12 de maio de 2004

A maior asneira da história deste país de quinta categoria
Atenção, meus caros leitores: está, desde agora, revogada a liberdade de expressão no Brasil. Aberto o precedente da expulsão do jornalista do New York Times que escreveu um artigo sobre os hábitos alcóolicos do nosso presidente, qualquer um que tenha a petulância de insinuar qualquer coisa contra o Planalto e seus ocupantes está sujeito a expulsão, processo, prisão. Portanto, este blog passará a se comportar como um legítimo sabujo do poder, coisa lucrativa e simples que nossa mídia aprendeu há muito tempo como se faz.
Por isso, não apoiamos mais a ONG Repórteres sem Fronteiras, que colocou o país ao lado de ditaduras como Cuba, Turcomenistão, Coréia do Norte, Venezuela. Organização, aliás, que chiou quando o Brasil, este gigante de genialidade e independência diplomática, não reclamou quando Fidel resolveu passar fogo nuns dissidentes que tiveram a audácia de fugir daquela ilha da fantasia.
Por outro lado, apoiamos integralmente a teoria do embaixador Roberto Abdenur, para quem há uma conspiração contra o Brasil arquitetada por mentes diabólicas que habitam a Casa Branca.
Qualquer repórter que ousar duvidar da mais absoluta integridade de qualquer político do governo se coloca, automaticamente, como um desordeiro, um baderneiro que merece a exemplar punição que o eficiente estado brasileiro há de lhe imputar.
Quem não percebeu que este é um texto satírico, eis a prova. Se a democracia brasileira não dá mostras de tolerar a expressão de um jornalista, seja brasileiro ou dos EUA, então a rota preferida pelos ocupantes dos mais altos cargos é, no mínimo, preocupante. Expulsar jornalista porque ele escreveu um textinho que desagradou ao alto clero é uma estupidez que nem os militares fizeram. Com esta, o governo Lula se alinha aos mais patéticos ditadores de bananas e areia, jogando por terra seu suposto esforço diplomático, e humilhando a todos nós perante o mundo. Quem aí tem orgulho de ser brasileiro depois desta?.

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