Rótulos
Quanto a dizer que estudo Filosofia, o máximo que posso afirmar sobre mim mesmo é que não passo de um leigo esforçado - e o digo sem grande orgulho. Filosofia não é uma brincadeira que se aprende num livro que conta a história das idéias mais "populares" no meio intelectual; é uma forma sim, de ver, pensar e "sentir" a existência. O que sei, o pouco que faço, é saber de uns tantos pensadores por livros de divulgação mais ou menos comuns. Não passo de um filosofante besta, tentando sair do lamaçal da mera opinião, procurando montar um "sistema" de entendimento do "mundo", um conjunto de princípios. Lembro-me sempre do que li em O Duelo: Churchill versus Hitler, de John Luckács, de que os princípios são valores mais elevados do que leis - claro que o autor, fascinado pela figura de Churchill, não deixa de afirmar que ele era movido por princípios. Nada disso, simplesmente me debato diante de conceitos e fatos cuja interpretação pessoal ainda fica na área tosca do "opinismo" - o famoso "eu acho que...". Filosofia? Nem em sonhos!
Ainda assim, com tão poucas idéias, já fui chamado, com muita propriedade e sinceridade por quem entende disto muito mais do que eu, de "liberal progressista" (o que pode significar um bocado de coisas, mas prefiro interpretar como "liberal democrático") e "humanista espiritualista" (entenda "espiritualista" como aquele que acredita na existência do espírito, não como um seguidor das crenças de mesmo nome). Não posso negar a perspicácia deste batismo e, mesmo rejeitando o uso de rótulos, confesso que gostei da classificação. Até onde sei, fico com ela.
Em tempo: o melhor livro sobre história da Filosofia que já li é História da Filosofia(criativo o título, não?), do espanhol Juan Marías, que encontrei num sebo numa edição portuguesa sem data. Conciso, direto ao ponto, apaixonado. Uma das melhores leituras que já tive o prazer de desbravar.
11 de agosto de 2003
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