitária. Uma profissional liberal bem-sucedida diz ajudar a quem precisa sempre que pode. Outra relembra de seus natais de infância e uma ainda fala da boneca falsa criada pela mãe em substituição ao pedido que o raro dinheiro da família jamais poderia atender.
Clichê, melodrama, alguns diriam. Nada disso; vida mesmo, altos e baixos, horrores e glórias, tristezas, derrotas, sonhos e a força inabalável dos mitos, mesmo este moderninho, invenção da Coca-Cola. Sorte a destas pessoas, que ainda conversam com seus mitos.
Sorte a nossa também.
27 de dezembro de 2003
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