Senhores pesquisadores da violência brasileira, aprendam de vez a lição dada pelos traficantes cariocas: Bandido mata povo também. Não é só a fatia corrompida da polícia e as balas que não encontraram um corpo fresquinho para se alojarem que fazem isso. Eles passarão por cima de qualquer um, tomarão todo o espaço da sociedade se necessário for, farão desta terra seu campo de batalha, tribunal e cadeira elétrica - não, eles não fazem prisioneiros.
Ou o Estado recupera o espaço perdido com o uso da força (sim, incluindo as Forças Armadas) e posterior "desfavelização", ou em breve a população das favelas e vilas das grandes cidades sofrerá um genocídio "privado". A propósito, dizem todos que o exército não pode fazer função de polícia; papel este que faz no Haiti, onde o fracassado governo atual sonhou plantar seu ingresso para uma cadeira fixa (para quê, meu Deus?) no Conselho de Segurança da ONU.
O mesmo estado que é absolutamente incapaz de cumprir sua função de zelo pela segurança do cidadão comum, aquele que tem que voltar para casa toda noite sem saber se vai flambar no meio de uma guerra de traficantes.
3 de dezembro de 2005
23 de novembro de 2005
Viva o Teatro!
A convite de um amigo que faz parte do Centro de Pesquisas Teatrais, fui à apresentação de Sarau Brasileiro, coletânea de esquetes variados de peças de Martins Pena, dirigido por Ronaldo Boschi. Um espetáculo que seria muito difícil para o público de hoje, foi rapidamente compreendido e – o mais importante – apreciado por quem pôde ir. Confesso sem pudor que uma das maiores falhas na minha caótica formação cultural é o pouco conhecimento teatral; li pouco, vi pouco, sei menos ainda. De Martins Pena conhecia as peças pequenas, de comédia de costumes, sempre com um olhar mordaz sobre os “tipos” que procurava colocar no palco. Hoje desprezado por alguns, ao menos nestes enquetes, percebi nele uma universalidade simples e ao mesmo tempo cínica e carinhosa; seus personagens são os típicos brasileiros urbanos do século XIX. Cínica porque suas pequenas tramas, artimanhas, manias e tramóias ainda se encontram por aí; carinhosa por evitar a condenação moral dos seus tipos, tratando-os com dignidade sem condescendência.
Estivesse vivo, Pena riria de todos nós. Infelizmente, o nosso tempo, politicamente correto e imbecilizado, acabaria por tentar enquadrá-lo. Ironicamente, hoje sua sorte é ser passado.
A apresentação: Perfeita. Alguns esquetes foram muito curtos e os mais bem-sucedidos foram os longos, que exigiam mais atenção do público mas, paradoxalmente, também o envolvia mais. Percebe-se a escolha cuidadosa de trechos cuja linguagem pudesse ser identificada sem grandes dificuldades pelo público atual. Foram quatro meses de ensaio, certamente exaustivos, em que o carinho pelo texto e personagens ficou explícito na dedicação dos atores. Aliás, todos ótimos. Meu amigo participou dos quatro últimos esquetes, o que lhe custou a troca permanente de figurino e muito fôlego.
Parabéns a todos!
E que agora, graças a isso, eu tome vergonha e vá ao teatro mais e mais vezes.
Sarau Brasileiro
Roteiro e direção: Ronaldo Boschi
Sarau de Abertura
O Jogo do Bicho
O Cigano (de Álvares de Azevedo)
Judas em Sábado de Aleluia
O Soldado e o Sacristão
Quem Casa Quer Casa
O Noviço
Estivesse vivo, Pena riria de todos nós. Infelizmente, o nosso tempo, politicamente correto e imbecilizado, acabaria por tentar enquadrá-lo. Ironicamente, hoje sua sorte é ser passado.
A apresentação: Perfeita. Alguns esquetes foram muito curtos e os mais bem-sucedidos foram os longos, que exigiam mais atenção do público mas, paradoxalmente, também o envolvia mais. Percebe-se a escolha cuidadosa de trechos cuja linguagem pudesse ser identificada sem grandes dificuldades pelo público atual. Foram quatro meses de ensaio, certamente exaustivos, em que o carinho pelo texto e personagens ficou explícito na dedicação dos atores. Aliás, todos ótimos. Meu amigo participou dos quatro últimos esquetes, o que lhe custou a troca permanente de figurino e muito fôlego.
Parabéns a todos!
E que agora, graças a isso, eu tome vergonha e vá ao teatro mais e mais vezes.
Sarau Brasileiro
Roteiro e direção: Ronaldo Boschi
Sarau de Abertura
O Jogo do Bicho
O Cigano (de Álvares de Azevedo)
Judas em Sábado de Aleluia
O Soldado e o Sacristão
Quem Casa Quer Casa
O Noviço
27 de setembro de 2005
Humor para inglês ver
A grande ironia é que, não fosse FHC e sua estabilidade econômica, o PT talvez não pudesse transportar tanto dinheiro vivo em malas e cuecas sem perder o seu valor. Como eles dizem, é tudo culpa do FHC mesmo.
Às vezes, eu venho de computador para o trabalho.
Às vezes, eu venho de computador para o trabalho. O único problema é que o meu não passa de um antigo K6-II 500MHz, então toda hora um chato num Pentium 4 ou Athlon XP fica buzinando e piscando o led do HD para mim. Claro que eu me vingo quando aparece um pobre coitado num 386SX bem na minha frente. Eu meto a mão no Winamp sem dó.
Claro, eu poderia ir de mainframe, mas não confio naquele monte de gente (e como cabe gente lá dentro) apertada indo de um lado para outro. Mas o pior mesmo é a turma que pega uns computadores velhos e trocam o sistema por Linux e sai por aí oferecendo carona de graça. Na verdade, eu até quis entrar num destes carros que dizem também ser muito econômicos, mas havia um bando de pingüins lá dentro e, como havia esquecido minha blusa em casa, acabei desistindo.
Preciso trocar logo de computador, pois tenho chegado atrasado sempre. Ou, o que espero, apenas um pequeno upgrade resolva o meu caso.
Claro, eu poderia ir de mainframe, mas não confio naquele monte de gente (e como cabe gente lá dentro) apertada indo de um lado para outro. Mas o pior mesmo é a turma que pega uns computadores velhos e trocam o sistema por Linux e sai por aí oferecendo carona de graça. Na verdade, eu até quis entrar num destes carros que dizem também ser muito econômicos, mas havia um bando de pingüins lá dentro e, como havia esquecido minha blusa em casa, acabei desistindo.
Preciso trocar logo de computador, pois tenho chegado atrasado sempre. Ou, o que espero, apenas um pequeno upgrade resolva o meu caso.
17 de setembro de 2005
Silêncio obsequioso
A principal razão para que um debate intelectual minimamente honesto no Brasil é quase uma impossibilidade (além, claro, da formação da maioria dos que se dizem “intelectuais”) reside na monstruosa partidarização do pensamento, característica genuinamente tupiniquim. A honestidade intelectual deveria conduzir o sujeito a um impasse que o impediria de associar-se a um partido em especial, porque não comungaria totalmente das idéias de nenhum deles. Ora estaria à esquerda da direita em algumas questões, ora à direita da esquerda. Ignorar estas ambigüidades e se filiar ou apoiar algum partido seria uma decisão puramente pessoal, não uma condição anterior às suas ambições intelectuais e muito menos medida de suas qualidades como intelectual.
No Bananão, acredita-se piamente que só existe inteligência à esquerda e que o Saci-Pererê existe. Depois de suar a camisa e adestrar os neurônios para entrar na universidade estatal, o sujeito compra o pacote completo do adesismo cego e trilha sua bem-sucedida carreira de “intelectual” pelo simples fato de estar ao lado da “galera do bem”. Leituras mal-feitas, professores militantes, equívocos repetidos à exaustão (ficou famoso o caso do professor ensinando que Marx grafava Kapital com letra maiúscula para reafirmar o poder e o domínio do capital sobre o homem até um aluno alertá-lo para o fato de a língua alemã fazer o mesmo com todos os substantivos...) e a coletividade a confirmar a excelência do mané, são os ingredientes necessários para a nossa falência como intelectuais.
Excluiu-se o debate, ou melhor dizendo, o embate de idéias. Sem um embate franco e feroz (não necessariamente mal-educado; brasileiro acha que ganha tudo no grito, mesmo estando errado; na terra de Pindorama mais vale a mentira vociferada do que a verdade polida), não há a menor possibilidade de uma vida intelectual representativa, atuante, que alimente a quem ouve, lê e participa.
Daí que estes “intelectuais em silêncio”, todos eles com seu séqüito de alunos e seguidores, colunas em jornais e revistas, onde não ficam um segundo sem repetir o mesmo discurso, não merecem mesmo ser ouvidos. Fossem honestos, estariam todos abandonando o barco do partido que apoiaram, e de forma ruidosa. Jamais imaginei dizer algo assim, mas certo estava Gabeira, quando deixou o PT depois de um chá-de-cadeira impingido por José Dirceu (aquele que diz não ser arrogante) e, depois, quando ainda encarou Severino.
Nossos intelectuais são escravos da sua escolha partidária e, graças a isso, a maioria perdeu a tão propalada honestidade por simples cegueira. Vivem num mundo próprio, alimentam os egos uns dos outros e parecem recusar-se a mergulhar na realidade que insiste, sabe-se lá o porquê, em chamá-los para pedir alguma opinião. Recentemente, a estrela da intelectualidade brazuca, Marilena Chauí, saiu-se com esta:
Nos últimos meses eu me perguntei: mas o que é que nós fizemos para sermos tão odiados? Nunca em toda a minha vida presenciei ódio igual a este. É uma coisa que faz perder a respiração. E eu sei hoje por quê: é porque nós fomos o principal construtor da democracia neste país. E não seremos perdoados por isso nunca.
Esta senhora não lê jornais (dominados pela burguesia, segundo ela), revistas (dominadas pela burguesia, segundo ela) nem assiste a TV (vade retro!). Se lesse, talvez pudesse se lembrar do ódio ao PSDB e FHC implantado pelo seu partido, em especial naquele desastrado final de segundo mandato. Talvez se lembrasse de que o seu partido barrou a reforma da previdência no tempo do “tucanato” só para aprová-lo no seu governo. Ou saberia que foi por pouco que o seu partido não apoiou Paulo Maluf para a presidência do país em 1985 por rejeição a Tancredo Neves. A democracia petista teria nos dado Maluf de presente. Ao menos, o país estaria cheio de túneis – entenda como quiser.
Mas, ao que parece, Marilena não lê sequer o que escrevem os seus companheiros de pensamento. Caso contrário, teria perdido a respiração com esta demonstração de graça e refinamento intelectual do sr. Emir Sader, em artigo defendendo a tese de que Severino é cria da “burguesia nacional e seu braço político, o PSDB” :
Severino sempre foi conhecido como corrupto. Mas era “their son of a bitch”, o corrupto – um dos tantos – de plantão no PSDB. Não serve mais e deve ser descartado. Outros aventureiros se candidatam a terem seus 15 minutos de glória. Como dizia o cartaz no casamento do filho de César Maia: “Não procriem”. É necessário castrar os tucanos, antes que povoem de novo o poder de Severinos.
Eu nem deveria comentar que, na vitória de Severino, a maioria dos votos veio da chamada “base aliada”, uma vez que a odiosa oposição burguesa de PSDB e PFL não chegava a metade dos votos recebidos pelo sujeito. Mas matemática é coisa de outro mundo para os pensadores do Bananão.
O tal silêncio dos intelectuais brasileiros não é um erro, desastre ou omissão – francamente, é um favor que eles nos farão, caso resolvam ficar calados. Se for para ler coisas assim, melhor mesmo que fiquem encastelados em suas universidades. E só voltem a falar quando houver um cenário de debate franco por aqui – ou seja...
No Bananão, acredita-se piamente que só existe inteligência à esquerda e que o Saci-Pererê existe. Depois de suar a camisa e adestrar os neurônios para entrar na universidade estatal, o sujeito compra o pacote completo do adesismo cego e trilha sua bem-sucedida carreira de “intelectual” pelo simples fato de estar ao lado da “galera do bem”. Leituras mal-feitas, professores militantes, equívocos repetidos à exaustão (ficou famoso o caso do professor ensinando que Marx grafava Kapital com letra maiúscula para reafirmar o poder e o domínio do capital sobre o homem até um aluno alertá-lo para o fato de a língua alemã fazer o mesmo com todos os substantivos...) e a coletividade a confirmar a excelência do mané, são os ingredientes necessários para a nossa falência como intelectuais.
Excluiu-se o debate, ou melhor dizendo, o embate de idéias. Sem um embate franco e feroz (não necessariamente mal-educado; brasileiro acha que ganha tudo no grito, mesmo estando errado; na terra de Pindorama mais vale a mentira vociferada do que a verdade polida), não há a menor possibilidade de uma vida intelectual representativa, atuante, que alimente a quem ouve, lê e participa.
Daí que estes “intelectuais em silêncio”, todos eles com seu séqüito de alunos e seguidores, colunas em jornais e revistas, onde não ficam um segundo sem repetir o mesmo discurso, não merecem mesmo ser ouvidos. Fossem honestos, estariam todos abandonando o barco do partido que apoiaram, e de forma ruidosa. Jamais imaginei dizer algo assim, mas certo estava Gabeira, quando deixou o PT depois de um chá-de-cadeira impingido por José Dirceu (aquele que diz não ser arrogante) e, depois, quando ainda encarou Severino.
Nossos intelectuais são escravos da sua escolha partidária e, graças a isso, a maioria perdeu a tão propalada honestidade por simples cegueira. Vivem num mundo próprio, alimentam os egos uns dos outros e parecem recusar-se a mergulhar na realidade que insiste, sabe-se lá o porquê, em chamá-los para pedir alguma opinião. Recentemente, a estrela da intelectualidade brazuca, Marilena Chauí, saiu-se com esta:
Nos últimos meses eu me perguntei: mas o que é que nós fizemos para sermos tão odiados? Nunca em toda a minha vida presenciei ódio igual a este. É uma coisa que faz perder a respiração. E eu sei hoje por quê: é porque nós fomos o principal construtor da democracia neste país. E não seremos perdoados por isso nunca.
Esta senhora não lê jornais (dominados pela burguesia, segundo ela), revistas (dominadas pela burguesia, segundo ela) nem assiste a TV (vade retro!). Se lesse, talvez pudesse se lembrar do ódio ao PSDB e FHC implantado pelo seu partido, em especial naquele desastrado final de segundo mandato. Talvez se lembrasse de que o seu partido barrou a reforma da previdência no tempo do “tucanato” só para aprová-lo no seu governo. Ou saberia que foi por pouco que o seu partido não apoiou Paulo Maluf para a presidência do país em 1985 por rejeição a Tancredo Neves. A democracia petista teria nos dado Maluf de presente. Ao menos, o país estaria cheio de túneis – entenda como quiser.
Mas, ao que parece, Marilena não lê sequer o que escrevem os seus companheiros de pensamento. Caso contrário, teria perdido a respiração com esta demonstração de graça e refinamento intelectual do sr. Emir Sader, em artigo defendendo a tese de que Severino é cria da “burguesia nacional e seu braço político, o PSDB” :
Severino sempre foi conhecido como corrupto. Mas era “their son of a bitch”, o corrupto – um dos tantos – de plantão no PSDB. Não serve mais e deve ser descartado. Outros aventureiros se candidatam a terem seus 15 minutos de glória. Como dizia o cartaz no casamento do filho de César Maia: “Não procriem”. É necessário castrar os tucanos, antes que povoem de novo o poder de Severinos.
Eu nem deveria comentar que, na vitória de Severino, a maioria dos votos veio da chamada “base aliada”, uma vez que a odiosa oposição burguesa de PSDB e PFL não chegava a metade dos votos recebidos pelo sujeito. Mas matemática é coisa de outro mundo para os pensadores do Bananão.
O tal silêncio dos intelectuais brasileiros não é um erro, desastre ou omissão – francamente, é um favor que eles nos farão, caso resolvam ficar calados. Se for para ler coisas assim, melhor mesmo que fiquem encastelados em suas universidades. E só voltem a falar quando houver um cenário de debate franco por aqui – ou seja...
5 de setembro de 2005
Perguntar não ofende
23 de agosto de 2005
Camila Parker News
Direto do Popular do Terra , com um atraso de pelo menos um mês:
O governo britânico lançou hoje uma série de propagandas contra o tabaco com a mensagem de que o fumo faz mal para a vida sexual porque torna os homens impotentes e deixa as mulheres mais feias. A campanha tem como alvo o temor dos jovens britânicos quanto a seu atrativo sexual, uma área que o governo diz ser mais efetiva do que destacar preocupações gerais com a saúde.
Atenção para a expressão mais feias... A fama das britânicas ainda vai longe.
O governo britânico lançou hoje uma série de propagandas contra o tabaco com a mensagem de que o fumo faz mal para a vida sexual porque torna os homens impotentes e deixa as mulheres mais feias. A campanha tem como alvo o temor dos jovens britânicos quanto a seu atrativo sexual, uma área que o governo diz ser mais efetiva do que destacar preocupações gerais com a saúde.
Atenção para a expressão mais feias... A fama das britânicas ainda vai longe.
9 de agosto de 2005
Vai ver se ela tá na esquina!
Poder e alcova são duas palavrinhas que sempre andaram juntas, de dedinhos entrelaçados, qualquer macaco-prego sabe disso. Cafetinas que servem aos impulsos dos homens da cúpula (atenção: trocadilho implícito, de mau gosto e desnecessário) acompanham este mercado com atenção e, digamos, presteza invejáveis.
O nome da grande senhora de Brasília acaba de ganhar a boca do povo no rastro da CPI dos Correios, já que o deputado Demosthenes Torres (PFL) perguntou à sócia de Marcos Valério, Simone Vasconcelos, se ela conhecia a tal Jane Mary Corner.
De uma coisa temos certeza: Aldo Rebelo não a conhecia. Caso contrário, já teria virado Jane Maria da Esquina há muito tempo..
O nome da grande senhora de Brasília acaba de ganhar a boca do povo no rastro da CPI dos Correios, já que o deputado Demosthenes Torres (PFL) perguntou à sócia de Marcos Valério, Simone Vasconcelos, se ela conhecia a tal Jane Mary Corner.
De uma coisa temos certeza: Aldo Rebelo não a conhecia. Caso contrário, já teria virado Jane Maria da Esquina há muito tempo..
O orçamento dos universitários
O governo Lula resolveu aumentar o percentual de recursos investidos no ensino superior de 70% para 75% do Orçamento destinado a educação. E não adianta reclamar, porque a nossa digníssima Constituição diz que cabe, prioritariamente, aos municípios o investimento em ensino de primeiro grau e aos estados em segundo.
O aumento ajudará os pobres e geniais alunos das universidades brasileiras a repetir gestos como este aqui ou este aqui(*).
O aumento ajudará os pobres e geniais alunos das universidades brasileiras a repetir gestos como este aqui ou este aqui(*).
4 de agosto de 2005
From China to Big Banana
A gigante chinesa (nota do editor: ser gigante na China é fácil, quero ver é uma empresa de porte nascer em Nauru) ZTE, da área de telecomunições, resolveu escolher o seu próximo executivo de forma bizarra e ridícula: num reality show. Detalhe: o executivo selecionado virá para a filial da multinacional aqui no Bananão.
Isso é prêmio?
Isso é prêmio?
Recordações do Escrivão Garoto Juca
Alguém, pelamordeDeus, pode me explicar as razões de tanta nostalgia precoce? Sou de uma geração que mal deixou de assistir filmes da Disney (está bom: eu confesso que vejo até hoje, mas só os longas para o cinema, que eu tenho uma baita bom gosto) e já tem saudades dos anos da infância e adolescência. Ou dos símbolos que a representam, para ser mais metido – Bozo, balas Klep´s, Xuxa, Engenheiros do Hawaí, Tom & Jerry, Spectroman. A indústria da nostalgia ainda nos alimenta diariamente com filmes, revistas e canais inteiros de televisão. Ontem minha namorada havia deixado a TV ligada no Boomerang, exibindo Bibo Pai e Bobby Filho, ou vice-versa. Agüentei uns cinco minutos, a tal piada sobre a "psicologia moderna" não rende mais do que isso. Troquei pelo Jean Claude Van-Damme dando porrada em Street Fighter – algo muito mais educativo e de classe, convenhamos.
É isso: nostalgia precoce é uma piada que dura cinco minutos. Toda aquela tosqueira que a gente adorava deveria servir para arrancar uma boa gargalhada junto à velha turma, uma catarsezinha coletiva "como éramos manés" e só. O fato é que não sabemos mais apreciar o sabor breve de uma boa piada e acabamos por levá-la a sério. Nostalgia combina com uma certa condescendência, admite-se que esta ou aquela música tem seu valor por ter ocupado parte de nossas vidas. Daí a considerar que todo produto coberto de naftalina é bom, vai um abismo. É óbvio que não estou advogando a brevidade, o descartável e outras baboseiras. Há coisas que merecem a eternidade e outras, não. Há coisas de que gostamos e que são francamente idiotas. Mas a cultura da nostalgia bota tudo no mesmo saco, e haja saco.
Os brasileiros, em especial, têm uma nostalgia pervertida pelos tempos das ditaduras. Toda vez que alguém faz uma pesquisa sobre a popularidade da democracia por estas bandas, fica assustado com a quantidade de nhambiquara que não liga a mínima para isso (claro que estamos assumindo que o povo entrevistado sabe o que significa a palavra; se forem universitários, aí é que estamos perdidos mesmo). Saudade de coturno é coisa de sado-masoquista aposentado. O pessoal tem é vontade de ser mandado sem precisar pensar muito. Quem não conhece um sujeito que, a primeira oportunidade, diz que bom mesmo era o tempo dos militares ou do Getúlio Primeiro? (*)
Falando nisso, de repente me deu vontade de encontrar uma fileira de balas Klep´s. Sabe, aquelas com uns bichos feios e estilizados na embalagem, docinha até não agüentar mais? Ei, as balas Klep´s eram boas de verdade. Juro.
(*) Minha avó paterna sente falta do Fernando Collor. É uma neuropatologia ainda não estudada.
É isso: nostalgia precoce é uma piada que dura cinco minutos. Toda aquela tosqueira que a gente adorava deveria servir para arrancar uma boa gargalhada junto à velha turma, uma catarsezinha coletiva "como éramos manés" e só. O fato é que não sabemos mais apreciar o sabor breve de uma boa piada e acabamos por levá-la a sério. Nostalgia combina com uma certa condescendência, admite-se que esta ou aquela música tem seu valor por ter ocupado parte de nossas vidas. Daí a considerar que todo produto coberto de naftalina é bom, vai um abismo. É óbvio que não estou advogando a brevidade, o descartável e outras baboseiras. Há coisas que merecem a eternidade e outras, não. Há coisas de que gostamos e que são francamente idiotas. Mas a cultura da nostalgia bota tudo no mesmo saco, e haja saco.
Os brasileiros, em especial, têm uma nostalgia pervertida pelos tempos das ditaduras. Toda vez que alguém faz uma pesquisa sobre a popularidade da democracia por estas bandas, fica assustado com a quantidade de nhambiquara que não liga a mínima para isso (claro que estamos assumindo que o povo entrevistado sabe o que significa a palavra; se forem universitários, aí é que estamos perdidos mesmo). Saudade de coturno é coisa de sado-masoquista aposentado. O pessoal tem é vontade de ser mandado sem precisar pensar muito. Quem não conhece um sujeito que, a primeira oportunidade, diz que bom mesmo era o tempo dos militares ou do Getúlio Primeiro? (*)
Falando nisso, de repente me deu vontade de encontrar uma fileira de balas Klep´s. Sabe, aquelas com uns bichos feios e estilizados na embalagem, docinha até não agüentar mais? Ei, as balas Klep´s eram boas de verdade. Juro.
(*) Minha avó paterna sente falta do Fernando Collor. É uma neuropatologia ainda não estudada.
2 de agosto de 2005
Certo estava DeGaulle
Existem momentos em que eu fico assustado com os rumos do Bananão (espero que não existam direitos autorais relativos ao uso desta palavrinha para descrever a nossa terrinha, senão o pessoal do Wunderblogs vai puxar a minha orelha). Aquela secretária que resolveu denunciar o mineirinho carecudo das malas de dinheiro quase foi levada a sério. Pior: ela mesma quase achou que era um figurinha pública interessante. Primeiro, anunciou que posaria nua para a Playboy e usaria os dois milhões de reais (convenhamos: uma mixaria nas contas deste governo aí) para sua candidatura a câmara federal. Agora sim, eu me sinto um legítimo habitante "deste país". Por um segundo, morri de medo de um profundo desvio para a seriedade – o que seria a ruína desta terra.
A propósito, felizmente, a revista-mão-peluda já avisou que a secretária pode esperar sentada, já que ela (a revista-mão-peluda) tem outras prioridades.
Na verdade, os editores devem ter visto isto aqui.
A propósito, felizmente, a revista-mão-peluda já avisou que a secretária pode esperar sentada, já que ela (a revista-mão-peluda) tem outras prioridades.
Na verdade, os editores devem ter visto isto aqui.
27 de julho de 2005
Ascensão, Queda e Renascimento da SuperInteressante
Dias atrás, passando em frente a uma banca de revistas usadas, não resisti e comprei um exemplar já bem gasto do primeiro número da SuperInteressante. Eu era apenas um nerd juvenil em 1988, quando aquela capa do trem vermelho levitando capturou a minha atenção. Desde então, eu me tornei um leitor voraz da revista. E não tenho vergonha alguma em admitir que parte de minha formação e curiosidade científicas foram fornecidos pela SuperInteresante e pelo Discovery Channel. Antes da Super, houve a Ciência Ilustrada, pelos idos de 83 e a Ciência Hoje, da SBPC, voltada a nerds de grau mais elevado. Mas nenhuma falava tão bem uma linguagem ao mesmo tempo simples e precisa, apoiada em infográficos e ilustrações de primeira, abrangendo vários campos da ciência, da biologia à física quântica. Até hoje, quando me perguntam sobre o que sei de alguma teoria física, respondo que tenho “cultura de SuperInteressante” e nada mais. Na primeira geração da revista, conheci Stephen Hawking, Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, Michio Kaku, entre muitos outros, e me deparei com figuras já conhecidas, como Carl Sagan, Einstein, daVinci e o escritor Isaac Asimov. Era uma boa revista de divulgação científica. Como eu disse, era.
De uns tempos para cá, talvez motivada por queda nas vendas, a Super parecia-se mais com uma revista de polêmicas fáceis, uma espécie de Contigo do meio científico. Abraçou de vez o politicamente correto e se jogou ladeira abaixo no preconceito às religiões (com notável exceção para o budismo, que, sei lá porque cargas d’água, era sempre agraciado com pelo menos um comentário favorável a cada edição). Não raro, parecia que as reuniões para decidir as pautas das próximas edições eram algo assim:
- E aí, galera, alguma sugestão para a reportagem de capa? – pergunta o jornalista mais experiente da turma.
- Ouvi dizer que uma experiência com um tipo de quark raro pode acabar com o mundo. – levanta-se, lá no final da sala, um estagiário.
Silêncio. Canetas tamborilam na mesa. Folhas são viradas com preguiça.
- Certo, muito interessante – responde o jornalista, suspirando baixinho. – Alguém mais?
- Que tal “Por que ficamos pelados?”, incluindo uma entrevista com Stephen Tunick e uma história do naturismo com uma abordagem das roupas como um instrumento opressor da nossa natureza? – pergunta o redator meio tarado que vivia faltando às reuniões.
Finalmente, alguém perde a paciência e decide:
- Certo, vamos fazer como da última vez. Ô José, abre aí na Biblía e vê em que versículo vai cair. Vamos negar qualquer coisa aí. E tiramos no palitinho para decidir quem vai escrever a matéria desta vez.
E tome reportagem sobre Jesus, Moisés, Noé, Jesus, José, João Batista, Jesus, Maria Madalena, Judas e Jesus de novo. E estas eram intercaladas com eutanásia, direitos dos animais, suicídio, aborto, casamento gay, Alexandre o Grande (quase a mesma coisa do item anterior), código daVinci, evangélicos, medicina alternativa. Não, nenhum destes temas é inválido ou (perdoe-me o trocadilho) desinteressante, são todos relevantes, mas a abordagem metida a “séria” beirando o sensacionalismo da “nova” SuperInteressante era o que realmente me irritava.
Ou não apenas a mim. Percebendo que o público da “antiga” Super estava pouco à vontade com a “melhor revista jovem do Brasil” (um slogan idiota que poderia servir tanto a Capricho quanto a, digamos, Bizz), foram lançadas a versão brasileira da Scientific American - excelente, por sinal - e a Discovery Magazine. A própria Abril botou nas bancas uma tal de Sapiens sob a grife da Super, praticamente admitindo a asneira que andava fazendo. A Galileu sempre correu bem por fora, e depois de um tempo melhorando sensivelmente, resolveu mudar o estilo para ficar ainda mais “superinteressentesca” do que já era e está num limbo de onde não deve sair tão cedo. Justo agora que o pessoal da Abril parece ter acordado das trevas.
As últimas duas edições da Super estão muito boas. A equipe passou por uma bem-vinda renovação, os textos estão bons de verdade e os gráficos e ilustrações mais uma vez informam com beleza e humor. Não, eu não sou saudosista, não quero a Super de 1989, eu quero apenas uma revista de divulgação científica simples, visualmente atraente e que não tenha rabo preso com os conceitinhos da moda pseudointelectual da semana. É pedir muito? A reportagem sobre o nazismo toca em feridas que eu duvido sinceramente que seriam abordadas na revista de um ano atrás. Por exemplo, a monstruosa obviedade de que o nazismo pertence a modernidade do século XX tanto quanto a engenharia genética e a lata de sopa Campbell de Andy Warhol. Que Hitler fez uso da nossa crença na pureza da ciência para mentir, assassinar e tentar criar um “mundo melhor e mais belo”, tudo disfarçado por uma ideologia cujos alicerces estavam espalhados nos conceitos em voga na época, conceitos que poucos então ousariam desafiar em qualquer lugar do mundo. Como os conceitinhos que citei pouco acima.
Enfim, vida longa à renascida SuperInteressante.
Pelo menos, até a primeira reportagem dizendo que Jesus não existiu e que aquele a quem os cristãos veneram era, na verdade, um alienígena vindo do planeta Melmac e fã do Guia do Mochileiro das Galáxias.
P.S.: Sim, é verdade que a SuperInteressante pertence ao núcleo jovem da Abril e que a superficialidade de muitas de suas reportagens e temas afastou a revista do meio acadêmico anos e anos atrás. Também é verdade que é mais fácil encará-la como uma revista de variedades científicas ou quase - o que não serve de desculpa para falta de rigor ou para a forma como assuntos delicados e polêmicos eram abordados, especialmente tendo em vista a faixa etária de seu público leitor médio.
De uns tempos para cá, talvez motivada por queda nas vendas, a Super parecia-se mais com uma revista de polêmicas fáceis, uma espécie de Contigo do meio científico. Abraçou de vez o politicamente correto e se jogou ladeira abaixo no preconceito às religiões (com notável exceção para o budismo, que, sei lá porque cargas d’água, era sempre agraciado com pelo menos um comentário favorável a cada edição). Não raro, parecia que as reuniões para decidir as pautas das próximas edições eram algo assim:
- E aí, galera, alguma sugestão para a reportagem de capa? – pergunta o jornalista mais experiente da turma.
- Ouvi dizer que uma experiência com um tipo de quark raro pode acabar com o mundo. – levanta-se, lá no final da sala, um estagiário.
Silêncio. Canetas tamborilam na mesa. Folhas são viradas com preguiça.
- Certo, muito interessante – responde o jornalista, suspirando baixinho. – Alguém mais?
- Que tal “Por que ficamos pelados?”, incluindo uma entrevista com Stephen Tunick e uma história do naturismo com uma abordagem das roupas como um instrumento opressor da nossa natureza? – pergunta o redator meio tarado que vivia faltando às reuniões.
Finalmente, alguém perde a paciência e decide:
- Certo, vamos fazer como da última vez. Ô José, abre aí na Biblía e vê em que versículo vai cair. Vamos negar qualquer coisa aí. E tiramos no palitinho para decidir quem vai escrever a matéria desta vez.
E tome reportagem sobre Jesus, Moisés, Noé, Jesus, José, João Batista, Jesus, Maria Madalena, Judas e Jesus de novo. E estas eram intercaladas com eutanásia, direitos dos animais, suicídio, aborto, casamento gay, Alexandre o Grande (quase a mesma coisa do item anterior), código daVinci, evangélicos, medicina alternativa. Não, nenhum destes temas é inválido ou (perdoe-me o trocadilho) desinteressante, são todos relevantes, mas a abordagem metida a “séria” beirando o sensacionalismo da “nova” SuperInteressante era o que realmente me irritava.
Ou não apenas a mim. Percebendo que o público da “antiga” Super estava pouco à vontade com a “melhor revista jovem do Brasil” (um slogan idiota que poderia servir tanto a Capricho quanto a, digamos, Bizz), foram lançadas a versão brasileira da Scientific American - excelente, por sinal - e a Discovery Magazine. A própria Abril botou nas bancas uma tal de Sapiens sob a grife da Super, praticamente admitindo a asneira que andava fazendo. A Galileu sempre correu bem por fora, e depois de um tempo melhorando sensivelmente, resolveu mudar o estilo para ficar ainda mais “superinteressentesca” do que já era e está num limbo de onde não deve sair tão cedo. Justo agora que o pessoal da Abril parece ter acordado das trevas.
As últimas duas edições da Super estão muito boas. A equipe passou por uma bem-vinda renovação, os textos estão bons de verdade e os gráficos e ilustrações mais uma vez informam com beleza e humor. Não, eu não sou saudosista, não quero a Super de 1989, eu quero apenas uma revista de divulgação científica simples, visualmente atraente e que não tenha rabo preso com os conceitinhos da moda pseudointelectual da semana. É pedir muito? A reportagem sobre o nazismo toca em feridas que eu duvido sinceramente que seriam abordadas na revista de um ano atrás. Por exemplo, a monstruosa obviedade de que o nazismo pertence a modernidade do século XX tanto quanto a engenharia genética e a lata de sopa Campbell de Andy Warhol. Que Hitler fez uso da nossa crença na pureza da ciência para mentir, assassinar e tentar criar um “mundo melhor e mais belo”, tudo disfarçado por uma ideologia cujos alicerces estavam espalhados nos conceitos em voga na época, conceitos que poucos então ousariam desafiar em qualquer lugar do mundo. Como os conceitinhos que citei pouco acima.
Enfim, vida longa à renascida SuperInteressante.
Pelo menos, até a primeira reportagem dizendo que Jesus não existiu e que aquele a quem os cristãos veneram era, na verdade, um alienígena vindo do planeta Melmac e fã do Guia do Mochileiro das Galáxias.
P.S.: Sim, é verdade que a SuperInteressante pertence ao núcleo jovem da Abril e que a superficialidade de muitas de suas reportagens e temas afastou a revista do meio acadêmico anos e anos atrás. Também é verdade que é mais fácil encará-la como uma revista de variedades científicas ou quase - o que não serve de desculpa para falta de rigor ou para a forma como assuntos delicados e polêmicos eram abordados, especialmente tendo em vista a faixa etária de seu público leitor médio.
6 de julho de 2005
Aos fãs do Firefox...
Sim, eu sei. Fiz alguma asneira no novo template e melei a exibição deste blog pelo Mozilla Firefox. Se você é, assim como eu, um fã do browser, fique calmo: logo estará corrigido o bug.
31 de maio de 2005
Massagem cardíaca
Tenhos posts demais entre os neurônios esperando para ser escritos - e blogueiro com post enfiado na cachola e escritor de gaveta são criaturas quase tão inúteis quanto um mártir vivo ("Nada é mais inútil do que um mártir vivo", li esta frase numa das saudosas edições da versão brazuca da Isaac Asimov Magazine, quando puder digo o seu autor).
10 de abril de 2005
É o fim do mundo?
Domingo, quente, 15h, olho para TV e vejo, no Domingão do Faustão, um sujeito tirando música da axila direita. Por um minuto, desejei que aquele cometa sem rumo do Impacto Profundo atingisse o Projac. Como sou um homem de paz, resolvi apenas desligar o aparelho.
30 de março de 2005
O assassinato de Terri Schiavo
Evitei o assunto o quanto pude - já há blogs demais dando suas opiniões sobre o caso da norte-americana Terri Schiavo, condenada a morrer pela justiça. Então, para encurtar logo a questão, recomendo a leitura do artigo de Reinaldo Azevedo, A Morte de Terri Schiavo e o direito de regar gerânios.
E assino embaixo.
E assino embaixo.
23 de março de 2005
Sexo e Baticum II
Será sucesso na Inglaterra o documentário Sou Feia, Mas Tô na Moda (é sério), de Denise Garcia e da produtora de Allan Sieber, Toscographics. Sim, o atual funk carioca é cultura. Goste-se dela ou não.
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